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Menopausa X saúde bucal

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Recentemente, li um artigo de um colega sobre os efeitos da menopausa na saúde bucal e me interessei por este tema, cuja discussão, até cerca de meio século atrás quando a expectativa de vida estava abaixo dos 50 anos, era tabu. Hoje, felizmente, a menopausa (fim dos ciclos menstruais e ovulatórios da mulher) recebe cada vez mais a atenção dos profissionais da área de saúde, inclusive a odontologia.

 

Alguns fatores contribuíram para esta nova realidade, entre eles o surgimento, na década de 1960, da pílula anticoncepcional e do feminismo, cujas ideias valorizavam a sexualidade feminina. É nessa época que a reposição hormonal após a menopausa encontra ambiente favorável para garantir o prolongamento da saúde, especialmente a bucal, e da qualidade de vida da mulher, cujos ciclos menstrual e reprodutivo terminam, normalmente, entre 45 e 55 anos de idade. Mas, pode ocorrer tanto antes (menopausa precoce, que pode ser espontânea ou cirúrgica) quanto depois (menopausa tardia).

 

Como o organismo deixa de produzir os hormônios estrogênio e progesterona, responsáveis pela gravidez, corre-se o risco de agravamento de doenças. Além de inconvenientes, como calores ou fogachos, alterações na pele, nos cabelos, nas unhas e no humor, a maioria das mulheres apresenta perda óssea e maior risco de doenças cardiovasculares, por cauda do fluxo sanguíneo irregular.

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Entre as alterações possivelmente associadas à menopausa, estão osteoporose; síndrome da boca ardente, que pode afetar língua, lábios, palato, gengivas e suporte da dentadura; alterações na mucosa, com sangramento na gengiva, que fica pálida, seca e brilhante; periodontite, que pode causar a perda de dentes e; distúrbios alimentares, que pode levar a hábitos causadores de traumas na boca, como a erosão do esmalte do dente.

 

Na verdade, a saúde bucal da mulher tem necessidades especiais nas diversas fases de sua vida, a começar pela puberdade, com as mudanças nos níveis de hormônios, seguidas da menstruação, gravidez e menopausa. Nestes períodos, as gengivas ficam mais sensíveis à placa bacteriana, exigindo cuidados básicos e constantes, como escovar bem os dentes e usar fio dental todos os dias.

 

Por todos os seus complexos efeitos, que exigem atendimento odontológico multiprofissional, a conscientização sobre esta realidade deve ser tratada desde cedo, para minimizar seus sintomas.

 

A conduta do profissional dentista deve ter enfoque preventivo, especialmente nos cuidados essenciais de higiene e na manutenção da saúde bucal. Isto é, uso do fio dental, escovas macias, enxaguatórios específicos e, um hábito necessário, visitas regulares ao dentista para limpeza e procedimentos gerais.

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É bom lembrar que, embora em menor frequência, a osteoporose (e, portanto, problemas bucais) pode afetar também os homens, principalmente na andropausa. A queda na produção do hormônio masculino, a testosterona, provoca retenção insuficiente de cálcio, essencial na formação óssea.

 

Ernani Caporossi é especialista em Dentística Restauradora e Prótese Dental.

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Nus com nossos medos

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Nus com nossos medos   Encontrei ontem um amigo que já não via desde abril. Estávamos os dois visivelmente contentes pela possibilidade de encaixe de agendas quando marcamos, ontem mesmo, o horário. Vínhamos tentando há um tempo. “Eita, tomei a vacina hoje, estou meio molinha”. “Droga, tenho uma reunião marcada”. “Estou com as crianças a semana inteira.” Desde abril.

 

Pois que ontem, tanto para mim, quanto para ele, não havia nenhuma restrição. Alegria mútua.  E nos vimos cheios de assunto a pôr em dia. O amigo? É alguém a quem tenho grande admiração por sua maneira livre de ver o mundo. Mais ainda, por sua maneira livre e corajosa de viver o mundo. Porque para ser, de verdade verdadeira, livre, há de ter muita coragem.   Ele me disse dos planos para o futuro, de sua clínica, de sua escuta, das teorias que vem desenhando na cabeça. Me ouviu, com a mesma dedicação com que falou de si, passear por um tanto de temas. Voltamos ao passado longínquo de madrugadas de trabalho que compartilhamos. “Lembra disso? Lembra daquilo?”

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A semana inteira foi de frio intenso aqui em São Paulo. Nós tomávamos vinho tinto, estávamos cada um enrolado em uma mantinha, casacos, meias. Mas a uma certa altura da noite, senti meu corpo inteiro tremer em um desconforto gelado. Tensionei os ombros, cheguei a imaginar não ser capaz de suportar a dureza do tempo. No labirinto que configura minha cabecinha neurótica, decidi esperar a próxima frase dele ser concluída para comunicar a minha total perda de condição de continuar aquela conversa. “Melhor tu ir dormir agora”, eu diria. E assim, abriria caminho para também me entregar a meu edredon.

 

Passava de meia noite quando a frase foi finalmente concluída. Mas antes que eu dissesse qualquer coisa, o  telefone dele tocou. Uma emergência. E, embora nos conheçamos bem, e há mais de vinte anos, dividimos ali nosso momento de maior intimidade. Ver meu amigo sabido e livre diante de um medo que lhe tirou a expressão que sempre traz no rosto, foi pra lá de revelador. Sabemos, claro, que os nossos não são a projeção que fazemos deles. Sabemos que nenhum de nós é uma massa homogênea diante do mundo, mas ver um lado desconhecido de quem pensamos já conhecer tanto, assim de pertinho, pode ser impressionante. Mais do que isso, se deixar ver para além do que escolhemos apresentar, desarmado diante de um outro, é, sem dúvida,  um ato de muita coragem.

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Acordei pensando sobre minha tremedeira sem lugar e sobre a nossa dificuldade em estabelecer uma data para nos encontrarmos. Penso que nada foi à toa.  Era importante que tivesse acontecido exatamente assim. Sigo o admirando. Grandemente. Boa semana queridos

 

Roberta D’Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: [email protected]   

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