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Covid-19: diretor do Butantan prevê vacinação lenta no Brasil até setembro

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Covid-19: diretor do Butantan prevê vacinação lenta até setembro
André Biernath – Da BBC News Brasil em São Paulo

Covid-19: diretor do Butantan prevê vacinação lenta até setembro

Como diretor do Instituto Butantan desde 2017, Dimas Covas sempre precisou aliar o conhecimento técnico e científico com as particularidades do mundo político que, na visão dele, não parecem seguir uma lógica.

E essa necessidade se ampliou numa escala inimaginável durante a pandemia de covid-19: a corrida por vacinas capazes de frear o coronavírus exigiu muito jogo de cintura e garantiu fortes emoções entre o final de 2020 e o início de 2021.

Uma das personagens que mais ganharam os holofotes nesta história foi a CoronaVac, imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac e testada no Brasil pelo Instituto Butantan, com a coordenação de Covas e sua equipe.

Após passar por todas as etapas de pesquisa clínica, a vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro de 2021 e hoje responde por mais de 70% de todas as doses que foram aplicadas até o momento na campanha brasileira contra a covid-19.

Mas o atraso na entrega de novos lotes de matéria-prima deve paralisar completamente a produção até amanhã (14/05): o Instituto Butantan está aguardando a chegada de 10 mil litros do insumo farmacêutico ativo (IFA), que está na China.

Em falas recentes, o governador de São Paulo, João Doria, atribui essa demora na liberação do produto às constantes falas do presidente Jair Bolsonaro, que faz acusações infundadas sobre a origem do coronavírus e o papel do país asiático nisso.

Covas, que é especialista em hematologia e professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, concedeu uma entrevista exclusiva à BBC News Brasil um dia antes das primeiras notícias sobre a paralisação da produção no Butantan e avaliou que o país ainda demorará alguns meses para conseguir avançar na proteção dos brasileiros.

O especialista acredita que “até julho, enfrentaremos muitas dificuldades”, causadas pela falta de insumos para a produção de doses.

A situação pode até melhorar a partir do último trimestre de 2021, quando as fábricas nacionais terão mais material para trabalhar e os fornecedores externos, como Pfizer e Johnson & Johnson , prometem entregar lotes maiores de suas vacinas.

Ainda na visão de Covas, isso se deve ao fato de o Brasil ter iniciado seu planejamento “muito tardiamente” e com “ações muitos tímidas”.

“Se as primeiras ofertas que nos foram feitas tivessem sido levadas em conta, em dezembro de 2020 já poderíamos ter iniciado a vacinação no país. No entanto, isso não ocorreu”, lembra.

O diretor do Butantan também confirma a dificuldade em lidar com os chineses após as declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, que fizeram acusações sobre a suposta origem do vírus no país asiático.

“Nós que estamos na ponta, lidando diretamente com eles, enfrentamos muitas dificuldades. Em termos práticos, um documento que poderia ser assinado e autorizado em questão de dez ou quinze dias, que seria um tempo aceitável, demora muito mais e passa por todo um problema burocrático. Nós sentimos na pele essa dificuldade de trazer os insumos. Enquanto isso, outros países que também usam a CoronaVac, como é o caso do Chile, não enfrentam esses mesmos problemas”, compara.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – Nos últimos dias, tivemos novidades sobre uma eventual quebra de patentes da vacina contra a covid-19. Os Estados Unidos mudaram seu posicionamento sobre o tema e há um projeto em discussão sobre o mesmo tema no Senado Federal. Como o senhor avalia essa questão?

Dimas Covas – Em primeiro lugar, o objetivo maior de uma possível quebra de patentes seria aumentar a disponibilidade de vacinas no mundo. Só que uma medida dessas não é uma solução que contribui nesse sentido. Será que a quebra de patentes aumentaria a quantidade de vacinas para o Brasil? A minha resposta é não.

Mesmo se o Brasil tivesse acesso a todas as patentes das vacinas já autorizadas, isso não mudaria em nada o cenário atual. Nosso país não tem uma base industrial de biotecnologia capaz de produzir essas vacinas mais modernas. Atualmente, os dois únicos produtores de imunizantes para uso humano no Brasil são instituições públicas: o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). Nós até temos fábricas para vacinas veterinárias, mas não é fácil convertê-las para a produção de doses para seres humanos.

Dimas Covas participa de liberação de lotes de vacinas ao lado do governador de São Paulo, João Doria, e do secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn

Governo do Estado de São Paulo
Dimas Covas entende que corrida pelas vacinas virou instrumento geopolítico e faltou solidariedade e coordenação global

Então, mesmo que tivéssemos todas as patentes disponíveis, nas nossas mãos, isso não resolveria o nosso problema no curto e no médio prazo. Então a quebra de patentes não é uma solução. Mas por que então temos países que estão defendendo essa medida na Organização Mundial do Comércio? Esses locais têm uma boa capacidade produtiva, como é o caso da Índia e possivelmente da África do Sul. Mas a maioria dos países tem uma situação parecida ao Brasil, então a disponibilidade de patentes não vai significar acréscimo nenhum no quantitativo de doses.

O segundo ponto é que toda vez que você quebra uma patente, você está falando de uma vacina específica. Mas as detentoras desses direitos são empresas multinacionais, que possuem uma série de outros insumos, substâncias e medicamentos. A quebra, então, faz com que essas empresas se sintam prejudicadas em relação à propriedade intelectual que construíram. Elas podem então retaliar os governos por meio de seus outros produtos.

Essas companhias, por exemplo, podem dificultar o acesso dos países com histórico de quebrar patentes ao mercado farmacêutico. Elas podem pensar: por que vou trazer esses medicamentos para esse lugar, se eles tem essa fama de piratear nossos produtos? Toda vez que você quebra uma patente, cria-se um ambiente de desconfiança e retaliação.

O terceiro argumento contrário a essas tratativas é que o Brasil também é detentor de patentes. O Instituto Butantan, por exemplo, tem uma patente da vacina da dengue, que está em testes. Nós estamos inclusive transferindo essa tecnologia para outros países. Agora, será que alguém pode vir e quebrar nossa patente também?

Eu entendo que a propriedade intelectual é fundamental para o avanço da ciência. Quem faz investimentos nessa área precisa ter alguma garantia de retorno. Se você quebrar essa regra, ela pode nos prejudicar no médio e no longo prazo.

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BBC News Brasil – Ainda nesse assunto, o Instituto Butantan tem uma série de parcerias e convênios com outros centros de pesquisa e também com farmacêuticas, tanto no sentido de colaboração científica quanto na disponibilização de insumos. O senhor acredita que uma quebra de patentes interferiria nesse intercâmbio?

Covas – Nós aqui do Instituto Butantan e a BioManguinhos, da Fiocruz, dependemos dessas empresas que produzem esses insumos. Além disso, nós temos uma série de parcerias no desenvolvimento de novas vacinas, que envolvem transferência de tecnologia. Esse mecanismo é utilizado há muito anos e é ótimo para nós.

Portanto, antes de quebrar as patentes nós podemos fazer acordo de transferência e incorporação de novas tecnologias. A partir daí, conseguimos implementar essa produção no nosso próprio país, sem ferir o princípio da propriedade intelectual. Se o Brasil quebrar alguma patente, pode ser que isso impacte negativamente as nossas parcerias.

BBC News Brasil – Enquanto a quebra de patentes é debatida como uma forma de aumentar a disponibilidade das vacinas, não podemos ignorar o problema da desigualdade na distribuição das doses. Alguns países estão com campanhas de imunização bem adiantadas, enquanto outros sequer conseguiram iniciar a proteção de seus habitantes. Na opinião do senhor, qual é o melhor caminho para resolver essa desigualdade?

Covas – Esse é um ponto importantíssimo. Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que nenhum país vai ficar livre da pandemia enquanto a covid-19 não estiver controlada no mundo inteiro. A Europa e os Estados Unidos podem até estar vacinando num bom ritmo, com boa parte de suas populações imunizadas. Mas eles não estarão livres do problema enquanto os países da África e da América Latina não estiverem protegidos.

Não existe proteção local contra a pandemia, a não ser que você mantenha suas fronteiras fechadas indefinidamente. Para combater a pandemia, são necessárias ações globais, com atenção especial aos países mais pobres.

Agora vem a grande questão: o presidente dos Estados Unidos mudou sua posição e propôs a quebra das patentes, não? E por que ele não está mandando as doses excedentes da vacina para outros lugares do mundo? Os americanos não são, até o momento, um grande exportador da vacina, correto?

Veja, qual seria a melhor fórmula? Na minha visão, é a transferência de tecnologia, com o uso de fábricas com essa capacidade. Podemos aumentar muito a escala de doses disponíveis.

A conta já foi feita: precisamos de cinco a seis bilhões de doses das vacinas para que efetivamente comecemos a ter um controle maior sobre a pandemia. E nós estamos muito longe disso ainda.

BBC News Brasil – Sobre os Estados Unidos, uma discussão que fica cada vez mais forte é a questão do turismo vacinal. Várias cidades americanas estão oferecendo vantagens para quem for tomar as doses, incluindo turistas. Enquanto isso, a campanha nem foi iniciada em muitos países. Como o senhor vê esse tipo de incentivo que começa a se popularizar em alguns lugares?

Covas – É preciso ter em mente que a pandemia deixou de ser apenas uma questão de saúde pública mundial e se tornou uma competição geopolítica. Por que os países estão correndo para vacinar sua população? Porque assim eles poderão reabrir e voltar à normalidade o mais rápido possível.

Quer dizer, quando se fala em passaporte da vacina, no fundo, o objetivo é retomar o quanto antes as atividades econômicas. Ou seja: os países que chegarem primeiro à completa imunização terão vantagens sobre os demais.

Quando a gente analisa o mapa da corrida pelas vacinas, é possível notar claramente os Estados Unidos de um lado, a China do outro, a Europa do outro… No fundo, tem esse aspecto de competição por uma vantagem geopolítica.

Daqui a pouco, o grande ativo geopolítico será a exportação desses produtos para os países mais pobres. À medida que os mais ricos estiverem com a população vacinada, eles vão usar as doses excedentes como um ativo econômico e de influência.

Esse problema de saúde pública global precisava de uma coordenação mundial e um senso de solidariedade.

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BBC News Brasil – Dentro desse contexto global, como o senhor analisa a situação brasileira e o avanço da vacinação em nosso país?

Covas – Primeiro, o Brasil iniciou o seu planejamento para a vacinação muito tardiamente. E, quando começamos, no segundo semestre do ano passado, as ações foram muito tímidas. O setor já estava em plena negociação em julho do ano passado. Quer dizer, se essas primeiras ofertas que nos foram feitas tivessem sido levadas em conta, em dezembro de 2020 já poderíamos ter iniciado a vacinação no país. No entanto, isso não ocorreu.

O Instituto Butantan só foi oficialmente contratado pelo Governo Federal para a produção da CoronaVac no dia 7 de janeiro de 2021. E mesmo que isso tenha ocorrido tardiamente, nós conseguimos entregar o maior volume de doses de vacina até agora. O outro fornecedor, a FioCruz, já tinha um acordo firmado em agosto do ano passado, e havia recebido vários adiantamentos. E até agora eles não entregaram os quantitativos prometidos e dificilmente vão conseguir cumprir as metas.

Fábrica de vacinas do Instituto Butantan

Governo do Estado de São Paulo
Produção de vacinas no Brasil depende de insumos vindos do exterior

A vacinação não foi planejada adequadamente porque talvez não se acreditasse muito na eficácia das vacinas. Nós tivemos falas contrárias aos imunizantes, dia após dia, da maior autoridade da República. Isso não aconteceu em outros lugares do mundo. E isso veio em conjunto com a negação de todas as outras medidas de combate à pandemia.

Então, tudo isso se reflete hoje no que estamos vivendo. O mundo inteiro está em busca das vacinas. Aqui no Brasil, os estados e os municípios também querem e estão dispostos a comprar. O problema é que não há dose para todos. Temos uma questão de alta demanda e baixa oferta.

Então seguramente nós não vamos ter uma grande evolução nas campanhas de vacinação dos brasileiros antes do final do ano. Até julho, vamos enfrentar muitas dificuldades. O Instituto Butantan e a FioCruz estão com dificuldades para importar os insumos e todos os outros fornecedores só devem entregar doses no segundo semestre, principalmente no último trimestre de 2021.

Infelizmente, até setembro manteremos um ritmo lento de vacinação.

BBC News Brasil – Nos últimos dias, o senhor e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), têm falado sobre os insumos necessários para a produção da CoronaVac que estão retidos na China. Como o senhor mencionou, a disputa global pelas vacinas está dificultando o acesso às doses. Ao mesmo tempo, o presidente Jair Bolsonaro tem feito declarações sobre a origem do coronavírus que parecem incomodar os chineses. Isso tem atrapalhado esse relacionamento com os fornecedores?

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Covas – Os reflexos dessas declarações do presidente podem ser vistos claramente na imprensa chinesa. Basta você acessar qualquer jornal de lá e, com a ajuda de um tradutor da internet, ver como as falas do presidente e do ministro da Economia, Paulo Guedes, repercutem. Obviamente isso afeta.

Nós que estamos na ponta, lidando diretamente com eles, enfrentamos muitas dificuldades. Em termos práticos, um documento que poderia ser assinado e autorizado em questão de dez ou quinze dias, que seria um tempo aceitável, demora muito mais e passa por todo um problema burocrático. Nós sentimos na pele essa dificuldade de trazer os insumos.

Enquanto isso, outros países que também usam a CoronaVac, como é o caso do Chile, não enfrentam esses mesmos problemas. Isso não é um juízo de valor, apenas uma constatação dos fatos.

BBC News Brasil – E como o Brasil poderia superar essa dependência internacional dos insumos?

Covas – O que nos falta é uma política industrial voltada para o setor da biotecnologia. O Brasil depende de produtos que vêm de outros países não só para fazer as vacinas, mas isso se repete em toda a área biofarmacêutica. Esse é um dos fatores que mais custam ao Ministério da Saúde.

Enquanto não tivermos uma política industrial voltada para essa área, com investimentos sérios, vamos continuar dependentes.

E veja você que essa não é a primeira epidemia que o Brasil enfrenta nos últimos anos. Nós tivemos recentemente o zika, que escancarou essa nossa fragilidade.

Quando eu falo de política de apoio à biotecnologia, não estou falando apenas em investimentos na ciência. Falo de apoio econômico para desenvolvimento da atividade industrial.

Uma fábrica de vacinas custa em torno de meio bilhão de reais. E você não consegue custear isso com as agências de fomento à pesquisa.

BBC News Brasil – E como estão as pesquisas da vacina ButanVac? Existe alguma perspectiva de início dos estudos clínicos?

Covas – As conversas com a Anvisa tem sido muito boas e nós tivemos avanços nas últimas semanas. Foram feitas algumas exigências e questões, que foram prontamente respondidas. Agora nós estamos aguardando um retorno enquanto evoluímos em detalhes do estudo clínico.

Nesse momento, nós estamos fazendo a contratação dos centros de pesquisa e o planejamento das pesquisas. Esperamos começar os estudos brevemente, até porque a vacina já começou a ser produzida. Até o momento, temos cerca de seis milhões de doses da ButanVac. Essa é uma produção inicial que já está em curso.

Eu acredito que a ButanVac, junto com a CoronaVac, podem dar contribuições substanciais para o combate da pandemia no Brasil ainda neste ano.

Caixa da vacina ButanVac

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ButanVac pode estar disponível no final do ano se os estudos clínicos mostrarem bons resultados, antecipa Covas

BBC News Brasil – O senhor acredita que a ButanVac estará disponível ainda em 2021?

Covas – A ButanVac significa autonomia para o Brasil. Com ela, nós não vamos depender de outros países para produzir a vacina. Sim, eu creio que temos todas as condições de utilizar esse imunizante ainda este ano. Obviamente que isso depende dos resultados dos estudos clínicos. Mas nós vamos fazê-los com muita rapidez e esperamos contar com a contribuição da Anvisa para agilizar o processo regulatório.

BBC News Brasil – O senhor assumiu a direção do Instituto Butantan em 2017. Em algum momento passou pela sua cabeça que enfrentaria um momento como esse que estamos vivendo?

Covas – O Instituto Butantan tem um programa interno de preparação para pandemias. Então nós fazemos parte de um movimento mundial e já estávamos nos preparando para uma crise sanitária que poderia acontecer. Nós achávamos que o vírus seria o influenza H7N9, que é um vírus gripal. Tudo indicava que esse seria o grande problema.

E nós todos fomos surpreendidos por esse outro vírus, o Sars-CoV-2. E, de forma geral, o mundo respondeu muito mal à pandemia.

Apesar de a gente saber como enfrentar uma pandemia e termos uma ciência extremamente desenvolvida, eu considero que o mundo combateu muito mal esse vírus.

E está aí o número elevadíssimo de óbitos para comprovar isso no mundo e no Brasil.

BBC News Brasil – O senhor tem uma formação e uma carreira na área médica. Como homem da medicina, como lidar com tantos fatores políticos envolvidos nas decisões sobre a pandemia?

Covas – Bom, todo cientista está acostumado a lidar com problemas, principalmente aqueles que são muito complexos. E não há dúvida nenhuma que o ambiente político é extremamente complexo. Mas, diferentemente da ciência, o ambiente político não segue lógica nenhuma.

Então é muito difícil, como professor, lidar com uma coisa que eu não entendo muito bem. Não conheço muito essas regras políticas, que não seguem uma lógica.

BBC News Brasil – O senhor vai depor à CPI da Pandemia no Senado Federal no dia 25 de maio. Qual a sua avaliação sobre a comissão e a sua participação nela?

Covas – O enfrentamento da pandemia no Brasil vai precisar ser passado a limpo em algum momento. Não dá pra escapar disso, seja pela CPI ou por algum outro mecanismo. Esse período que vivemos é dramático para a história do país.

A CPI talvez seja um caminho para passar a limpo a história dos muitos erros que foram cometidos. É óbvio que tiveram erros, muitos deles de forma intencional. E é preciso identificá-los e apontá-los. Até porque, se ficar provado que eles foram realmente intencionais, isso pode configurar um crime.

Eu acho que a CPI precisa lidar com fatos, sem misturar os interesses políticos. E os fatos são abundantes. Ao se limitar a análise desses fatos, será possível saber ao certo os erros e os desvios que aconteceram durante o combate à pandemia. Precisamos entender e incorporar isso para o bem do nosso próprio país.

Fonte: IG SAÚDE

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Ilha de Paquetá pode ser tornar a primeira área livre da Covid-19 no Rio

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Praia na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro
George Magaraia

Praia na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro

A bucólica Ilha de Paquetá, com suas ruas de terra e casas históricas, estará na vanguarda da cidade do Rio de Janeiro nos próximos meses e poderá ser a primeira área da cidade a erradicar a covid-19. O passo mais importante para que isso aconteça ocorre amanhã (20), com a vacinação em massa promovida em um estudo da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Famosa nacionalmente como cenário do clássico A Moreninha, romance de Joaquim Manuel de Macedo, a ilha é localizada na parte mais interna da Baía de Guanabara e tem 4.180 moradores. Para chegar e sair do bairro, a barca é o único meio de transporte público, e as bicicletas e caminhadas substituem os carros nos 120 hectares de área da ilha.

Em uma transmissão ao vivo na internet com a Associação de Moradores de Paquetá (Morena), realizada na última semana, pesquisadores da Fiocruz e o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, explicaram como funcionará o estudo, que terá um ano de duração e espera antecipar os efeitos da vacinação que meses depois serão observados no restante da cidade.O imunizante utilizado será a vacina Oxford/AstraZeneca, que é produzida no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

“Nossa esperança e principal expectativa é que Paquetá seja a primeira área do Rio de Janeiro livre da covid-19, e a gente poder falar que estamos há tantos dias sem nenhum caso de covid-19 em Paquetá. A expectativa é que isso aconteça 14 dias após a segunda dose, mas pode acontecer de a imunidade coletiva ser até mesmo com a primeira dose. Vamos analisar diariamente a curva de casos”, disse Soranz.

Na quinta-feira (17), o trabalho começou a ser realizado com a coleta de amostras de sangue para testes sorológicos em 3 mil moradores de Paquetá que se apresentaram como voluntários. Entre os objetivos, o estudo quer monitorar a “soroconversão”, isto é, quem era soronegativo (não tinha anticorpos) e passou a ser soropositivo (com anticorpos).

A pesquisa será capaz de diferenciar quem passou a ter anticorpos por causa da vacina e quem os adquiriu devido a uma infecção, e isso ajudará a verificar, entre outros pontos, o nível de proteção coletiva que será alcançado. O infectologista da Fiocruz José Cerbino Neto explicou que a população será dividida em três grupos: quem já havia se vacinado, quem vai receber a vacina no domingo e quem não pode receber a vacina, como as crianças. Com isso, será possível conferir questões como a proteção já na primeira dose e o quanto a vacinação das pessoas em volta é capaz de proteger quem não foi imunizado.

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Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 1.946 pessoas já haviam recebido a primeira dose de alguma das vacinas contra a covid-19 em Paquetá até o dia 17 de junho, e 1.132 segunda dose já haviam sido aplicadas nos moradores até a mesma data. A expectativa de Soranz é que o número de doses aplicadas neste domingo possa chegar a 1,6 mil. Os pesquisadores explicam que quanto maior for a adesão da população ao estudo, maior será a possibilidade de extrair conclusões.

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A pesquisa é considerada um estudo de Fase 4, quando o que está em análise é a efetividade das vacinas “no mundo real”, conceito que é diferente de eficácia, que é o percentual de proteção medido pelos testes clínicos, em um grupo controlado e em comparação a um placebo antes da aprovação da vacina pelas autoridades sanitárias.”O que a gente precisa fazer agora é a fase seguinte desses estudos”, acrescenta o infectologista Cerbino Neto.

“São os estudos que a gente chama de ‘mundo real’, em que a gente aplica a vacina na população em um ambiente muito menos controlado”.

A escolha de Paquetá para esse estudo passa por uma série de características, como o fato de ser uma ilha, com uma única entrada e saída. Além disso, o bairro tem apenas uma unidade de saúde, que, por sua vez, possui um cadastro de saúde da família bem consolidado com capacidade de monitorar a evolução dos casos. O infectologista da Fiocruz disse ainda que o estudo em Paquetá terá características diferentes dos que foram realizados em populações maiores, como nas cidades de Serrana e Botucatu.

Segundo o infectologista, com um grupo populacional menor em observação, é possível, por exemplo, analisar o deslocamento dos voluntários para fora da ilha e possíveis impactos que isso possa ter na efetividade da vacina. Apesar da análise mais completa, os dados e as informações médicas dos moradores serão mantidas em sigilo.“A gente vai poder avaliar questões de segurança da vacina, eventos adversos em uma escala maior e com controle mais fino. A gente vai poder ver a resposta da vacina para as diferentes variantes. Todos os casos de covid-19 que eventualmente apareçam a gente vai genotipar para saber que variante é aquela. São respostas muito importantes nesse momento”, explica Cerbino Neto.

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“Paquetá está na vanguarda da estratégia de vacinação da cidade. A gente vai começar por Paquetá e os resultados que a gente encontrar vão ajudar muito nas políticas de controle para o resto da cidade”.

Oito semanas após a primeira dose, haverá uma nova vacinação em massa para completar o esquema vacinal dos participantes do estudo. O intervalo de oito semanas está dentro da janela de oito a 12 semanas recomendada para a aplicação da segunda dose da AstraZeneca e permitirá obter os resultados mais rapidamente do que com o intervalo de 12 semanas. A expectativa dos pesquisadores é que 14 dias após a segunda dose a circulação do vírus tenha sido reduzida ou zerada, abrindo caminho para a realização de um evento-teste na ilha.O evento será realizado no Parque Darke de Mattos, um local aberto, e só poderão participar moradores de Paquetá que tenham sido vacinados.

Essa etapa do estudo depende de uma grande adesão à vacinação e permitirá observar se o vírus será capaz de circular em meio a uma população vacinada, que será dispensada do uso de máscara nessa ocasião, segundo Cerbino Neto. “A ideia é que seja um evento ao ar livre, em que as pessoas possam participar sem máscaras. A gente acredita que mesmo que haja uma pessoa infectada naquele ambiente, o fato de ter um cinturão com um grande número de pessoas vacinadas não vai permitir transmissão do vírus. Isso é que é a proteção coletiva, a imunidade de rebanho. Mas isso vai depender da adesão da população ao estudo”, explica o infectologista, que afirma que essa adesão também vai determinar a data e o formato do evento.

Fonte: IG SAÚDE

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