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Covid longa: novo estudo ajuda a compreender causas de ‘névoa mental’

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Pesquisadores descobriram que os próprios anticorpos atacam células que revestem a região, provocando danos e inflamações ligados aos sintomas neurológicos
André Biernath – @andre_biernath – Da BBC News Brasil em Londres

Pesquisadores descobriram que os próprios anticorpos atacam células que revestem a região, provocando danos e inflamações ligados aos sintomas neurológicos

Uma das queixas mais comuns dos pacientes que sofrem com a chamada ‘covid longa’ – quando os sintomas da doença permanecem por mais dias que o esperados – é em relação aos sintomas neurológicos, como dificuldades na concentração e a “névoa mental”.

Um novo estudo busca entender as causas dessas ‘falhas neurológicas’. Cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) descobriram que a própria resposta imune causada pela contaminação com o Sars-CoV-2 é capaz de provocar danos e inflamações nos vasos sanguíneos do cérebro – justificando o quadro prolongado de sintomas de alguns pacientes.

Divulgado na revista científica Brain, o estudo fez uma análise de autópsia cerebrais de nove pessoas que morreram de Covid-19. Em vez de detectar evidências do patógeno no órgão, a equipe descobriu que eram os próprios anticorpos das pessoas que atacavam as células que revestem os vasos sanguíneos do cérebro.

Essa descoberta pode ser a explicação sobre por que algumas pessoas sofrem efeitos prolongados da infecção – como dor de cabeça, fadiga, perda de paladar e olfato, dificuldades para dormir e a “névoa mental”. Além disso, pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos para Covid longa.

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“Já havíamos mostrado danos nos vasos sanguíneos e inflamação nos cérebros dos pacientes na autópsia, mas não entendíamos a causa do dano. Acredito que neste artigo ganhamos perspectivas importantes sobre essa cascata de eventos”, explica o autor sênior do artigo, Avindra Nath.

Os nove indivíduos que foram escalados para o exame tinham idades entre 24 e 73 anos, mostrando que as inflamações são independentes da faixa etária. Eles já haviam sido selecionads num estudo anterior da equipe, que também trouxe evidências de prejuízos nos vasos sanguíneos cerebrais por meio dos exames.

Eles compararam as autópsias às de 10 participantes saudáveis de um grupo de controle. A equipe examinou a neuroinflamação e as respostas imunes usando uma técnica chamada de imuno-histoquímica.

Foi notado que os anticorpos produzidos contra a Covid-19 pela infecção miravam erroneamente as células que formam a barreira hematoencefálica, uma estrutura que é responsável por invasores nocivos fora do cérebro, ao mesmo tempo em que permite a passagem de substâncias necessárias.

Danos a essas células podem causar vazamentos de proteínas, sangramentos e coágulos, aumentando também risco de acidente vascular cerebral (AVC) – outra relação já comprovada por estudos com a Covid-19. Além disso, esses vazamentos na barreira acionam células imunes chamadas de macrófagos para o local a fim de reparar as perdas, o que causa mais inflamação.

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A equipe descobriu que os processos celulares normais nas áreas atacadas pelos anticorpos foram severamente interrompidos, o que teve implicações em mecanismos como a capacidade de desintoxicar e regular o metabolismo. As descobertas ajudam a elucidar a atuação da doença em pacientes com sintomas neurológicos de longo prazo, e podem ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos como, por exemplo, um remédio que atue no acúmulo de anticorpos na barreira hematoencefálica.

“É bem possível que essa mesma resposta imune persista em pacientes com Covid longa, resultando em lesão neuronal”, afirma Nath. Ou seja, um medicamento que reduza essa resposta imune poderia ajudar esses pacientes. “Então essas descobertas têm implicações terapêuticas muito importantes” , enfatiza o especialista.

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Fonte: IG SAÚDE

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Acordar de madrugada para comer pode indicar distúrbio do sono

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Acordar de madrugada para comer pode indicar distúrbio do sono
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Acordar de madrugada para comer pode indicar distúrbio do sono

Acordar no meio da noite para revirar a geladeira em busca de alimentos pode ser um distúrbio de sono, porque o organismo da maioria das pessoas está preparado para o jejum durante a madrugada e não digerir comidas calóricas e em abundância durante o período do sono. O distúrbio alimentar associado ao sono e a síndrome do comer noturno podem explicar esta conduta atípica.

“Nessas pessoas, o organismo entende que a hora de maior funcionamento seria à noite. Por causa disso, têm pouca fome de manhã e mais apetite à noite”, afirmou médica e pesquisadora do Instituto do Sono Dalva Poyares.

A síndrome do comer noturno é um distúrbio alimentar que se caracteriza pelo aumento da necessidade de ingestão de alimentos à noite, antes do período principal de sono e com despertares noturnos para comer. O comer noturno pode ter explicações ligadas ao metabolismo e ao ritmo circadiano, que é o relógio interno do organismo do indivíduo.

Há pessoas, chamadas de vespertinas, que são mais ativas no período noturno.Para identificar o distúrbio de sono de forma correta, os médicos investigam se o paciente se lembra, ou não, de ter despertado para comer.

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A amnésia total ou parcial do fato é um indicativo de distúrbio alimentar associado ao sono, que pode ser desencadeado por medicamentos hipnóticos ou por parassonia, que é um comportamento semelhante ao sonambulismo.

Na síndrome do comer noturno, o paciente tem consciência do que ingeriu e memória dos eventos no dia seguinte.

Segundo a médica, o distúrbio alimentar associado ao sono acomete pessoas com propensão a ter parassonia e se caracteriza por despertares noturnos acompanhados de comportamento exclusivamente relacionado à mastigação e à deglutição de alimentos ou substâncias.

No dia seguinte, a pessoa não tem memória do fato ou apresenta apenas alguns fragmentos de lembrança.“Quem tem esse distúrbio de sono tende a comer alimentos não usuais ou misturar alimentos que não combinam e que nunca consumiriam, se estivessem conscientes, podendo acordar nauseado ou se sentindo mal”, explicou Dalva Poyares.

Ela disse que medicamentos hipnóticos usados para combater a insônia também podem desencadear o distúrbio de sono em qualquer pessoa. Ao ingerir o medicamento, em vez de dormir, a pessoa tem comportamento de sonambulismo.

“Uma das coisas que acontecem é a pessoa comer e não lembrar. Nesse momento ela corre riscos associados à ingestão de substâncias tóxicas, coisas que estão na geladeira e não estão muito boas, misturar alimentos que não combinam, ou mesmo ter lesões por cozinhar ou preparar alimentos durante a madrugada, ou acordar se sentindo mal”, afirmou.

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De acordo com a pesquisadora, há tratamentos disponíveis para os distúrbios de sono. Se o comportamento persistir, é preciso procurar ajuda profissional. “É preciso investigar as causas da superficialidade do sono e os motivos que fazem o sono ficar fragmentado para tratar. Se não se encontrar nada, é sinal de sonambulismo, que é outro tratamento.”

A médica alerta que essa situação pode ser perigosa e recomenda que se tomem medidas de segurança como retirar objetos perfurocortantes do ambiente, dificultar o acesso à geladeira, além de fazer o tratamento para sanar tais distúrbios.

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Fonte: IG SAÚDE

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