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Fila com mais de 2 horas já atinge 75% dos hospitais privados de SP

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Fila com mais de 2 horas já atinge 75% dos hospitais privados de SP
Rogerio Santana/Governo do Rio de Janeiro

Fila com mais de 2 horas já atinge 75% dos hospitais privados de SP

Em sete a cada dez hospitais privados do estado de São Paulo pacientes com suspeita de Covid-19 esperam pelo menos duas horas por atendimento. Em alguns serviços, a fila ultrapassa três horas. A conclusão é da maior pesquisa já realizada pelo setor, coordenada pelo SindHosp – Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, e obtida com exclusividade pelo GLOBO. No total, 81 hospitais privados participaram, sendo 21% da capital e 79% do interior.

De acordo com o levantamento, o principal problema dos hospitais no atendimento desses pacientes refere-se ao afastamento de funcionários infectados. Em seguida, está o aumento da demanda maior que a capacidade de atendimento nos pronto- socorros: cerca de 60% dos serviços tiveram aumento acima de 100% no atendimento de urgência de pacientes com Covid-19 e 55% apresentaram o mesmo crescimento no atendimento de síndrome gripal nos últimos 15 dias.

Impacto nas internações

O aumento do número de pessoas contaminadas já se reflete nas internações. A pesquisa constatou que mais de 80% dos hospitais da amostra pesquisada estão com ocupação de 40% nos leitos de UTI para Covid-19. Nos leitos clínicos, a maioria dos hospitais relata 28% de ocupação para paciente infectados com coronavírus.

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Segundo o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, a tendência de queda nas internações de UTI observada desde outubro do ano passado teve uma reversão logo após o período das festas de fim de ano.

“Este índice de 40% de ocupação de leitos em UTI indica uma tendência de crescimento das internações em UTI e acende um sinal amarelo, exatamente em um momento que enfrentamos falta de testes, o afastamento de profissionais de saúde e o apagão de dados”, diz Balestrin.

Por outro lado, ele ressalta que desde o final do ano passado, quando as internações caíram drasticamente, houve redução de leitos de UTI para Covid. Estima-se que atualmente, os hospitais disponibilizam de 10% a 15% dos leitos de UTI para Covid. No auge da pandemia, esses números estavam em 40% a 50%. Isso reforça a percepção de que apesar do aumento e da piora nos indicadores, o cenário atual não é tão grave quanto aquele observado nas ondas anteriores.

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Apesar do apagão de dados, 100% dos hospitais pesquisados confirmam que regularmente notificam as autoridades sanitárias sobre a Covid-19.

Faixa etária

A pesquisa mostrou no serviço de urgência/emergência, a maioria parte (51%) dos pacientes têm entre 30 a 50 anos. Em seguida, respondendo por 30,5% dos atendimentos estão os pacientes de 60 a 79 anos.

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Como já era de se esperar, nas internações, a faixa etária se inverte: 48,5% dos pacientes internados em UTI com Covid-19 têm entre 60 e 79 anos. Essa faixa etária é considerada de risco para a doença. Aqueles de 30 a 50 anos correspondem a 34% dos internados em terapia intensiva. Em enfermaria, a tendência é semelhante: 45,21% têm entre 60 a 79 anos e 35,62% entrea 30 a e 50 anos.

Na síndrome gripal, isso é invertido. A maioria dos pacientes hospitalizados – em enfermaria e UTI – tem entre 30 e 50 anos. Em seguida, estão aqueles na faixa etária dos 60 aos 79 anos.

Falta de testes

A falta de testes observada em farmácias e laboratórios também afeta os hospitais. De acordo com a pesquisa, 72,60% dos hospitais relatam dificuldades na reposição de testes.

A escassez de exames para detecção de Covid-19 e influenza também está entre os principais problemas relatados pelos hospitais para atendimento de pacientes com sintomas gripais. 

Fonte: IG SAÚDE

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Febre amarela: brasileiros e americanos criam tratamento inédito

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Mosquito do gênero Haemagogus é um dos principais transmissores de febre amarela silvestre no Brasil
Divulgação/Fiocruz

Mosquito do gênero Haemagogus é um dos principais transmissores de febre amarela silvestre no Brasil

Um grupo de cientistas brasileiros e americanos anunciou ontem os resultados dos primeiros testes de um tratamento experimental para a febre amarela, bancado por ativistas virtuais que lidam com criptomoedas.

Usando anticorpos, os pesquisadores trataram a doença extremamente letal (para a qual existe vacina, mas não existe terapia) com sucesso em macacos resos e em hamsters.

O método, que consiste no uso de anticorpos monoclonais (unidades artificiais produzidas em série) para atacar o vírus, foi descrito em estudo preliminar divulgado na plataforma BiorXiv, ainda sem revisão independente. Liderados por Michael Ricciardi, da Universidade George Washington, os pesquisadores afirmam que os resultados qualificam o tratamento para testes clínicos em humanos.

No Brasil, o principal colaborador do projeto é o imunologista e infectologista Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP.

“A febre amarela é muito agressiva. Quando macacos se infectam em laboratório, todos morrem”, conta o cientista. “Mas no nosso trabalho todos os macacos tratados sobreviveram. A gente conseguiu cortar a viremia, e a proteção deles foi de 100% contra o desenvolvimento de doença”.

Ele começou a estudar anticorpos para a febre amarela desde que o Brasil voltou a ter alguns surtos mais graves em 2016. Transmitida por mosquitos selvagens, a doença acomete vários órgãos e mata de 38% a 50% das vítimas.

Kallás e Ricciardi são sócios na empresa de biotecnologia Mabloc, criada por um grupo de cientistas com o intuito de desenvolver anticorpos monoclonais para doenças tropicais negligenciadas, como dengue e zica.

Tokens e crowdfunding

O desenvolvimento do tratamento de febre amarela anunciado agora foi um trabalho de ciência biomédica com financiamento diferenciado por não ter usado dinheiro de agências estatais de fomento nem da indústria farmacêutica. A abordagem usada foi um tipo de crowdfunding (financiamento coletivo), que usa tokens digitais, um recurso que serve como modo de regulação entre investidores e a biotech.

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Os pesquisadores contaram com cerca de R$ 30 milhões levantados por meio desse arranjo sofisticado após parceria com outra startup, a Sthorm, fundada pelo ativista Pablo Lobo, expoente brasileiro do movimento “cypherpunk”. Atuante nas áreas de direito à privacidade e acesso à informação pública na internet, sua intenção entrando na área de pesquisa médica foi articular um modelo de fomento à ciência que deixasse o novo tratamento livre de patentes nos países em desenvolvimento.

A parceria no projeto que reuniu cientistas e cyberativistas começou em 2010, quando o filho de Lobo sofreu um caso grave de encefalite e foi tratado por Kallás.

“O Esper virou um grande amigo e começou a me contar tudo o que acontecia na ciência e no mercado de saúde, que é um terror”, conta Lobo. O ativista é crítico do modelo desenvolvimento padrão da pesquisa médica atual, que toma financiamento público na fase de pesquisa básica e gera um conhecimento que acaba sendo apropriado pelas empresas que desenvolvem os medicamentos na fase de aplicação.

“A Sthorm já existia como um movimento de ativismo de internet, liberdade de expressão, acesso a informação… nós somos mais uma célula rebelde do que uma empresa”, diz o ativista. “O que aconteceu é que depois de eu conhecer o Esper, toda essa história que eu tinha como um hobby acabou virando minha primeira atividade”.

Lobo conta que também se envolveu no financiamento de uma pesquisa da Mabloc para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais contra Covid-19. Ele deve lançar em breve uma plataforma de investimento público e crowdfunding para ciência.

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Testes em humanos A pesquisa de febre amarela, que conseguiu vencer a fase pré-clinica de desenvolvimento, procura agora uma forma de viabilizar um testes em humanos.

“O grande obstáculo agora é mandar fazer o primeiro lote de anticorpos monoclonais em ambiente de boas práticas de manufatura para uso em humanos. Para eu contratar uma companhia que faça os testes e faça uma produção do primeiro lote experimental seriam cerca de US$ 14 milhões”, conta Kallás. “Há poucas empresas no mundo capazes de fazer esse tipo de coisa, nenhuma delas no Brasil.”

Os pesquisadores estão otimistas com a perspectiva clínica do medicamento, porém. Os anticorpos monoclonais podem ser administrados por um soro intravenoso, sem necessidade de grande infraestrutura hospitalar, e são adequados para uso em cidades pequenas perto de áreas florestadas, onde tipicamente ocorrem os surtos.

“Com o ensaio clínico, eu espero que seja muito fácil de provar que a terapia funciona. A mortalidade da febre amarela é tão alta que não seriam necessários muitos casos para observar”, diz Kallás.

Os cientistas estão se articulando agora para dar continuidade ao projeto. Se a terapia vingar, Lobo afirma que a ideia é licenciar a tecnologia por um preço “caro para os países ricos e barato para os pobres”.

“É uma operação bem Robin Hood, mesmo”, diz.


Fonte: IG SAÚDE

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