Mais de 16% dos estudantes de Mato Grosso deixaram de comparecer à escola ao menos uma vez nos últimos 30 dias por se sentirem inseguros, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao período de 2019 a 2024.
Os números fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 e mostram o impacto direto da violência na rotina de adolescentes de 13 a 17 anos no estado. Entre os destaques do levantamento, o percentual de jovens que sofreram agressões físicas repetidas praticamente dobrou nos últimos cinco anos, passando de 5,5% em 2019 para 10% em 2024.
Violência e bullying nas escolas
De acordo com a PeNSE 2024, 7,3% dos estudantes relataram ter sido agredidos fisicamente ao menos uma vez no último mês, enquanto a parcela que afirma nunca ter sofrido agressão caiu, indicando maior exposição à violência no ambiente escolar.
O levantamento também evidencia a persistência do bullying, com 26,2% dos alunos relatando humilhações ou provocações repetidas por colegas. Entre os principais motivos citados estão aparência física, cor ou raça, religião, sotaque e orientação sexual.
Outro dado alarmante diz respeito à violência sexual: 18,6% dos estudantes afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência sexual, como toques ou exposição do corpo sem consentimento, e 11,2% relataram ter sido ameaçados ou forçados a atos sexuais ao longo da vida.
Casos recentes em Mato Grosso
Entre os casos registrados no estado, em 2025, um adolescente de 13 anos teve o nariz fraturado e dentes quebrados após ser espancado por colegas em uma escola estadual de Cuiabá, ao tentar denunciar a agressão à direção.
Em Alto Araguaia, uma estudante foi brutalmente agredida por um grupo de colegas dentro da escola, em um episódio que, segundo a Polícia Civil, reproduzia a lógica de “tribunal do crime”, com regras internas e punições. A jovem sofreu socos, chutes e golpes enquanto outras colegas filmavam a cena.
Ainda neste mês, um adolescente de 17 anos foi apreendido após agredir um colega de 15 anos dentro de sala de aula. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o agressor inicia a violência com socos e, em seguida, utiliza uma cadeira para golpear a vítima, que sofreu lesões no pescoço, ombros e costas. Segundo a Polícia Militar, o jovem já havia se envolvido em outro episódio semelhante na mesma unidade escolar no ano anterior.
Outros riscos entre adolescentes
O estudo também apontou comportamentos de risco entre os jovens. Mato Grosso está entre os estados com maior envolvimento de adolescentes em brigas com uso de arma de fogo, com índice de 5,2%, acima da média nacional. Além disso, 40% dos estudantes relataram não usar cinto de segurança com frequência, posicionando o estado na pior colocação da região Centro-Oeste nesse indicador.
A PeNSE 2024 estima que Mato Grosso possui cerca de 241 mil estudantes entre 13 e 17 anos, a maioria matriculada em escolas públicas. A pesquisa é realizada pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação e serve como base para políticas públicas voltadas à saúde e à proteção de adolescentes.
Governo cria política para prevenir violência nas escolas
Diante da escalada da violência, o governo de Mato Grosso instituiu neste ano a Política Estadual de Prevenção, Segurança e Proteção no Ambiente Escolar, com aplicação obrigatória em escolas públicas e privadas.
Entre as medidas estão mediação de conflitos, apoio psicossocial, reforço na segurança, monitoramento contínuo de ocorrências e integração com programas estaduais e federais de enfrentamento à violência. A iniciativa busca reduzir os casos de agressão e garantir ambientes mais seguros para estudantes e profissionais da educação.
Jornalista: Mika Sbardelott
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