O preconceito baseado na idade, conhecido como etarismo — também chamado de idadismo ou ageísmo — tem se tornado um dos desafios sociais mais invisíveis e, ao mesmo tempo, mais presentes na sociedade atual.
O tema foi destaque em um episódio do podcast Conexão Materna, apresentado por Mírian Marques, que reuniu especialistas para discutir os impactos dessa forma de discriminação.
Embora muitas vezes seja tratado como “brincadeira” ou comentário inofensivo, o etarismo se manifesta em falas, atitudes e até decisões institucionais que associam a idade à incapacidade, gerando exclusão e desigualdade.
Preconceito disfarçado de opinião
No cotidiano, o etarismo aparece de forma sutil. Frases como “você não tem mais idade para isso” ou comentários sobre aparência e comportamento são comuns e frequentemente naturalizados.
Há ainda um recorte de gênero evidente: enquanto cabelos grisalhos em homens costumam ser associados à maturidade e charme, nas mulheres são frequentemente vistos como sinal de envelhecimento indesejado.
Esse tipo de comportamento reforça padrões sociais e impõe uma espécie de “cronologia da vida”, que determina idade para casar, ter filhos, trabalhar ou até mesmo como se vestir.
Apesar de parecer leve, o etarismo pode causar efeitos profundos. Entre eles estão a queda da autoestima, sensação de exclusão e sofrimento emocional.
O limite entre brincadeira e ofensa está no impacto causado. Quando há constrangimento, humilhação ou dor, a conduta deixa de ser aceitável.
Exclusão no mercado de trabalho
Durante o episódio, a advogada Andrea Maria Zattar destacou que o etarismo é ainda mais evidente no ambiente profissional.
Profissionais experientes enfrentam dificuldades para se recolocar, barreiras em processos seletivos e até demissões precoces — muitas vezes antes dos 60 anos.
A discriminação raramente é explícita, aparecendo em atitudes como isolamento, piadas sobre idade e exclusão de oportunidades. Quando repetidas, essas práticas podem configurar assédio moral.
Mulheres são as mais afetadas
A juíza Dayna Lannes ressaltou que o etarismo possui um forte recorte de gênero.
Enquanto homens mais velhos são frequentemente associados à experiência e liderança, mulheres são avaliadas com base em padrões estéticos e expectativas sociais, tornando o envelhecimento feminino mais penalizado.
Contradição social
O Brasil vive um processo de envelhecimento populacional. Atualmente, cerca de 15% da população tem mais de 60 anos, muitos ainda fora dos critérios para aposentadoria.
Isso cria uma contradição: ao mesmo tempo em que a sociedade exige que as pessoas trabalhem por mais tempo, o mercado não está preparado para absorver esses profissionais.
Direitos e proteção legal
Embora o etarismo não seja tipificado como crime específico, condutas discriminatórias podem gerar consequências jurídicas.
A Constituição Federal garante a dignidade da pessoa humana e proíbe qualquer forma de discriminação. Já o Estatuto da Pessoa Idosa prevê punições para práticas de violência, negligência e discriminação.
Dependendo do caso, atitudes preconceituosas podem resultar em ações judiciais por injúria ou indenização por danos morais.
Idade é trajetória, não limitação
O episódio do Conexão Materna reforça que o etarismo não deve ser tratado como uma questão individual, mas como um problema social.
Envelhecer não significa perder valor, mas acumular experiências, conhecimento e história.
A reflexão é direta: idade não é incapacidade — é trajetória.
O apresentador Neto Marques recebe no episódio de hoje o candidato a deputado estadual Carlos Sirena para uma conversa sobre o desenvolvimento da região Noroeste e os desafios da política regional.
Durante a entrevista, Carlos Sieena fala sobre sua trajetória, projetos voltados para a população e suas expectativas para a Assembleia Legislativa em 2027. O bate-papo também aborda temas importantes para o futuro da região e ações que podem fortalecer o crescimento local.
O podcast “Provoca Ação” promete uma conversa dinâmica e cheia de informação para os ouvintes que acompanham a política e os assuntos da comunidade.
📲 O programa já está no ar e pode ser acompanhado pelas plataformas digitais do podcast.
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