Auditoria do TCE

TCE inicia auditoria na Câmara de Cuiabá em meio a polêmicas sobre contas da Prefeitura

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O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) iniciou, nesta terça-feira (9), uma auditoria na Câmara Municipal de Cuiabá. A informação foi comunicada pela presidente da Casa, vereadora Paula Calil (PL), por meio de nota divulgada antes do início da sessão ordinária.

Embora o teor da fiscalização não tenha sido detalhado oficialmente, a chefe de gabinete da Presidência da Câmara, Marly Moraes, informou que a ação faz parte das atividades regulares de controle externo exercidas pela Corte de Contas.

“Ressalto que a presença da equipe faz parte das ações regulares de acompanhamento e fiscalização desenvolvidas pelo Tribunal”, afirmou Marly em comunicado.

Segundo informações da Câmara, o auditor Benedito Francisco Leite está entre os servidores designados pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, para conduzir os trabalhos no Legislativo municipal.

A auditoria ocorre em um momento de forte repercussão sobre a situação fiscal da administração municipal. Nas últimas semanas, o Tribunal de Contas passou a acompanhar denúncias envolvendo um suposto rombo milionário relacionado à aquisição de livros para a rede municipal de ensino.

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Além disso, o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, trouxe à tona acusações sobre a suposta realização de “pedaladas fiscais” na Prefeitura de Cuiabá, aumentando a pressão sobre a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL).

Secretário presta esclarecimentos

Também nesta terça-feira, o secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, compareceu à Câmara após convocação do vereador Ilde Taques (Podemos) para prestar esclarecimentos sobre a situação financeira do município.

Durante a sessão, Bussiki reconheceu que parte das despesas contraídas em 2025 foi transferida para pagamento em 2026. No entanto, ele rejeitou a classificação da prática como “pedalada fiscal”.

Segundo o secretário, o termo teria sido utilizado de forma inadequada pelo ex-secretário Amauri Monge. Bussiki argumentou que a atual gestão não ocultou a situação financeira da Prefeitura e que os compromissos pendentes foram devidamente registrados e informados às comissões do Legislativo municipal.

A auditoria do TCE-MT segue em andamento, e até o momento não foram divulgados detalhes sobre o escopo da fiscalização nem prazos para a conclusão dos trabalhos.

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ATÉ ZUNIL

Cidade de 2 mil habitantes gasta R$ 1,1 milhão com dois shows nacionais

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A Prefeitura de Luciara, município com pouco mais de 2 mil habitantes no nordeste de Mato Grosso, autorizou a contratação de dois shows nacionais que, juntos, custarão R$ 1,1 milhão aos cofres públicos. Os contratos foram assinados pelo prefeito Parassu de Souza Freitas (MDB) no último dia 8 de junho e publicados nesta semana no Diário Oficial.

O maior valor será destinado à apresentação da banda Calcinha Preta, contratada por R$ 650 mil. Já a dupla sertaneja Clayton & Romário receberá R$ 450 mil para se apresentar durante a 32ª Temporada de Praia do município.

As contratações ocorreram por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade prevista na legislação para artistas consagrados e representados por empresários exclusivos, dispensando a realização de concorrência pública.

Embora o mecanismo seja legal, os gastos reacendem um antigo debate sobre as prioridades da administração pública em cidades de pequeno porte. Somente os dois shows representam um investimento que chama atenção diante do tamanho da população local e dos desafios enfrentados pelos municípios do interior em áreas como saúde, infraestrutura, educação e assistência social.

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Críticos da medida apontam que a contratação milionária de atrações artísticas reforça a chamada política do “pão e circo” — expressão originada da Roma Antiga e utilizada para descrever estratégias de governos que investem em entretenimento popular enquanto problemas estruturais permanecem sem solução.

O argumento dos defensores dos eventos, por outro lado, é que a Temporada de Praia movimenta a economia local, gera empregos temporários, atrai turistas e aquece setores como hotelaria, comércio e alimentação, produzindo retorno financeiro para o município.

Ainda assim, o valor destinado às apresentações tem gerado questionamentos sobre o custo-benefício do investimento. Na prática, os R$ 1,1 milhão contratados equivalem a mais de R$ 500 por habitante apenas para custear duas atrações musicais.

A discussão sobre os limites entre promoção cultural, turismo e responsabilidade fiscal deve ganhar força nos próximos dias, especialmente em um cenário de crescente cobrança por eficiência na aplicação dos recursos públicos.

Enquanto a prefeitura aposta no impacto econômico e turístico da Temporada de Praia, moradores e órgãos de controle poderão avaliar se o investimento milionário está alinhado com as necessidades mais urgentes da população.

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Jornalista: Mika Sbardelott

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