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STF realiza audiência para discutir impactos da disputa territorial entre Mato Grosso e Pará

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O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta quarta-feira (10) uma audiência de conciliação para discutir os impactos da definição dos limites territoriais entre Mato Grosso e Pará. O objetivo do encontro é buscar soluções para os problemas enfrentados por moradores de áreas que passaram a integrar oficialmente o território paraense, mas que continuam dependentes dos serviços públicos oferecidos por municípios mato-grossenses.

A audiência será conduzida pelo ministro Flávio Dino, relator do processo no STF, e contará com a participação dos senadores de Mato Grosso Jayme Campos (União Brasil), Carlos Fávaro (PSD) e Wellington Fagundes (PL), além de representantes de órgãos públicos e entidades ligadas ao tema.

A disputa territorial entre os dois estados se arrasta há décadas. Em 2020, o STF confirmou por unanimidade os limites definidos em 1922, consolidando a divisa atualmente reconhecida. No entanto, em maio de 2023, o governo de Mato Grosso apresentou uma nova ação questionando o entendimento da Corte e reivindicando o reconhecimento de uma área atualmente pertencente ao Pará.

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Entre os pontos de discussão está a região onde se localiza a Cachoeira das Sete Quedas, também conhecida como Salto das Sete Quedas, considerada estratégica para os interesses do Estado.

O assunto ganhou destaque recentemente durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Na ocasião, prefeitos, produtores rurais e representantes de municípios afetados relataram uma série de dificuldades decorrentes da redefinição territorial.

Entre os principais problemas apontados estão casos de bitributação, entraves na regularização fundiária, questões relacionadas à sanidade animal, transporte escolar, manutenção de estradas e atendimento na rede pública de saúde.

Um dos municípios mais impactados é Paranaíta, no norte de Mato Grosso. Segundo a administração municipal, os cofres públicos desembolsam entre R$ 300 mil e R$ 350 mil por mês para garantir serviços essenciais a moradores que vivem em uma área oficialmente pertencente ao Pará.

Diante da situação, o município protocolou pedido junto ao STF para ser ressarcido em R$ 29 milhões pelos investimentos já realizados nessas comunidades. A prefeitura também solicita a criação de um mecanismo de repasse mensal que assegure a continuidade dos atendimentos prestados à população.

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Além das autoridades mato-grossenses, participarão da audiência representantes do município de São Félix do Xingu (PA), da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), da Assembleia Legislativa do Pará, da União e da Procuradoria-Geral da República.

A expectativa é que o encontro avance na construção de medidas que garantam segurança jurídica e evitem prejuízos à população que vive nas áreas afetadas pela disputa de limites entre os dois estados.

Jornalista: Mika Sbardelott

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Mato Grosso

Pivetta propõe que Pará ressarça Mato Grosso por atendimento a moradores da fronteira

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Durante audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira (10) no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, o governador em exercício de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), propôs a criação de um acordo de cooperação entre Mato Grosso e Pará para compensar financeiramente os gastos com serviços públicos prestados a moradores paraenses que vivem na região de fronteira entre os dois estados.

A sugestão foi apresentada ao ministro Flávio Dino durante as tratativas que buscam uma solução consensual para a histórica disputa territorial envolvendo uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados na divisa entre Mato Grosso e Pará.

Segundo Pivetta, milhares de moradores do lado paraense dependem de serviços oferecidos por municípios mato-grossenses e pelo próprio Governo de Mato Grosso, especialmente nas áreas de saúde, transporte e assistência social.

“Que a gente quantifique, precifique esses serviços e crie uma política de relacionamento estável, amiga, cordial e necessária para a vida dessas pessoas que moram nessa região toda”, afirmou durante a audiência.

O governador em exercício argumentou que a medida garantiria segurança jurídica aos gestores públicos que frequentemente utilizam recursos estaduais e municipais para atender moradores de outro estado.

“Diminuir também o sofrimento e a exposição dos gestores municipais desses municípios que sofrem inclusive improbidade por muitas vezes colocar uma máquina ou colocar uma ambulância ou atender qualquer que seja a irmã ou irmão brasileiro que precisem do socorro e precisam do serviço público”, declarou.

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Questionado pelo ministro Flávio Dino sobre a existência de acordos anteriores para compensação desses atendimentos, Pivetta afirmou que nunca houve uma política formal entre os dois estados.

“A minha proposta é essa, um pacto, um acordo de colaboração entre os estados que dê legalidade a esses prefeitos e ao Estado de Mato Grosso para atender esse público e precificar isso para, nesse acordo, nesse termo de colaboração, o Estado do Pará possa ressarcir Mato Grosso pelo que Mato Grosso vai fazer”, completou.

Prefeito relata dificuldades

Durante a audiência, o prefeito de Paranaíta, Osmar Mandacaru (União Brasil), relatou que o município assumiu ao longo dos anos custos significativos para atender moradores paraenses e que chegou a responder por improbidade administrativa em razão da utilização de recursos públicos municipais em benefício de cidadãos de outro estado.

O relato reforçou a defesa da criação de um mecanismo formal de compensação financeira. Atualmente, Paranaíta mantém uma ação judicial buscando o ressarcimento de aproximadamente R$ 29 milhões junto ao Estado do Pará pelos gastos realizados com serviços prestados à população da região fronteiriça.

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Diante das informações apresentadas, o ministro Flávio Dino determinou que as procuradorias dos dois estados reúnam nos autos todas as ações judiciais relacionadas a pedidos de ressarcimento para análise no âmbito da conciliação.

Impasse territorial continua

A audiência integra os esforços de autocomposição conduzidos pelo STF para tentar encerrar o conflito envolvendo a área disputada entre Mato Grosso e Pará.

Durante a sessão, a governadora em exercício do Pará, Hana Ghassan (MDB), reafirmou que o estado paraense não pretende abrir mão do território reivindicado.

Já Otaviano Pivetta voltou a defender que, caso não haja consenso entre os governos estaduais, a população que vive na região seja consultada por meio de um plebiscito para decidir a qual estado deseja pertencer.

O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, que busca uma solução negociada para encerrar uma disputa que se arrasta há décadas e afeta diretamente moradores dos dois estados.

Jornalista: Mika Sbardelott

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