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Justiça afasta secretário de Governo de Várzea Grande por 90 dias em ação sobre contrato de transporte escolar

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A Justiça determinou o afastamento de Silvio Fidélis do cargo de secretário de Governo de Várzea Grande por 90 dias, sem prejuízo da remuneração. A decisão é do juiz Francisco Ney Gaíva, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, e foi proferida em uma ação popular que questiona um contrato de transporte escolar de R$ 6,2 milhões firmado quando Fidélis era secretário municipal de Educação.

Ao determinar o afastamento, o magistrado considerou que, embora Silvio Fidélis não esteja mais à frente da Secretaria de Educação, a permanência dele no cargo de secretário de Governo poderia comprometer a instrução processual.

Segundo a decisão, o risco não estaria relacionado à gestão direta do contrato, mas à influência política e administrativa atribuída ao atual cargo, que poderia alcançar servidores envolvidos na execução do contrato e que ainda poderão ser chamados para prestar depoimentos ou apresentar documentos.

“Embora tais argumentos mereçam consideração, verifica-se que a tese defensiva de que o réu não possui ingerência atual sobre os contratos da Secretaria de Educação não é suficiente para afastar o risco à instrução processual”, diz trecho da decisão.

O juiz acrescenta que o risco decorre da posição de articulação política conferida pelo cargo de secretário de Governo, que poderia permitir influência sobre servidores que participaram da execução do contrato e que serão chamados a depor ou fornecer documentos no processo.

Irregularidades apontadas

O caso envolve a atuação de Silvio Fidélis durante a contratação do transporte escolar. Relatório Técnico nº 05/2025, elaborado pela Controladoria-Geral do Município, aponta possíveis irregularidades na condução do contrato.

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Segundo o documento, Fidélis teria aprovado o Termo de Referência nº 66/2021 sem o detalhamento técnico considerado necessário. O relatório também aponta que um mesmo servidor teria acumulado as funções de elaboração do termo, fiscalização do contrato e gerenciamento do transporte escolar.

A auditoria ainda identificou pagamentos realizados sem documentação comprobatória considerada idônea.

O Ministério Público Estadual também apontou essas responsabilidades na Notificação Recomendatória nº 004/2026. O caso é acompanhado pelo MPE e pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, que instaurou uma Tomada de Contas Especial.

Na decisão, o magistrado destaca a existência de conclusões convergentes entre a auditoria da Controladoria-Geral do Município, o Ministério Público e o TCE-MT em relação às possíveis irregularidades no contrato.

Contrato foi rescindido

Durante o processo, o município sustentou a legalidade dos atos administrativos e argumentou que uma intervenção judicial seria desnecessária, uma vez que o Tribunal de Contas já realiza o controle externo.

A prefeitura também alegou que o transporte escolar é um serviço essencial e que uma eventual medida judicial poderia comprometer a continuidade da prestação.

O argumento, porém, foi afastado pelo juiz. Conforme consta na decisão, o contrato foi rescindido amigavelmente em dezembro de 2025, o que, na avaliação do magistrado, afasta o risco de interrupção do serviço mencionado pela defesa.

Afastamento havia sido recomendado pelo Ministério Público

A decisão judicial também considera que o Ministério Público já havia recomendado o afastamento de Silvio Fidélis, mas a prefeita Flávia Moretti recusou a medida em julho deste ano.

Para o magistrado, a negativa da administração municipal esgotou a possibilidade de solução pela via administrativa e tornou necessária a intervenção do Judiciário para preservar a integridade da instrução processual.

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Além do afastamento por 90 dias, o juiz determinou que a Prefeitura de Várzea Grande apresente, no prazo de 15 dias úteis, a íntegra do processo administrativo relacionado ao contrato, documentos referentes à execução dos serviços e toda a cadeia de pagamentos.

Prefeitura é proibida de realizar pagamentos

A decisão também proibiu o município de efetuar pagamentos à empresa Allegratur Agência de Viagens e Turismo Ltda. que estejam vinculados ao contrato questionado.

A determinação inclui as notas fiscais nº 223, 304, 311 e 312, que somam R$ 963.067,27.

O magistrado ainda determinou a preservação de toda a documentação relacionada à licitação e ao contrato, diante de indícios apontados pela Controladoria-Geral do Município de possível manipulação nos diários de bordo utilizados para registrar a execução do serviço.

Segundo a auditoria, foram encontradas anotações padronizadas que poderiam ter sido feitas por uma única pessoa em veículos diferentes.

Na decisão, o juiz afirma que o risco de adulteração ou supressão de documentos não seria apenas hipotético, mas estaria amparado nos próprios achados da auditoria interna.

A preservação das provas, segundo o magistrado, é necessária para garantir a efetividade da investigação e da futura instrução processual.

A decisão tem caráter liminar e ainda cabe recurso.

Outro lado

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Silvio Fidélis e a Prefeitura de Várzea Grande não haviam apresentado manifestação sobre a decisão. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e posicionamentos dos envolvidos.

Jornalista: Luan Schiavon

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Edna inicia campanha com PEC que propõe mudanças na Constituição de Mato Grosso

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A candidata a deputada estadual Edna Sampaio (PT) iniciou oficialmente sua campanha à Assembleia Legislativa de Mato Grosso tendo como principal bandeira a construção de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Mato Grosso voltada à promoção da igualdade de gênero, à proteção da vida das mulheres e à ampliação da participação feminina nos espaços de poder.

A proposta foi apresentada durante o lançamento da candidatura, realizado na noite desta quarta-feira (19), em Cuiabá, com a presença da candidata ao governo do Estado, Natasha Slhessarenko, e do candidato ao Senado, Pedro Taques.

A minuta da PEC prevê mudanças na estrutura de decisão do Estado e estabelece que o enfrentamento das desigualdades de gênero passe a ser um compromisso constitucional permanente. Também prevê a equidade de gênero na composição das instâncias decisórias estaduais e veda a implementação de políticas públicas que incentivem ou ampliem a disparidade entre homens e mulheres.

A proposta prevê ainda a criação do Sistema Estadual de Proteção Integral às Mulheres e de Promoção da Equidade de Gênero, com articulação entre as instituições envolvidas, protocolos de atendimento, fontes de financiamento e metas para a redução do feminicídio.

Também está previsto o fortalecimento do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, que deixaria de ter caráter consultivo para assumir função deliberativa, incluindo a participação na decisão sobre a aplicação e a destinação de recursos.

Ao apresentar a PEC como eixo de sua campanha, Edna destacou ainda a baixa presença feminina nos espaços de poder. Ela relacionou a proposta ao cenário de violência contra as mulheres em Mato Grosso e destacou a necessidade de enfrentar a cultura de discriminação existente no estado. Segundo relatório da Câmara Setorial Temática sobre Feminicídio — presidida por ela em sua passagem pela Assembleia Legislativa —, entre 2022 e 2025, Mato Grosso registrou 195 feminicídios. De acordo com o Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público, em 2026, 31 ocorrências já foram registradas.

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“Temos aqui uma cultura muito violenta, de discriminação. Cada um de nós somos responsáveis e eu quero muito que possamos assumir juntos essa responsabilidade durante esta eleição. Não podemos aceitar uma sociedade que mata tantas mulheres e que não tem mulheres trabalhadoras nos espaços de decisão política”, afirmou.

A candidata também afirmou que pretende abordar, durante a campanha, a violência política contra as mulheres, relacionando o tema à violência que sofreu durante seu mandato como vereadora e ao longo de sua trajetória política.

A pauta da desigualdade de gênero, segundo Edna, pode aproximar mulheres de diferentes posições políticas.
“Quando se fala da condição de mulher, se racha essa ideia de esquerda versus direita, pois as mulheres sabem que são violentadas, as de direita, de esquerda e de centro, e se elas sabem disso, elas estarão abertas a ouvir as propostas de uma candidata negra, que também sofreu violência na política e que tem uma trajetória de luta contra a violência”, destacou.

Construção participativa

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A PEC está vinculada ao Movimento Mulheres Vivas e vem sendo construída a partir das demandas apresentadas por mulheres de diferentes regiões de Mato Grosso. Além de Cuiabá, já foram formados núcleos comunitários em municípios como Rondonópolis, Barra do Bugres, Cáceres, Poconé, Chapada dos Guimarães, Vila Bela da Santíssima Trindade, Jaciara, Tangará da Serra, Sinop e Campo Novo do Parecis, entre outros.

A proposta é que as contribuições apresentadas nos encontros sejam sistematizadas e incorporadas à construção do texto constitucional. A iniciativa busca reunir demandas de diferentes segmentos sociais e regiões do estado para elaborar uma proposta que reflita as experiências e necessidades das mulheres mato-grossenses.

Natasha destacou a trajetória política de Edna e a importância de sua candidatura.
“Edna traz esperança de renovar a Assembleia. Uma mulher combativa, guerreira, uma mulher negra que sempre esteve na luta pelos trabalhadores e principalmente pelas mulheres”, disse ela.

Pedro Taques classificou como injustiça o processo sofrido por Edna e manifestou seu apoio à candidatura.“A injustiça é algo que precisa ser superado com justiça. A Edna foi injustiçada. Essa candidatura representa o empoderamento da mulher. Mas não é qualquer mulher. Não é uma mulher que vai ser eleita porque herdou o nome, mas sim porque tem trabalho, luta, sonhos”, afirmou.

Também estiveram presentes no lançamento da campanha as candidatas a deputada federal, Graciele Marques e Leliane Borges.

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