Alvo da Heritage

Mauro Carvalho deixa Casa Civil de Mato Grosso

Ex-secretário afirma que saída foi decidida em conjunto com a família e o governador Otaviano Pivetta. Carvalho nega participação em acordo com a Oi e diz que pretende se dedicar ao esclarecimento dos fatos investigados

Published

on

O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho Júnior, anunciou nesta terça-feira (11) sua saída do cargo no Governo do Estado. O ex-secretário é um dos alvos da Operação Heritage, deflagrada na semana passada para apurar supostas irregularidades envolvendo recursos relacionados ao acordo judicial da Oi.

Até o momento, o Governo de Mato Grosso não informou quem será o novo ocupante da Casa Civil.

Em carta de desligamento, Carvalho afirmou que decidiu deixar a função para se dedicar à família, às empresas das quais participa e ao esclarecimento dos fatos investigados. Segundo ele, a decisão foi tomada em conjunto com familiares e com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

“Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade”, afirmou.

Retorno ao governo

Mauro Carvalho havia reassumido o comando da Casa Civil em abril deste ano, depois de deixar a função, em julho de 2023, para assumir uma cadeira no Senado Federal.

Na carta, o ex-secretário afirmou que inicialmente recusou o convite para retornar ao governo, feito por Pivetta e pelo ex-governador Mauro Mendes (União), mas posteriormente decidiu aceitar por motivos que classificou como de “gratidão e lealdade” ao grupo político.

Carvalho nega envolvimento no acordo com a Oi

Um dos principais pontos destacados pelo ex-secretário na manifestação foi a negativa de participação no acordo judicial envolvendo a Oi.

Carvalho afirmou que, durante o período em que o processo tramitou, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, não ocupava qualquer cargo público. Por isso, segundo ele, não teria condições de interferir na decisão sobre a negociação.

Leia Também:  Zé Medeiros anuncia Xuxu Dal Molin como segundo suplente na disputa pelo Senado em 2026

“Eu já não ocupava nenhum cargo público, nem federal nem estadual, de modo que não poderia influenciar em absolutamente nada a decisão de firmar ou não o acordo”, declarou.

Ele também negou ter se beneficiado dos recursos relacionados à negociação e afirmou que os valores aportados por sua família nas empresas das quais participam têm origem no próprio grupo empresarial.

Pedido de afastamento foi rejeitado pelo STF, diz ex-secretário

Carvalho também mencionou o pedido de afastamento do cargo feito pela autoridade policial no âmbito da investigação. Segundo ele, a solicitação foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na avaliação do ex-secretário, a decisão não apontou indícios de que ele estivesse utilizando o cargo público para fins ilícitos.

“Não saio, portanto, por determinação judicial. Saio por decisão tomada por mim em conjunto com a minha família e com o Governador do Estado”, afirmou.

Carvalho ressaltou ainda que não foi denunciado, processado criminalmente ou condenado. A investigação, porém, ainda está em fase de apuração e não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade dos investigados.

“Investigação não é condenação”, escreveu. “Estamos no começo, e eu quero que se apure para provar a minha inocência”.

“Meu nome figura por vínculo — e vínculo não é conduta”

Na carta, o ex-secretário afirmou que seu nome aparece na investigação em razão de vínculos com pessoas e empresas mencionadas no caso, mas sustentou que não houve atribuição de uma conduta concreta a ele.

“Meu nome figura por vínculo — e vínculo não é conduta”, pontuou.

Leia Também:  Mauro Carvalho pede para sair, mas Pivetta tenta segurá-lo

Carvalho também citou uma ação que tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e que trata dos mesmos fatos. Segundo ele, o processo não aponta nenhuma conduta praticada por ele e menciona eventual benefício a familiares apenas de maneira indireta.

Solidariedade a outros citados

Ao anunciar a saída da Casa Civil, Mauro Carvalho também manifestou solidariedade ao ex-procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, e ao deputado federal Fábio Garcia (União), ambos citados no contexto das investigações.

Lopes deixou o cargo na última sexta-feira (7). Já Fábio Garcia anunciou nesta terça-feira (11) que não seguirá como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta.

Agradecimento ao governador

No encerramento da carta, Carvalho agradeceu a Pivetta pela confiança e desejou que o governo dê continuidade ao trabalho desenvolvido.

O ex-secretário também dedicou uma mensagem à família, destacando o impacto das investigações sobre seus familiares.

“À minha família, que carregou o peso maior sem ter escolhido nada disso, todo o meu amor”, escreveu.

Carvalho encerrou a manifestação dizendo confiar no esclarecimento dos fatos e defendendo que a investigação avance. Também pediu que a verdade prevaleça e que ninguém seja responsabilizado sem culpa.

A investigação da Operação Heritage permanece em andamento, e as declarações apresentadas por Mauro Carvalho integram a versão do ex-secretário sobre os fatos. Eventuais responsabilidades somente poderão ser definidas a partir do avanço das apurações e das decisões das autoridades competentes.

Jornalista: Mika Sbardelott

📲 Clique aqui e receba notícias do VOZMT no seu celular

Advertisement
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ATÉ ZUNIL

Mauro Carvalho pede para sair, mas Pivetta tenta segurá-lo

Published

on

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), deverá conversar nesta terça-feira (11) com o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, sobre a possibilidade de permanência do aliado no cargo. Carvalho manifestou interesse em deixar a função após ser alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema envolvendo recursos públicos.

Apesar do pedido de saída apresentado pelo secretário, Pivetta sinalizou que pretende avaliar pessoalmente a situação antes de tomar uma decisão. Segundo o governador, a definição deve ocorrer ainda nesta terça-feira.

“Eu vou conversar com ele sobre isso hoje. Ele já expressou a vontade dele de não permanecer. Eu vou conversar com ele hoje, é um problema de cada vez”, afirmou Pivetta ao ser questionado se a permanência de Carvalho poderia provocar prejuízos à sua campanha de reeleição ao Governo de Mato Grosso.

A situação ocorre em meio a uma reacomodação na chapa governista para as eleições de 2026. O deputado federal Fábio Garcia (União), que também foi alvo da operação, recuou da condição de vice na chapa de Pivetta e decidiu disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados.

Com a saída de Garcia da composição, Pivetta também deverá anunciar um novo nome para ocupar a posição de vice em sua chapa à reeleição.

Leia Também:  Giovanna Antonelli elogia Cuiabá e coloca Centro Cultural Sesc em destaque nas redes sociais

STF rejeitou afastamento de Mauro Carvalho

Durante a Operação Heritage, a Polícia Federal chegou a solicitar o afastamento de Mauro Carvalho do comando da Casa Civil. O pedido, entretanto, foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, responsável pela decisão que autorizou a operação.

Carvalho nega qualquer participação ou obtenção de benefícios relacionados ao suposto esquema investigado pela Polícia Federal.

Na segunda-feira (10), Pivetta já havia declarado confiança na inocência do secretário e feito elogios ao aliado. Agora, o governador terá de decidir se mantém Carvalho no cargo ou se aceita o pedido de saída apresentado pelo próprio secretário.

A decisão ganhou peso político justamente no momento em que Pivetta trabalha para reorganizar sua equipe e sua chapa para a disputa pela reeleição.

Operação Heritage investiga suposto desvio de R$ 308 milhões

A Operação Heritage teve origem na análise de um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, envolvendo a restituição de valores relacionados a uma disputa tributária.

Segundo a investigação, há indícios de que a operação financeira possa ter sido utilizada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões dos cofres públicos.

Leia Também:  Coronel Fernanda reage a críticas de Abilio e diz que não aceita ser chamada de "porcaria"

A suspeita é de que os recursos tenham circulado por uma estrutura financeira formada por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas, mecanismo que, segundo a PF, teria como objetivo ocultar e dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos valores.

Entre os crimes investigados estão, em tese, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

As investigações continuam, e eventuais responsabilidades individuais ainda dependem da apuração dos fatos e das conclusões das autoridades competentes.

Reorganização política

Além das consequências jurídicas da operação, o caso provoca efeitos imediatos no cenário político de Mato Grosso. Pivetta precisa definir a situação de Mauro Carvalho na Casa Civil ao mesmo tempo em que reorganiza sua chapa após a desistência de Fábio Garcia de disputar a vice-governadoria.

A expectativa é de que o governador anuncie as próximas decisões ainda nesta terça-feira, em mais um movimento de preparação para a disputa eleitoral de 2026.

Jornalista: Mika Sbardelott

📲 Clique aqui e receba notícias do VOZMT no seu celular

 

Continue Reading

POLÍTICA MT

POLICIAL

MATO GROSSO

MUNICÍPIOS

MAIS LIDAS DA SEMANA