Mato Grosso

Fé e lágrimas marcam beatificação de Padre Nazareno em Mato Grosso

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Em uma cerimônia marcada por forte emoção, fé e devoção, o padre italiano Nazareno Lanciotti, assassinado em 2001, foi proclamado beato na manhã deste sábado (13), em Jauru, a 409 km de Cuiabá. A celebração entrou para a história como a primeira beatificação de Mato Grosso e também a primeira do Brasil, reunindo milhares de fiéis em um momento considerado histórico para a comunidade católica.

A solenidade relembrou a trajetória de vida de Lanciotti, marcada por evangelização, luta social, defesa da justiça e profunda devoção ao Espírito Santo.

Milhares de pessoas vindas de diversas regiões do Brasil e do exterior participaram da celebração. Entre as autoridades presentes estavam o governador Otaviano Pivetta, o ex-governador Mauro Mendes e a primeira-dama Virginia Mendes, além do senador Wellington Fagundes. Também compareceram os deputados estaduais Júlio Campos e Beto Dois a Um, além da suplente de deputada federal Gisela Simona.

O momento mais aguardado da cerimônia foi a leitura oficial da proclamação de beatificação, feita pelo cardeal João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica no Vaticano, representando o papa Leão XIV.

“Nós, atendendo aos desejos do nosso irmão Jacy Diniz Rocha, bispo de São Luís de Cáceres, bem como de grande número de irmãos no Episcopado e de muitos fiéis cristãos, com a consulta do Dicastério para as causas dos santos, por nossa autoridade apostólica, concedemos que o venerável Servo de Deus, Nazareno Lanciotti, sacerdote diocesano, mártir, missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado do culto mariano, seja doravante chamado Beato e seja celebrado no dia 12 de janeiro de cada ano”, declarou o cardeal.

A cerimônia teve início às 9h, com procissão seguida da missa de beatificação. Fiéis vindos de países como Itália, Bolívia e Peru se uniram aos brasileiros para acompanhar o reconhecimento oficial do sacerdote como mártir da Igreja.

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Com a beatificação, Padre Nazareno avança agora para a próxima etapa no processo de santificação: a canonização.

História de fé, missão e martírio

Nascido na Itália, Padre Nazareno Lanciotti chegou a Mato Grosso na década de 1970. Inicialmente, atuou como pároco da Diocese de Cáceres, dedicando-se à evangelização por meio da Operação Mato Grosso. Posteriormente, foi enviado para Jauru, onde construiu um legado social e religioso que permanece vivo até hoje.

Na cidade, fundou o Asilo Coração Imaculado de Maria, instituição que atualmente acolhe cerca de 40 idosos da região. Também ajudou a estruturar uma gleba onde hoje vivem mais de 60 famílias sustentadas pela agropecuária.

Conhecido por sua personalidade forte e atuação firme, Nazareno ergueu 42 capelas na zona rural e outras duas na cidade. Tornou-se uma das maiores referências religiosas da América Latina por meio do Movimento Sacerdotal Mariano (MSM), organização de forte devoção mariana e ampla presença internacional.

Seu trabalho missionário foi interrompido de forma brutal em 2001.

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No dia 11 de fevereiro daquele ano, enquanto jantava com paroquianos em uma sala no terreno da igreja, dois homens invadiram o local durante um suposto assalto. Padre Nazareno foi baleado na cabeça.

Após o ataque, foi socorrido e levado inicialmente para Cuiabá. Em seguida, transferido para São Paulo, onde lutou pela vida por 11 dias, mas não resistiu aos ferimentos.

Sua morte causou profunda comoção entre fiéis e religiosos, consolidando sua imagem como símbolo de fé, coragem e martírio.

Mais de duas décadas após sua morte, a Igreja reconhece oficialmente aquilo que muitos devotos já acreditavam: Padre Nazareno Lanciotti viveu e morreu como um verdadeiro testemunho da fé cristã.

Jornalista: Mika Sbardelott

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Mato Grosso

Pivetta propõe que Pará ressarça Mato Grosso por atendimento a moradores da fronteira

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Durante audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira (10) no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, o governador em exercício de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), propôs a criação de um acordo de cooperação entre Mato Grosso e Pará para compensar financeiramente os gastos com serviços públicos prestados a moradores paraenses que vivem na região de fronteira entre os dois estados.

A sugestão foi apresentada ao ministro Flávio Dino durante as tratativas que buscam uma solução consensual para a histórica disputa territorial envolvendo uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados na divisa entre Mato Grosso e Pará.

Segundo Pivetta, milhares de moradores do lado paraense dependem de serviços oferecidos por municípios mato-grossenses e pelo próprio Governo de Mato Grosso, especialmente nas áreas de saúde, transporte e assistência social.

“Que a gente quantifique, precifique esses serviços e crie uma política de relacionamento estável, amiga, cordial e necessária para a vida dessas pessoas que moram nessa região toda”, afirmou durante a audiência.

O governador em exercício argumentou que a medida garantiria segurança jurídica aos gestores públicos que frequentemente utilizam recursos estaduais e municipais para atender moradores de outro estado.

“Diminuir também o sofrimento e a exposição dos gestores municipais desses municípios que sofrem inclusive improbidade por muitas vezes colocar uma máquina ou colocar uma ambulância ou atender qualquer que seja a irmã ou irmão brasileiro que precisem do socorro e precisam do serviço público”, declarou.

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Questionado pelo ministro Flávio Dino sobre a existência de acordos anteriores para compensação desses atendimentos, Pivetta afirmou que nunca houve uma política formal entre os dois estados.

“A minha proposta é essa, um pacto, um acordo de colaboração entre os estados que dê legalidade a esses prefeitos e ao Estado de Mato Grosso para atender esse público e precificar isso para, nesse acordo, nesse termo de colaboração, o Estado do Pará possa ressarcir Mato Grosso pelo que Mato Grosso vai fazer”, completou.

Prefeito relata dificuldades

Durante a audiência, o prefeito de Paranaíta, Osmar Mandacaru (União Brasil), relatou que o município assumiu ao longo dos anos custos significativos para atender moradores paraenses e que chegou a responder por improbidade administrativa em razão da utilização de recursos públicos municipais em benefício de cidadãos de outro estado.

O relato reforçou a defesa da criação de um mecanismo formal de compensação financeira. Atualmente, Paranaíta mantém uma ação judicial buscando o ressarcimento de aproximadamente R$ 29 milhões junto ao Estado do Pará pelos gastos realizados com serviços prestados à população da região fronteiriça.

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Diante das informações apresentadas, o ministro Flávio Dino determinou que as procuradorias dos dois estados reúnam nos autos todas as ações judiciais relacionadas a pedidos de ressarcimento para análise no âmbito da conciliação.

Impasse territorial continua

A audiência integra os esforços de autocomposição conduzidos pelo STF para tentar encerrar o conflito envolvendo a área disputada entre Mato Grosso e Pará.

Durante a sessão, a governadora em exercício do Pará, Hana Ghassan (MDB), reafirmou que o estado paraense não pretende abrir mão do território reivindicado.

Já Otaviano Pivetta voltou a defender que, caso não haja consenso entre os governos estaduais, a população que vive na região seja consultada por meio de um plebiscito para decidir a qual estado deseja pertencer.

O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, que busca uma solução negociada para encerrar uma disputa que se arrasta há décadas e afeta diretamente moradores dos dois estados.

Jornalista: Mika Sbardelott

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