O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), avalia a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques (Republicanos), como uma das principais opções para compor sua chapa nas eleições de 2026. A possibilidade, no entanto, enfrenta resistência dentro do Republicanos, partido ao qual Daniella se filiou recentemente.
Segundo aliados do parlamentar, Flávio teria manifestado a pessoas próximas que Daniella reúne características consideradas favoráveis para ocupar a vaga de vice-presidente. Integrantes do PL e do Republicanos também apontam que aumentaram, nas últimas semanas, as chances de uma aliança entre as duas siglas para a disputa presidencial.
Apesar da aproximação, a eventual indicação da ex-presidente da Caixa tem gerado desconforto entre dirigentes do Republicanos. Daniella oficializou sua filiação ao partido em abril, sem comunicar previamente a direção nacional da legenda, e ainda não se reuniu pessoalmente com o presidente nacional da sigla, deputado federal Marcos Pereira (SP).
Reservadamente, integrantes do Republicanos afirmam que a escolha de uma recém-filiada para ocupar um dos principais postos da chapa presidencial poderia causar insatisfação entre quadros históricos do partido, que defendem maior protagonismo de filiados mais antigos.
Aliança ainda depende de negociações
Na avaliação da cúpula do Republicanos, uma definição sobre eventual aliança com o PL deve ser adiada. Lideranças da legenda entendem que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro atravessa um momento de desgaste político, marcado por sucessivas controvérsias.
Entre os episódios recentes está a exposição da relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, além das declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que afirmou ter sido maltratada e humilhada por Flávio, além de sugerir que ele não desejava sua participação na campanha presidencial.
Na quarta-feira (1º), Flávio respondeu às declarações ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e afirmou que Michelle estaria “completamente desinformada” ao insinuar sua participação em festas promovidas por Vorcaro.
Busca por uma mulher na vice
A definição do candidato a vice tornou-se um dos principais desafios da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisas internas encomendadas pelo PL indicam que os nomes testados até o momento não agregam votos suficientes à chapa.
Diante desse cenário, dirigentes da legenda passaram a defender a escolha de uma mulher para tentar reduzir a rejeição do eleitorado feminino. A estratégia ganhou ainda mais força após Michelle Bolsonaro deixar a presidência do PL Mulher e ampliar as críticas ao senador.
Daniella Marques tem ocupado espaço crescente na pré-campanha. Em junho, ela pediu licença da gestora de investimentos onde trabalhava para se dedicar integralmente ao projeto eleitoral e passou a coordenar propostas voltadas ao público feminino.
Nesta semana, a ex-presidente da Caixa participou da abertura de um encontro de Flávio Bolsonaro com lideranças femininas e ficou ao lado do senador durante o evento. Ela coordena o programa “Brasil Por Elas”, conjunto de propostas voltadas às mulheres que deverá ser lançado no próximo dia 15.
Trajetória
Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Daniella Marques foi uma das principais auxiliares do então ministro da Economia, Paulo Guedes. Em julho de 2022, assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal após a saída de Pedro Guimarães, investigado por denúncias de assédio sexual e moral.
À frente da instituição, participou do lançamento da linha de crédito consignado para beneficiários do Bolsa Família, programa posteriormente suspenso no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante dos elevados índices de inadimplência.
Republicanos mantém cautela
Apesar das conversas, dirigentes do Republicanos afirmam que ainda não houve negociação formal com o PL sobre a indicação do vice. A legenda também avalia outros fatores para uma eventual aliança nacional.
Entre as demandas está o apoio do PL ao governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), que disputará a reeleição em 2026. O impasse ocorre porque o PL lançou o senador Wellington Fagundes como pré-candidato ao governo do Estado.
Nos bastidores, integrantes do Republicanos consideram que uma aliança com Flávio Bolsonaro seria eleitoralmente vantajosa em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entretanto, reconhecem dificuldades em algumas unidades do Nordeste, onde lideranças da legenda mantêm alinhamento político com o presidente Lula ou apoiam candidaturas de outros grupos políticos.