João Batista Garcia Canalle

Julho: Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento

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Julho entrou oficialmente no calendário educacional brasileiro como o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento. Instituída pela Lei nº 15.331, a data reconhece publicamente a contribuição dessas competições educacionais para o estímulo ao aprendizado, ao desenvolvimento da vocação científica e ao fortalecimento do pensamento crítico entre estudantes.

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) é realizada há 29 anos e a Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG) é realizada há 20 anos. A OBA ao longo desse período, acompanhou milhares de estudantes que participaram das atividades, descobriram novos interesses e seguiram carreira acadêmica até níveis de doutorado e pós-doutorado.

O principal objetivo das olimpíadas não é aproximá-los de áreas específicas do conhecimento. Uma olimpíada abre portas para o aluno descobrir aquilo que mais gosta de estudar e fazer.

No caso da OBA, o trabalho acontece em duas áreas complementares. A astronomia é apresentada como uma das ciências mais antigas, surgida da observação humana do céu e da relação entre fenômenos celestes e mudanças percebidas na Terra. Já a astronáutica é mais recente, associada ao desenvolvimento da exploração espacial e dos recursos necessários para levar instrumentos e observações além da atmosfera. Ambas evoluem em conjunto.

O mês nacional representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos organizadores das olimpíadas e pelas sociedades científicas envolvidas. Quando escolas, professores e estudantes aderem às olimpíadas, aprofundam conteúdos e ampliam o contato com determinadas áreas do conhecimento. A participação representa um diferencial, especialmente quando acompanhada por certificados e reconhecimento institucional.

As medalhas aparecem como elemento de incentivo para estudantes, professores e escolas. O desempenho dos alunos em olimpíadas costuma ser motivo de orgulho para toda a comunidade escolar e para as famílias, especialmente porque as avaliações são elaboradas por especialistas externos e seguem critérios diferentes das avaliações tradicionais realizadas em sala de aula.

Além das provas escritas, há diferentes formatos de participação. Na OBAFOG, por exemplo, o participante desenvolve uma atividade prática, construindo foguetes com materiais acessíveis e colocando o projeto em funcionamento.

A partir do desempenho dos estudantes, diversas universidades brasileiras passaram a oferecer vagas olímpicas como critério de ingresso para determinados cursos. O modelo considera aspectos como quantidade de medalhas conquistadas, áreas de participação e regras específicas estabelecidas por cada universidade.

As olimpíadas científicas estimulam o interesse dos jovens pelo conhecimento e fortalece a relação com a escola. Nesse contexto, iniciativas como a OBA e a OBAFOG se apresentam como espaços para explorar interesses, desenvolver habilidades e ampliar o contato com diferentes áreas científicas. Logo, valorizar as Olimpíadas do Conhecimento significa incentivar a curiosidade e ampliar oportunidades de aprendizado.

(*) Prof. Dr. João Batista Garcia Canalle é astrônomo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG).

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Pets na escola: estratégia pode contribuir para autorregulação e aprendizagem

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Autorregulação é a capacidade de regular emoções, atenção e comportamento. Esse tema tem ganhado mais espaço nas discussões sobre estratégias educacionais. Com isso, a educação assistida por animais (EAA) surge como uma possibilidade de apoio ao desenvolvimento acadêmico e socioemocional de crianças e adolescentes.

A presença de um animal em ambiente escolar pode oferecer companhia, afeto e estímulos que tornam o processo de aprendizagem mais prazeroso e motivador. Quando selecionados e treinados adequadamente, eles contribuem para a criação de um ambiente seguro, favorecendo a redução da ansiedade, aumento da empolgação e melhor adaptação diante de desafios acadêmicos e comportamentais.

Os pets devem ser selecionados e preparados para o ambiente educacional. O uso deles em sala de aula requer seleção baseada em temperamento, saúde e treinamento para garantir segurança e diminuir risco de doenças.

Esse tipo de recurso pode auxiliar no ensino ao proporcionar experiências lúdicas que estimulam interação e comunicação verbal. A convivência com o animal tende a facilitar a realização de tarefas, incentivar a linguagem e a expressão de significados.

Conforme estudos da Psicologia e Educação, práticas de Intervenção Assistida por Animais (IAA) estão associadas a benefícios psicológicos que incluem diminuição do estresse, sensação de afeto e maior bem-estar; melhora na atenção, diminuição de comportamentos disruptivos e aumento da motivação dos alunos. O educador pode usar a presença do pet como meio positivo para reforçar aprendizagens, propor tarefas que envolvam cuidado e observação, além de valorizar o prazeroso vínculo entre criança e animal.

As atividades que promovem ludicidade costumam ser eficazes, como, por exemplo, leitura para pets, cuidados rotineiros, observação científica e jogos de linguagem. Essas ações estimulam comunicação verbal, linguagem, estabelecimento de significados e permitem que os alunos interajam de forma positiva, tornando o aprendizado mais concreto e significativo.

As escolas devem consultar regulamentações locais, institutos especializados, exigir vacinação, exames de saúde e registros para prevenir doenças. Também devem obter consentimento de pais e responsáveis, avaliar alergias e ainda definir protocolos de higiene e manejo para tornar o uso dos animais seguro no ambiente educacional.

Quando integrada de forma planejada e segura, a presença de animais no ambiente escolar pode atuar diretamente na autorregulação, atenção, comportamento e aprendizagem, ampliando possibilidades de desenvolvimento emocional, social e acadêmico dos estudantes.

 Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

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