Mato Grosso

TJMT declara inconstitucional lei que proibia conteúdos sobre gênero e orientação sexual nas escolas

Decisão unânime do Órgão Especial restabelece autonomia pedagógica da rede pública estadual; ação foi apresentada pelo PT-MT

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O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade da lei estadual que proibia o ensino e a veiculação de conteúdos relacionados à chamada “ideologia de gênero”, identidade de gênero e orientação sexual nas escolas da rede pública estadual.

O julgamento ocorreu em sessão virtual e acompanhou integralmente o voto do relator, presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira. A decisão foi tomada no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pelo Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT-MT).

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) também se manifestou pela inconstitucionalidade da legislação.

Com a decisão do colegiado, a lei deixa de produzir efeitos, restabelecendo a autonomia pedagógica das unidades da rede estadual de ensino.

Lei foi questionada por competência legislativa

Na ação, o PT-MT argumentou que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso teria invadido competência legislativa privativa da União ao estabelecer regras sobre conteúdos e diretrizes da educação.

A sigla citou o artigo 22 da Constituição Federal, que atribui à União competência privativa para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional.

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Outro ponto levantado no processo foi a falta de precisão de expressões como “ideologia de gênero”. Para o partido, a utilização de conceitos considerados imprecisos poderia provocar insegurança jurídica e resultar em restrições à atuação de professores dentro das salas de aula.

A representação também sustentou que a legislação poderia produzir um chamado “efeito silenciador” entre profissionais da educação, afetando a liberdade de cátedra e o pluralismo de ideias. O PT-MT alegou ainda que a proibição poderia dificultar ações de prevenção ao bullying e à discriminação no ambiente escolar.

Ministério Público citou entendimento do STF

O Ministério Público estadual acompanhou os argumentos apresentados na ação e apontou possível conflito da legislação mato-grossense com entendimentos já adotados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Corte Suprema possui decisões anteriores que derrubaram leis estaduais e municipais com restrições semelhantes relacionadas ao debate sobre gênero e orientação sexual nas instituições de ensino.

O entendimento utilizado no processo considera, entre outros aspectos, princípios constitucionais relacionados à liberdade de expressão, pluralismo de ideias, igualdade e direito à educação.

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Lei havia sido sancionada em abril

A legislação havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso e sancionada em abril deste ano.

Entre as justificativas apresentadas para a criação da norma estava o objetivo de impedir a circulação de conteúdos que pudessem, segundo o texto legal, “induzir ou incentivar a exposição ou manipulação genital, bem como a experimentação sexual individual ou não, de qualquer tipo, especialmente a relacionada aos transtornos parafílicos”.

A restrição alcançava materiais utilizados no ambiente escolar, incluindo conteúdos artísticos. Dessa forma, filmes, músicas, pinturas e outras formas de manifestação cultural também poderiam ser abrangidos pela proibição prevista na legislação.

Com o julgamento do Órgão Especial, a norma foi considerada incompatível com a Constituição e deixa de valer no âmbito da rede pública estadual de Mato Grosso.

Jornalista: Luan Schiavon

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Mato Grosso

Bancários de Mato Grosso paralisam atividades por 24 horas nesta quinta-feira

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Bancários de Mato Grosso vão paralisar as atividades por 24 horas nesta quinta-feira (20), em uma mobilização nacional da categoria. Em Cuiabá, os trabalhadores devem se concentrar na região da Rua Barão de Melgaço para conversar com bancários e clientes sobre as reivindicações.

A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas pelos trabalhadores após a categoria rejeitar uma proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Segundo o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e do Ramo Financeiro do Estado de Mato Grosso (SEEB-MT), 90% dos trabalhadores votaram a favor da mobilização.

Apesar da paralisação, o sindicato afirma que não há, neste momento, uma greve por tempo indeterminado.

Reajuste e valorização dos benefícios

Entre as principais reivindicações dos bancários está a concessão de reajuste salarial com aumento real. A categoria também cobra valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), dos vales-refeição e alimentação e do piso salarial.

Os trabalhadores ainda defendem a manutenção dos direitos previstos no acordo coletivo e melhores condições de trabalho.

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Na última rodada de negociação, realizada na terça-feira (18), em São Paulo, a Fenaban retirou algumas propostas que haviam gerado resistência entre os trabalhadores.

Entre elas estavam reajustes diferentes de acordo com as faixas salariais, valores distintos para os benefícios de alimentação conforme a cidade e o congelamento do piso de ingresso de novos bancários.

Apesar do recuo, segundo o sindicato, os bancos não apresentaram uma nova proposta de índice de reajuste.

Paralisação não significa início de greve

Conforme o SEEB-MT, a mobilização desta quinta-feira foi definida pelos próprios trabalhadores durante assembleia e tem duração prevista de apenas um dia.

O objetivo é pressionar os bancos para que apresentem uma nova proposta que contemple reajuste salarial e não retire direitos já conquistados pela categoria.

As negociações devem continuar nos próximos dias. Uma nova rodada está prevista para sexta-feira (21).

Caso não haja avanço nas tratativas, uma nova assembleia poderá ser convocada para decidir os próximos passos, que podem incluir uma nova paralisação ou até mesmo uma eventual greve.

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O Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban também têm uma nova rodada de negociações prevista para segunda-feira (24).

 

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