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Após dois acidentes e morte, motorista de BMW se apresenta e é liberado pela polícia

Hercílio Junior Freitas Cordeiro, de 22 anos, compareceu à Deletran acompanhado de um advogado; ele era procurado desde o fim de semana

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Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, apontado como responsável por dois acidentes de trânsito registrados na madrugada do último domingo (30), em Cuiabá, se apresentou nesta quinta-feira (3) à Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran).

O segundo acidente resultou na morte de Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, que morreu ainda no local após a colisão. Hercílio era procurado pela Polícia Civil desde a madrugada dos fatos.

O jovem esteve na delegacia acompanhado do advogado Willy Jacyntho Taborelli. Segundo nota divulgada pela defesa, Hercílio não chegou a prestar depoimento por “motivos alheios à sua vontade”. O advogado informou ainda que já foi solicitada uma nova data para o interrogatório e que o suspeito permanece à disposição das autoridades.

A defesa afirmou que não irá comentar o conteúdo da investigação neste momento, em respeito ao andamento do caso e aos familiares da vítima.

Dois acidentes em sequência

De acordo com as informações levantadas pela investigação, Hercílio conduzia uma BMW azul pela avenida Isaac Póvoas quando teria atingido uma motocicleta no cruzamento com a avenida Presidente Marques, nas proximidades de uma unidade da Drogasil. O motociclista ficou ferido.

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Após a primeira colisão, o motorista teria continuado pela Isaac Póvoas, seguindo em direção à avenida Generoso Ponce.

Pouco depois, no cruzamento com a rua Joaquim Murtinho, a BMW teria colidido com outra motocicleta, conduzida por Paulo Messias.

A violência do impacto provocou a morte do motociclista, que não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

Após a colisão, conforme o relato das investigações, Hercílio teria abandonado o veículo em frente ao Hospital Municipal Santa Casa e fugido a pé.

Equipes da Polícia Militar fizeram buscas na região, mas o suspeito não foi localizado naquela ocasião.

Suspeito teria saído de boate após confusão

Durante as diligências, os policiais também localizaram a esposa de Hercílio, que estava na boate Nuun Garden.

Conforme informações repassadas à polícia, o casal teria consumido bebidas alcoólicas no estabelecimento. Ainda segundo o relato, Hercílio teria ficado alterado, quebrado um copo e sido retirado do local por seguranças.

Na sequência, ele teria deixado a boate conduzindo a BMW que posteriormente se envolveu nas duas colisões.

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As circunstâncias relacionadas ao consumo de álcool e à condução do veículo ainda deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação.

Sem CNH

Outro ponto levantado durante as diligências é que Hercílio não possuiria Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A BMW envolvida nos acidentes foi removida por um guincho e encaminhada ao pátio da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), devido a pendências na documentação.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Inicialmente, a ocorrência foi registrada como acidente de trânsito com danos materiais, omissão de socorro, lesão corporal e morte.

Com a apresentação do suspeito, a Polícia Civil deverá dar continuidade à apuração para esclarecer a dinâmica das duas colisões e verificar eventual responsabilidade criminal de Hercílio pela morte de Paulo Messias.

Jornalista: Mika Sbardelott

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Policial

STJ rejeita recurso de Carlinhos Bezerra e mantém condenação de 36 anos por mortes em Cuiabá

Defesa alegava que repercussão do caso e comoção social teriam comprometido a imparcialidade dos jurados; Sexta Turma entendeu que não houve provas concretas de parcialidade

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A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o recurso apresentado pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, e manteve o entendimento de que não houve comprometimento da imparcialidade dos jurados que participaram do Tribunal do Júri em Cuiabá.

A decisão, tomada por unanimidade, foi publicada nesta sexta-feira (4). O julgamento ocorreu após a defesa questionar a realização do júri na Capital e alegar que a ampla repercussão do caso teria criado um ambiente de pré-julgamento contra o acusado.

Carlinhos foi condenado a 36 anos de prisão pela morte da ex-companheira, Thays Machado, e de Willian César Moreno, crimes ocorridos em janeiro de 2023, em Cuiabá.

Defesa alegou pressão sobre jurados

No recurso apresentado ao STJ, os advogados sustentaram que a intensa cobertura da imprensa e manifestações nas redes sociais teriam ultrapassado os limites da divulgação jornalística e criado um ambiente de hostilidade contra o acusado.

A defesa também citou manifestações públicas de integrantes do Poder Judiciário e a criação de um núcleo de enfrentamento à violência doméstica com o nome de Thays Machado. Para os advogados, esses fatores poderiam comprometer a isenção do Conselho de Sentença.

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Com base nesses argumentos, a defesa buscava o reconhecimento de que o julgamento realizado em Cuiabá teria sido prejudicado pela repercussão do caso.

Ministro rejeitou argumento

Relator do processo, o ministro Og Fernandes rejeitou a tese defensiva.

Segundo o magistrado, a existência de comoção social e repercussão midiática em crimes de grande gravidade não é suficiente, por si só, para demonstrar que os jurados perderam a capacidade de julgar o caso de maneira imparcial.

Para o ministro, seria necessário apresentar elementos concretos e atuais capazes de demonstrar efetivo comprometimento da isenção do Conselho de Sentença.

Og Fernandes também destacou que a análise pretendida pela defesa exigiria uma reavaliação do conjunto de provas, o que não seria possível no instrumento utilizado no recurso.

Condenação permanece

O Tribunal do Júri de Cuiabá reconheceu as qualificadoras apresentadas no processo e condenou Carlinhos Bezerra a 36 anos de prisão.

No caso de Willian César Moreno, foram reconhecidos pelos jurados o motivo torpe, o emprego de meio cruel e o recurso que dificultou a defesa da vítima.

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Já em relação a Thays Machado, o Conselho de Sentença reconheceu, além do motivo torpe, do emprego de meio cruel e do recurso que dificultou a defesa, a qualificadora de feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.

Com a decisão da Sexta Turma do STJ, permanece válida a conclusão de que não houve demonstração concreta de parcialidade dos jurados.

Carlinhos Bezerra continua preso para cumprimento da pena.

Relembre o caso

Thays Machado e Willian César Moreno foram mortos a tiros em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.

Segundo a acusação, Carlinhos não aceitava o fim do relacionamento com Thays e teria monitorado a rotina da ex-companheira antes do crime.

O caso teve grande repercussão em Mato Grosso e passou por diversas etapas judiciais antes da realização do Tribunal do Júri, que terminou com a condenação do empresário.

Jornalista: Mika Sbardelott

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