A advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, uma das sócias do Tatu Bola Bar, em Cuiabá, foi colocada em liberdade pela Justiça Federal após ter a prisão preventiva cumprida pela Polícia Federal durante a Operação Bóreas. Segundo a defesa, ela deixou a unidade prisional sem a imposição de medidas cautelares, sem tornozeleira eletrônica e sem necessidade de pagamento de fiança.
O advogado Fernando Farias, responsável pela defesa da empresária, afirmou que a decisão judicial reconheceu que a prisão preventiva não era necessária.
“Foi solta. Sem restrições. Não teve nenhuma fiança. O juiz reconheceu que a prisão realmente era desnecessária”, afirmou o advogado.
Farias também considerou a prisão desproporcional diante das circunstâncias envolvendo sua cliente.
“O ponto foi o que eu sempre declarei: prisão totalmente desnecessária. Absurda. 12 anos de MP e 7 como advogado criminal, nunca vi nada igual”, declarou.
Apesar da liberdade, Thatiana ainda deverá prestar depoimento à Polícia Federal no decorrer das investigações.
Prisão durante operação
Thatiana foi presa na terça-feira (25), em Cuiabá, durante a Operação Bóreas, deflagrada para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar na logística de transporte aéreo internacional de drogas e armas de fogo.
Durante a audiência de custódia, a empresária afirmou desconhecer os motivos que teriam levado à decretação de sua prisão preventiva. Ela também declarou que nunca havia sido presa nem convocada anteriormente para prestar esclarecimentos em qualquer investigação.
Thatiana afirmou acreditar que a prisão poderia ter alguma relação com o irmão, que está preso no Tocantins após ter sido detido com drogas em uma aeronave.
“Eu não sei do que se trata. Tenho um irmão que está preso fora. Imagino que tivesse algo ligado a ele por conta de um mandado lá de Tocantins”, disse durante a audiência.
A empresária também ressaltou que mora em Cuiabá há aproximadamente 20 anos, possui comércio na cidade, endereço fixo e mantém suas redes sociais abertas ao público.
“Eu não faço ideia do fundamento. Com todo respeito ao Poder Judiciário, foi decretada uma preventiva. Eu nunca pisei numa delegacia, eu nunca tive um nome no Serasa, para hoje estar aqui na Polícia Federal”, afirmou.
Em outro momento da audiência, Thatiana disse estar enfrentando uma situação completamente diferente de sua rotina.
“Eu tô me sentindo num mundo totalmente fora da minha realidade. Eu tenho horário para chegar no trabalho, eu tenho um comércio que é público, minhas redes sociais são abertas, eu tenho residência fixa, eu declaro um imposto de renda”, declarou.
Dinheiro e joias apreendidos
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência da empresária, em Cuiabá, a Polícia Federal apreendeu R$ 84,8 mil em dinheiro, além de um Volkswagen T-Cross, um aparelho celular e joias.
Conforme o registro da operação, R$ 9,8 mil estavam sobre uma mesa de cabeceira. Aos policiais, Thatiana teria informado que o dinheiro seria um presente de noivado.
A defesa nega qualquer envolvimento da empresária com lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
A Operação Bóreas investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento na logística de transporte internacional de drogas e armas de fogo. Além de Thatiana, outros dois alvos tiveram a prisão preventiva cumprida durante a ação.
Com a decisão da Justiça Federal, a advogada e empresária responderá à investigação em liberdade e, segundo a defesa, sem qualquer medida cautelar.
Jornalista: Mika Sbardelott
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