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Laudo aponta esganadura e estado grave de subnutrição em menina de 2 anos

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Um laudo de necropsia elaborado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmou que a menina de dois anos, que tinha paralisia cerebral, morreu após ser esganada. O exame apontou que a causa direta da morte foi uma asfixia mecânica aguda provocada por constrição externa do pescoço.

A criança morreu na manhã de domingo (20), em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sinop, a 500 quilômetros de Cuiabá. Os pais foram presos em flagrante após a equipe médica comunicar o caso à Polícia Civil.

Além das marcas compatíveis com esganadura, os peritos identificaram que a menina estava submetida a um quadro crônico de subnutrição e desidratação.

O documento também registra a postura dos pais durante os atendimentos e procedimentos realizados após a morte da criança. Segundo os peritos, o comportamento apresentado pelos genitores chamou a atenção dos profissionais que tiveram contato com o caso.

No laudo, os peritos relatam que a atitude dos pais diante da situação da filha, inclusive após a morte, causou estranheza entre os profissionais envolvidos na ocorrência.

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Criança chegou à UPA em parada cardiorrespiratória

A Polícia Civil foi acionada depois que a equipe médica da UPA André Maggi informou a entrada de uma criança em parada cardiorrespiratória. Ela foi levada à unidade pelo próprio pai.

De acordo com os profissionais de saúde, a menina já apresentava sinais clínicos de morte havia pelo menos uma hora. Também foram observados sinais de desnutrição e condições inadequadas de higiene.

Aos policiais, os pais relataram que a criança havia sido vista com vida durante a madrugada. Entre 5h e 6h, segundo a versão apresentada, eles perceberam que ela não respondia.

O atendimento médico, entretanto, só foi procurado posteriormente. A criança chegou à UPA por volta das 7h.

Conselho Tutelar já havia sido acionado

Durante a apuração, também foi identificado que a menina havia passado por uma internação recente. Na ocasião, profissionais de saúde já teriam constatado sinais de desnutrição e acionado o Conselho Tutelar.

Após a comunicação da morte, equipes da Polícia Civil foram até a unidade de saúde e acionaram o Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos necessários.

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Inicialmente, antes da confirmação da causa da morte pelo exame de necropsia, o caso era investigado como possível ocorrência de maus-tratos e omissão de socorro.

Com os novos elementos apresentados pela perícia, os pais passaram a responder por crimes relacionados à morte da criança.

O pai foi autuado em flagrante por homicídio qualificado e maus-tratos. A mãe, de 17 anos, foi autuada pela prática de ato infracional análogo aos crimes de homicídio qualificado e maus-tratos.

A investigação da Polícia Civil deverá esclarecer as circunstâncias da morte e a participação de cada um dos envolvidos.

O laudo pericial será utilizado como elemento na investigação conduzida pelas autoridades.

Jornalista: Mika Sbardelott

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Fuga, cirurgias e prisão: como ‘Angeliquinha’ tentou escapar da polícia na Bolívia

Liderança do Comando Vermelho, segundo a Polícia Civil, teria continuado a comandar atividades criminosas mesmo após fuga de presídio em Cuiabá; suspeita foi presa em Santa Cruz de la Sierra após realizar procedimentos estéticos no rosto

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Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, de 34 anos, apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no norte de Mato Grosso, continuava, mesmo foragida na Bolívia, a exercer influência sobre as atividades da organização criminosa na região de Alta Floresta, a 789 quilômetros de Cuiabá.

Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Angeliquinha seria responsável pela determinação de cerca de 80% dos homicídios praticados por integrantes de facções criminosas em Alta Floresta e municípios próximos.

A mulher foi presa na noite de terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após permanecer foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

De acordo com o delegado, a atuação de Angeliquinha não teria sido interrompida mesmo durante o período em que esteve presa e, posteriormente, depois de fugir para o país vizinho.

“Desde que ela começa a se destacar nas atividades criminosas, ela passa a ser a líder da organização criminosa ali naquela região. Então, a partir disso, ela não sai mais da liderança, mesmo quando é presa e mesmo agora que estava na Bolívia”, afirmou Victor Hugo.

Ainda segundo o investigador, a liderança atribuída a Angeliquinha abrangia diferentes áreas de atuação da organização, entre elas tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e homicídios.

“Ela é a mandante de, vamos colocar, 80% dos homicídios praticados por facção criminosa na cidade de Alta Floresta e circunvizinhas”, declarou o delegado.

Investigação sobre atuação na Bolívia

Para a Polícia Civil, a permanência de Angeliquinha em Santa Cruz de la Sierra pode estar relacionada à posição estratégica da cidade para o tráfico internacional de drogas.

Victor Hugo afirmou que a investigação ainda vai apurar qual era exatamente a função desempenhada pela suspeita em território boliviano. Entre os pontos que deverão ser analisados estão possíveis articulações relacionadas à entrada e saída de drogas e negociações entre integrantes de organizações criminosas.

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Dados telemáticos e outros elementos reunidos durante a investigação deverão ser analisados para esclarecer a atuação dela no país.

Mais de cinco procedimentos estéticos no rosto

Além da tentativa de permanecer escondida, Angeliquinha teria recorrido a procedimentos estéticos para modificar a própria aparência.

Segundo o delegado, ela realizou mais de cinco procedimentos no rosto enquanto estava em Santa Cruz de la Sierra. A suspeita também teria apresentado documentação falsa no momento da prisão.

Apesar das mudanças físicas, a identificação visual já havia sido realizada pelas equipes policiais.

“Santa Cruz de La Sierra é uma referência em procedimentos estéticos de baixo custo. Ela tinha várias cirurgias estéticas e agora começou a mudar o rosto, com essa intenção de ludibriar eventuais ações em desfavor dela”, explicou Victor Hugo.

O delegado afirmou ainda que a utilização de procedimentos estéticos para alteração de características físicas tem sido observada em outros casos envolvendo foragidos da Justiça.

Fuga da penitenciária

Angeliquinha deixou a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May na madrugada de 17 de agosto de 2025. Na ocasião, segundo as informações policiais, ela fugiu acompanhada de Jessica Leal da Silva, de 36 anos, conhecida como “Arlequina”.

Desde então, passou a ser procurada pelas forças de segurança.

A prisão em Santa Cruz de la Sierra contou com a participação de equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e Polinter, além do apoio das forças de segurança bolivianas.

Angeliquinha estava incluída no Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), voltado à localização e prisão de pessoas consideradas prioritárias pelas autoridades de segurança.

Família investigada por tráfico e lavagem de dinheiro

Angélica também é citada nas investigações da Operação Showdown, que apura uma estrutura de tráfico de drogas em Alta Floresta.

De acordo com a Polícia Civil, integrantes da família de Angeliquinha estariam ligados à organização criminosa e a um esquema que teria movimentado mais de R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses.

As investigações apontaram o uso de empresas dos setores de calçados, beleza e roupas multimarcas, além de plataformas digitais de jogos de azar, como mecanismos que, segundo a polícia, teriam sido utilizados para dar aparência lícita a recursos provenientes das atividades criminosas.

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Outro braço investigado envolve a exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta.

Segundo a investigação, o pai de Angeliquinha, Paulo Felizardo de Sá, seria responsável pelo gerenciamento de um garimpo e de um bar com prostituição nas proximidades de Nova Bandeirantes. O local é apontado pela polícia como possível ponto de apoio para extorsões contra garimpeiros e tráfico de drogas.

A investigação também apura se o ouro extraído irregularmente teria sido utilizado para ocultar e reinserir recursos ilícitos no mercado formal.

Filha se manifesta nas redes sociais

Após a prisão da mãe, Kauany Beatriz de Sá, de 21 anos, publicou uma mensagem nas redes sociais pedindo proteção para Angeliquinha.

“Deus cuide de você, minha rainha. Que nem um mal aconteça em nome de Jesus. Não faça nem um mal contra a vida dela. Não é certo, mas é minha mãe”, escreveu.

Kauany também foi alvo da Operação Showdown. Em março de 2026, a prisão preventiva dela foi convertida em prisão domiciliar.

Na operação, também foram presos Paulo Felizardo de Sá, pai de Angeliquinha, e Guilherme Laureth, apontado como genro dela.

Transferência para o Brasil

Apesar da prisão em Santa Cruz de la Sierra, Angeliquinha ainda não havia sido deportada ou expulsa da Bolívia, conforme informou o delegado Victor Hugo.

As autoridades brasileiras, entretanto, já iniciaram os procedimentos necessários junto às autoridades bolivianas para viabilizar o retorno da suspeita ao sistema penitenciário brasileiro.

A Polícia Civil afirma que a investigação continuará para esclarecer, entre outros pontos, como Angeliquinha manteve contato com integrantes da organização criminosa durante o período em que esteve foragida e qual era sua efetiva função em Santa Cruz de la Sierra.

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