A disputa entre Janaína Riva (MDB) e José Medeiros (PL), candidatos ao Senado pela mesma coligação em Mato Grosso, ganhou novos contornos neste fim de semana. O embate, que começou nos tribunais por causa da divisão do horário eleitoral, passou a ocupar também o discurso dos dois candidatos durante a campanha.
O novo capítulo ocorreu depois do debate da TV Vila Real, realizado em 17 de setembro, quando Medeiros citou Janaína em críticas relacionadas à decisão judicial que determinou a divisão igualitária do tempo de propaganda entre os dois candidatos. Em pelo menos duas ocasiões, o candidato chamou a adversária de “candidata de Alexandre de Moraes”, associando a emedebista ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A declaração provocou reação de Janaína, que voltou a defender o direito de ter o mesmo espaço de propaganda eleitoral que o companheiro de chapa.
Disputa começou pelo horário eleitoral
A crise entre os dois candidatos começou ainda em agosto, quando Janaína questionou na Justiça Eleitoral a forma como a coligação Coração da Gente, formada por MDB, PL, Novo, Solidariedade e PRD, havia distribuído o tempo de rádio e televisão destinado às candidaturas ao Senado.
Inicialmente, a divisão favorecia Medeiros, que ficava com aproximadamente 60% do espaço, enquanto Janaína tinha cerca de 40%. O caso avançou judicialmente e chegou ao STF.
Em decisão do ministro Alexandre de Moraes, o espaço passou a ser dividido igualmente entre as duas candidaturas, com 50% para Medeiros e 50% para Janaína.
A determinação, porém, não encerrou a disputa.
Janaína terá tempo compensado
Além da divisão igualitária daqui para frente, a Justiça Eleitoral determinou que Janaína seja compensada pelo período em que recebeu menos tempo de propaganda no início da campanha.
Em decisão de setembro, a juíza auxiliar da propaganda do TRE-MT, Glenda Moreira Borges, determinou que o PL e a coligação Coração da Gente repusessem o tempo perdido pela candidata nos ciclos seguintes de propaganda.
Medeiros recorreu e tentou suspender a compensação. O pedido, entretanto, foi rejeitado pela magistrada em 18 de setembro.
Segundo a decisão, não havia elementos suficientes para suspender a determinação e o adiamento poderia dificultar a recuperação do tempo pela candidata, considerando a proximidade do fim da propaganda eleitoral gratuita do primeiro turno, marcado para 1º de outubro.
A questão ainda poderá ser analisada pelo Plenário do TRE-MT.
Janaína reage aos ataques
Após a nova decisão judicial e as críticas feitas por Medeiros, Janaína publicou vídeos nas redes sociais para defender sua posição.
A candidata afirmou que não pediu vantagem sobre o adversário, mas apenas igualdade na distribuição do espaço eleitoral.
“Eu nunca me calo diante de uma injustiça, principalmente quando é praticada contra uma mulher. Faço parte de uma coligação e tenho o mesmo direito que os outros candidatos.”
Janaína também afirmou que recorreu à Justiça sem atacar o adversário e que a decisão reconheceu, segundo ela, seu direito de ter o mesmo tempo de propaganda.
“Não pedi para ter mais tempo do que ele, apenas exigi igualdade. E a Justiça reconheceu meu direito como candidata”, declarou.
“Por que ele tem tanto medo da igualdade?”
Na sequência, a candidata elevou o tom contra Medeiros e questionou a resistência do adversário à divisão igualitária.
“Ao invés de respeitar a decisão da Justiça, o outro candidato segue me atacando. Mas a pergunta mais importante de todas, na verdade, é por que o candidato não quer aceitar igualdade na chapa? Por que será que ele tem tanto medo de uma mulher ter o mesmo tempo de propaganda eleitoral que ele?”, afirmou.
Janaína encerrou a declaração dizendo que considera a decisão judicial uma vitória de sua campanha.
“A verdade é que vencemos uma batalha”, acrescentou.
Medeiros leva disputa para o debate
A guerra pelo horário eleitoral também apareceu no debate da TV Vila Real.
Logo na primeira pergunta dirigida ao candidato Antônio Galvan (Avante), Medeiros voltou a mencionar Janaína ao criticar a decisão que estabeleceu a divisão igualitária do tempo.
O candidato retomou o assunto novamente nos blocos finais do programa, mesmo sem a presença da emedebista no estúdio.
A ausência de Janaína e também do governador Mauro Mendes, candidato ao Senado, acabou sendo explorada pelos participantes do debate. Medeiros utilizou o momento para fazer novas críticas e pediu ao eleitor que não votasse em candidatos que, segundo sua declaração, teriam “rabo preso” com ministros.
Mesmo palanque, campanhas em lados opostos
Apesar de integrarem a mesma coligação e disputarem uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado, Janaína e Medeiros passaram a protagonizar uma disputa pública que ultrapassou a questão administrativa do horário eleitoral.
O episódio também expôs divergências políticas dentro do próprio grupo que apoia a candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso.
Enquanto a Justiça determinou a divisão de 50% para cada candidatura e a compensação do tempo que Janaína deixou de receber, os ataques entre os dois candidatos continuam durante a campanha.
A propaganda eleitoral gratuita do primeiro turno no rádio e na televisão termina em 1º de outubro, e a decisão sobre a compensação permanece válida enquanto aguarda eventual análise pelo Plenário do TRE-MT.
Jornalista: Mika Sbardelott
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