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Réu confesso diz que matou Zampieri por indignação com suposta corrupção: “Mandei para o inferno”

Antônio Gomes da Silva afirmou no Tribunal do Júri que decidiu matar o advogado após receber informações sobre supostas irregularidades no Judiciário

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O pedreiro Antônio Gomes da Silva, réu confesso pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, afirmou nesta quarta-feira (30), durante interrogatório no Tribunal do Júri de Cuiabá, que decidiu cometer o crime movido pela indignação com aquilo que acreditava ser corrupção no Judiciário.

Em uma das declarações mais fortes do depoimento, Antônio assumiu os disparos e afirmou que considerava Zampieri um homem envolvido em corrupção.

“Um corrupto eu mandei para o inferno”, declarou.

O réu acrescentou que, na visão dele, o assassinato poderia ter sido evitado caso Zampieri não estivesse envolvido no que classificou como práticas ilícitas.

“Cometi esse pecado, esse crime. É verdade. Se esse homem não tivesse entrado na corrupção, ele estava vivo e eu estava solto.”

As afirmações fazem parte da versão apresentada pela defesa de Antônio durante o julgamento. Não significa, porém, que as acusações de corrupção feitas pelo réu contra Zampieri tenham sido reconhecidas como verdadeiras pelo Tribunal.

“A corrupção está tomando conta do nosso país”

Durante o interrogatório, Antônio afirmou que acompanha política desde criança e que, a partir de 2023, passou a prestar atenção em notícias envolvendo o Judiciário e casos de corrupção.

Em determinado momento do depoimento, ele se emocionou ao falar da família e afirmou que passou a acreditar que a corrupção estaria se espalhando pelo país.

Segundo o réu, uma reportagem sobre famílias que teriam perdido propriedades rurais em Mato Grosso teria sido um dos elementos que despertaram sua indignação.

Antônio afirmou que não sabia se as pessoas envolvidas ocupavam as áreas de maneira irregular, mas questionou a forma como a situação teria sido conduzida.

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“Não sei se eram invasores de terra, mas nossa pátria é grande e rica. Tinha condições de colocar eles em outro lugar para morar, mas jogaram os gados na estrada”, relatou.

Suposta informação sobre Zampieri

Na versão apresentada no plenário, Antônio disse que posteriormente recebeu uma fotografia e informações sobre Roberto Zampieri.

Segundo ele, teria ouvido que havia “um cara lá em Cuiabá” que estaria prejudicando pessoas dentro do Judiciário em disputas relacionadas a desapropriações de terras.

“Temos um cara lá em Cuiabá, Mato Grosso, sabemos que você não gosta de corrupto. (…) Esse cara está lesando muita gente no Judiciário.”

Antônio não revelou, durante o relato, quem teria fornecido as informações.

A defesa sustenta que o réu não teria vindo a Mato Grosso como um executor contratado, mas motivado por uma espécie de convicção pessoal de que estaria fazendo “justiça”. Essa é a linha argumentativa apresentada pelos advogados de Antônio no julgamento.

Réu relata conversa com policiais

Antônio também afirmou ter conversado com policiais depois do assassinato.

Segundo o réu, teria sido informado de que havia matado uma pessoa importante em Cuiabá. Ele então teria perguntado se Zampieri era inocente.

Ainda conforme seu relato, ao ouvir que não seria inocente, teria sentido “uma certa felicidade”.

A declaração foi feita no contexto da narrativa apresentada pelo próprio acusado sobre as razões que, segundo ele, o levaram a praticar o homicídio.

Zampieri foi morto com tiros dentro de carro

Roberto Zampieri foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, quando estava dentro de seu veículo, nas proximidades do escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

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Antônio Gomes é apontado pela acusação como responsável pelos disparos. Hedilerson Fialho Martins Barbosa responde pela suposta participação na execução do plano, enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de envolvimento na empreitada criminosa. Os três são julgados por homicídio triplamente qualificado e permanecem presos.

O julgamento foi retomado nesta semana depois que o júri realizado em julho precisou ser interrompido e o Conselho de Sentença dissolvido após um dos jurados apresentar problemas de saúde. Um novo conselho foi formado e os atos processuais passaram a ser repetidos.

Disputa de terras está entre as linhas investigadas

As investigações apontaram uma disputa envolvendo uma propriedade rural avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões como uma das possíveis motivações para o assassinato.

O caso também desencadeou outras apurações relacionadas a possíveis irregularidades envolvendo decisões judiciais. Segundo informações apresentadas durante o processo, uma investigação complementar busca esclarecer eventual participação de outros mandantes.

No Tribunal do Júri, entretanto, o que está em julgamento nesta etapa é a responsabilidade dos três réus denunciados pela participação direta no assassinato de Zampieri.

A sessão desta quarta-feira marca o segundo dia do novo julgamento, que teve início na terça-feira (29) com o depoimento de seis testemunhas, entre elas delegados das polícias Civil e Federal envolvidos na investigação.

Jornalista: Mika Sbardelott

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Professor desaparecido em VG: mensagens suspeitas e foto levantam novas dúvidas sobre o paradeiro

Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, sumiu na noite de sábado (26), após sair de casa para encontrar uma pessoa. Câmeras registraram o momento em que ele subiu na garupa de uma motocicleta

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O desaparecimento do professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, ganhou novos elementos e aumentou a angústia da família em Várzea Grande. O jovem não é visto desde a noite de sábado (26), quando saiu de casa, no bairro Capela do Piçarrão, para encontrar uma pessoa e não retornou.

Quase três dias depois do desaparecimento, familiares passaram a desconfiar ainda mais das circunstâncias do caso após receberem mensagens enviadas pelo celular de Breno. Segundo o irmão gêmeo, Bruno Humberto de Moraes, a forma de escrever não seria compatível com a maneira habitual de comunicação do professor. A família também recebeu uma fotografia que considera suspeita.

A Polícia Civil investiga o desaparecimento e tenta reconstruir os últimos passos do jovem. Imagens de câmeras de segurança já registraram Breno entrando na garupa de uma motocicleta, conduzida por um homem que ainda não foi identificado.

Última saída

Segundo Bruno, Breno esteve em uma sorveteria no bairro onde mora e retornou para casa por volta das 20h. O professor teria dito à família que encontraria uma pessoa com quem havia combinado de sair.

Ele pegou um capacete e afirmou que voltaria rapidamente.

“Quando ele fala isso, realmente não demora”, relatou o irmão.

Por volta das 23h, a mãe de Breno acordou Bruno e informou que o filho ainda não havia retornado. A família começou a ligar para o celular do professor, mas não conseguiu falar diretamente com ele.

Pouco depois, Bruno passou a receber mensagens pelo aparelho de Breno.

Foi justamente nesse momento que a família começou a desconfiar de que outra pessoa poderia estar utilizando o telefone.

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“O Breno não fala isso”

De acordo com Bruno, o interlocutor insistia que Breno estava bem, mas utilizava expressões que não faziam parte do vocabulário do professor.

O irmão também percebeu que as respostas demoravam para ser enviadas, como se a pessoa estivesse elaborando cuidadosamente o que escreveria.

Em determinado momento, o interlocutor afirmou que estaria em Cuiabá e posteriormente disse que estava em um motel.

Diante da situação, Bruno pediu uma fotografia para confirmar que o irmão realmente estava bem.

A imagem recebida, porém, aumentou ainda mais a desconfiança.

Segundo o irmão, Breno aparecia usando roupas diferentes das que vestia quando saiu de casa. Além disso, as tatuagens do professor não apareciam na fotografia. Para Bruno, a imagem poderia ter sido manipulada digitalmente, mas essa suspeita ainda precisa ser tecnicamente confirmada pela investigação.

O irmão também estranhou o conteúdo das mensagens.

Segundo ele, ao ser questionado, o interlocutor chegou a dizer que Bruno estaria “atrapalhando”. A resposta teria sido determinante para que o familiar passasse a acreditar que não estava conversando com Breno.

“Essa foto não é de agora, você não saiu com essa camisa”, teria questionado Bruno. A pessoa respondeu que a camiseta seria “do boy”.

Para a família, a conversa aumentou a preocupação sobre o que pode ter acontecido depois que Breno deixou a residência.

Rastreamento do celular

Na tentativa de descobrir o paradeiro do professor, Bruno também tentou verificar movimentações financeiras e acessar informações que pudessem ajudar a localizar o irmão.

Durante as tentativas, segundo o relato familiar, ele percebeu que a conta do iCloud utilizada no aparelho havia sido desativada, o que teria impedido o rastreamento do celular.

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A família também relata alterações e exclusões em conversas do WhatsApp. O caso ganhou novas pistas justamente a partir da análise das comunicações realizadas pelo telefone de Breno.

Câmera registra momento em que Breno sobe em moto

Uma das principais pistas até agora está nas imagens de segurança obtidas durante as buscas.

A gravação mostra Breno caminhando pela região da Capela do Piçarrão por volta das 20h21. Ele aparece carregando um capacete e, posteriormente, para próximo ao muro do CMEI Professora Jayr Luíza de Campos Untar, onde trabalha como professor dos anos iniciais do ensino fundamental.

Cerca de cinco minutos depois, uma motocicleta se aproxima.

Breno conversa rapidamente com o condutor, coloca o capacete e sobe na garupa. Na sequência, os dois deixam o local.

As imagens não permitem, até o momento, identificar com clareza o motociclista ou a placa do veículo. Desde então, não houve novas imagens que indiquem o paradeiro do professor.

Polícia tenta descobrir quem estava na moto

A identificação do motociclista é considerada uma das informações importantes para esclarecer os últimos momentos conhecidos de Breno.

A família continua mobilizada e pede que qualquer pessoa que tenha informações sobre o professor procure as autoridades.

O desaparecimento foi comunicado à Polícia Civil, que realiza diligências para localizar Breno e esclarecer as circunstâncias do caso. Informações sobre o paradeiro podem ser repassadas ao Núcleo de Pessoas Desaparecidas da DHPP pelo telefone (65) 98173-0565.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o que aconteceu com o professor depois que ele deixou o bairro na garupa da motocicleta.

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