Um suposto áudio atribuído ao vereador Cilco da Cruz Filho, o “Cilcinho” (PV), caiu como uma bomba nos bastidores políticos de Várzea Grande ao trazer declarações polêmicas envolvendo a prefeita Flávia Moretti (PL), o presidente da Câmara Wanderley Cerqueira (MDB), além de revelar supostos esquemas de articulação política, compra de apoio parlamentar e até planos de cassação da chefe do Executivo.
Na gravação, que circula em grupos políticos e redes sociais, Cilcinho faz acusações pesadas contra aliados e adversários. Em um dos trechos mais contundentes, ele afirma que a prefeita estaria “com medo” por estar cercada de pessoas que classifica como criminosas.
“Você sabe por que ela tá com medo? Porque ela tá no meio só se bandido. A família do Wanderley é só de bandido. Ele já falou pra mim isso”, diz a voz atribuída ao parlamentar.
O vereador também faz referências ao próprio passado, afirmando ter conquistado votos “pelas cagadas” que teria cometido no bairro onde atuava politicamente. No áudio, ele relata episódios envolvendo direção perigosa e porte de arma de fogo.
“No bairro eu tive foi muito voto pelas cagadas que eu fiz. Eu chegava lá, metia o cavalinho de pau, metia o louco, andava com 357, arma de Oficial. Tinha bala e munição de caixa.”
Apesar das declarações, Cilcinho afirma que mudou de vida e destaca ser atualmente o único representante da Igreja Adventista na Câmara Municipal.
“Hoje eu sou o único representante da Igreja Adventista. Único vereador da Igreja Adventista sou eu.”
Suposto esquema milionário
Outro trecho que chamou atenção envolve a suposta eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. Segundo o áudio, cerca de 14 vereadores seriam mantidos “isolados” em uma chácara de luxo dias antes da votação marcada para o próximo dia 14, com o objetivo de evitar traições políticas.
A gravação ainda menciona um suposto acordo financeiro envolvendo aproximadamente R$ 2,5 milhões, que seriam pagos de forma parcelada aos parlamentares.
“Conforme vem vindo, vai pagando”, relata a voz atribuída ao vereador.
O áudio também traz a participação do secretário de apoio parlamentar, Samir Katumata, que cita um possível conluio com veículos de comunicação que estariam sendo pagos para desgastar a imagem da prefeita.
Trama para cassação
As revelações vão além e apontam para uma suposta articulação visando a cassação de Flávia Moretti. Segundo a conversa, vereadores já discutiriam nomes para assumir secretarias estratégicas em um eventual novo cenário político.
O contexto ganha ainda mais peso diante da vacância no cargo de vice-prefeito. Em março deste ano, Tião da Zaeli (PL) renunciou ao posto após sucessivos embates com a prefeita. Caso Flávia venha a perder o mandato, quem assumiria o comando do Paço Couto Magalhães seria justamente Wanderley Cerqueira, atual presidente da Câmara.
Crises em sequência
O episódio é mais um capítulo da turbulenta crise política vivida por Várzea Grande em 2026. Nos últimos meses, vazaram supostos áudios atribuídos à prefeita mencionando a distribuição de água na cidade em meio ao histórico problema de abastecimento. Em outra gravação, ela teria citado a necessidade de “comprar” apoio de parlamentares.
Outro caso que ganhou repercussão envolve o empresário Carlos Alberto de Araújo, marido da prefeita, flagrado em vídeo carregando malotes de dinheiro em espécie.
As denúncias passaram a ser investigadas pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), ligado ao Ministério Público de Mato Grosso.
Paralelamente, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso também abriu procedimento para investigar possíveis irregularidades administrativas na Câmara Municipal de Várzea Grande, sob relatoria do conselheiro Antônio Joaquim. O processo tramita sob sigilo.
Enquanto isso, a população acompanha um cenário de instabilidade crescente, marcado por vazamentos, acusações mútuas, disputas internas e investigações que ampliam a pressão sobre os principais nomes da política da cidade industrial.
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Jornalista: Luan Schiavon
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