O algoritmo não votou

“Bolsonaro da Shopee” viraliza nas redes, mas passa longe de uma vaga na Câmara

Vilmar Rigo tem mais de 176 mil seguidores no Instagram, mas terminou na 62ª colocação na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados

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Nas redes sociais, ele é quase uma celebridade. Nas urnas, porém, a história foi bem diferente. Conhecido como “Bolsonaro da Shopee”, pela semelhança física com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o candidato do Novo, Vilmar Rigo, não conseguiu converter a popularidade da internet em votos e ficou de fora da lista de eleitos nas eleições deste ano.

Com mais de 176 mil seguidores no Instagram, o candidato recebeu apenas 2.142 votos, o equivalente a pouco mais de 1% do número de pessoas que o acompanham na rede social. Pelo visto, curtir, comentar e seguir não significa necessariamente apertar o número na urna.

O desempenho eleitoral rendeu ao candidato apenas 0,11% dos votos válidos, resultado que o deixou na 62ª colocação entre os concorrentes a deputado federal em Mato Grosso.

Fama na internet, pouco resultado nas urnas

Apesar da expressiva quantidade de seguidores, Vilmar Rigo não conseguiu transformar o alcance digital em apoio eleitoral suficiente para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

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Se os 176 mil seguidores fossem convertidos em votos, o resultado seria mais do que suficiente para colocá-lo na disputa por uma vaga com chances bem diferentes. Mas, entre acompanhar o candidato pelo celular e escolhê-lo na urna, existe uma distância que nem a semelhança com um ex-presidente conseguiu encurtar.

A maior votação de Vilmar foi registrada em Cuiabá, onde recebeu 685 votos.

No fim das contas, o apelido ajudou a chamar atenção nas redes sociais, mas a fama virtual não fez milagre na apuração. Para o “Bolsonaro da Shopee”, a popularidade ficou no Instagram, enquanto as urnas entregaram uma realidade bem menos generosa.

Jornalista: Mika Sbardelott

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ATÉ ZUNIL

Pivetta pede ajuda para passar a tesoura no Estado enquanto servidores cobram perdas salariais

Governador quer enxugar a máquina pública após campanha marcada pelo discurso de valorização do funcionalismo; categoria reivindica reposição inflacionária estimada em pelo menos 17%

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Reeleito governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) já começou a dar pistas de como pretende conduzir a máquina pública no novo mandato: com a tesoura em uma mão e o discurso de eficiência na outra. Nesta sexta-feira (9), o governador usou o Instagram para convocar a população a apontar onde o Estado pode cortar gastos.

O pedido, porém, chega em um momento delicado. Durante os 45 dias de campanha eleitoral, a valorização dos servidores públicos esteve entre as bandeiras defendidas pelo grupo político de Pivetta, inclusive por meio da vice-governadora Gisela Simona (União). Agora, o governador quer ouvir sugestões para enxugar a estrutura administrativa, enquanto o funcionalismo continua cobrando a reposição de perdas salariais acumuladas ao longo dos anos.

No vídeo publicado nas redes sociais, Pivetta promete serviços públicos melhores, obras de qualidade e mais valorização para quem trabalha. Ao mesmo tempo, convida os próprios servidores a apontarem caminhos para reduzir despesas. Em outras palavras, a missão é encontrar onde cortar sem comprometer os serviços — e, de preferência, sem deixar a prometida valorização apenas no discurso.

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“Nós queremos melhorar os serviços públicos, queremos melhorar as obras públicas, queremos diminuir o custo do Estado sobre o nosso povo. Um Estado mais leve, mais eficiente, com a sua participação. Então escreve aqui a tua sugestão para enxugar a máquina e também para melhorar os serviços, para valorizar mais quem trabalha, para que nós tenhamos um Estado mais justo, mais próspero, melhor para todos os mato-grossenses e as mato-grossenses”, afirmou.

A tesoura de um lado, a cobrança do outro

A convocação abre espaço para sugestões, mas também expõe uma questão que acompanha a relação entre o governo e o funcionalismo: como conciliar o discurso de valorização profissional com a política de controle de gastos?

Os servidores cobram a reposição das perdas inflacionárias acumuladas nos salários, enquanto o Executivo sustenta a necessidade de preservar o equilíbrio das contas públicas e controlar as despesas estaduais.

Uma das principais reivindicações envolve um passivo salarial estimado em pelo menos 17%, percentual que depende dos índices de inflação e dos períodos considerados no cálculo.

Até o momento, Pivetta não detalhou quais áreas poderão sofrer cortes, quais despesas pretende reduzir ou se haverá mudanças no quadro de pessoal. Por enquanto, a população está convocada a participar da caça aos gastos.

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Resta saber se a prometida eficiência virá de uma revisão de contratos, de mudanças administrativas ou de outras medidas — e como a valorização dos servidores entrará nessa conta.

No novo mandato, o desafio de Pivetta será mostrar que enxugar a máquina pública não significa deixar para depois as cobranças de quem mantém os serviços funcionando. Afinal, se a ideia é fazer mais com menos, o funcionalismo quer saber quem vai pagar essa conta.

Jornalista: Mika Sbardelott

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