O resultado das Eleições Gerais de 2026 marcou uma das maiores mudanças no mapa político de Mato Grosso nas últimas décadas. A derrota de lideranças tradicionais ligadas às famílias Riva e Campos encerrou ciclos de influência que atravessaram gerações e alterou a correlação de forças no Estado.
O cenário foi comentado pelo ex-governador Mauro Mendes (União), eleito para o Senado Federal com mais de 1 milhão de votos. Durante a comemoração da vitória, realizada na Praça do Choppão, em Cuiabá, Mendes avaliou as derrotas dos antigos grupos políticos e atribuiu o resultado à vontade do eleitor.
Segundo o ex-governador, a população mato-grossense demonstrou que sabe reconhecer os grupos que, na avaliação dele, já estavam desgastados após anos de atuação política.
“O povo é sábio, o povo sabe tomar decisões e deu a cada um aquilo que merecia”, afirmou Mendes.
Família Riva perde espaço após 32 anos
Uma das principais mudanças ocorreu com a derrota de Janaina Riva (MDB) na disputa pelo Senado e de Jéssica Riva (MDB), que tentou conquistar seu primeiro mandato eletivo para a Assembleia Legislativa.
O resultado deixou a família Riva sem representantes eleitos na estrutura de poder estadual, encerrando um período de mais de três décadas de influência política herdada do ex-deputado estadual José Riva.
José Riva foi um dos políticos mais influentes de Mato Grosso e exerceu forte liderança na Assembleia Legislativa. Sua trajetória política, entretanto, terminou marcada por processos e condenações relacionados a esquemas de corrupção.
Com as derrotas de Janaina e Jéssica, o grupo familiar perde a representação direta no Parlamento estadual e no Senado.
Campos também sofre forte revés
Outro grupo tradicional atingido pelas urnas foi a família Campos, que durante décadas ocupou posições de destaque na política mato-grossense.
Os irmãos Júlio e Jayme Campos construíram uma trajetória que passou por prefeituras, governo estadual, Senado e Assembleia Legislativa, mantendo influência política por mais de 50 anos.
O primeiro revés ocorreu ainda antes da eleição. Jayme Campos não conseguiu viabilizar sua candidatura ao governo do Estado durante as articulações internas do grupo político. A candidatura acabou sendo derrotada na convenção, em uma disputa na qual prevaleceu a composição liderada por Mauro Mendes.
Júlio Campos, por sua vez, tentou renovar o mandato de deputado estadual, mas acabou derrotado nas urnas. O veterano recebeu 18.517 votos e ficou fora da próxima composição da Assembleia Legislativa.
“Tudo tem começo, meio e fim”, diz Mauro
Questionado sobre o enfraquecimento das famílias tradicionais, Mauro Mendes adotou um tom mais filosófico ao comentar a mudança no cenário político.
“Olha, eu não posso dizer isso, né? Existe aí uma perda, já vi pessoas perderem eleição e ganharem depois, mas é natural que na vida tudo tem começo, meio e fim, inclusive a própria vida, inclusive aquilo que nós fazemos nela”, afirmou.
A declaração foi feita durante a comemoração da vitória do ex-governador, que chega ao Senado após concluir dois mandatos à frente do Governo de Mato Grosso.
Nova configuração de forças
O resultado de 2026 consolida uma mudança que vinha sendo construída nos últimos anos na política mato-grossense. Grupos familiares que durante décadas tiveram forte influência sobre decisões eleitorais e administrativas perderam espaço, enquanto novas lideranças passaram a ocupar posições estratégicas.
A saída simultânea de representantes das famílias Riva e Campos tem peso simbólico justamente pela longevidade dos dois grupos.
Mais do que derrotas individuais, o resultado das urnas representa uma mudança geracional na política de Mato Grosso, com a ascensão de novos nomes e a redução da presença de famílias que, por décadas, estiveram no centro das principais disputas eleitorais do Estado.
Para Mauro Mendes, a eleição mostrou que o eleitor está disposto a modificar o cenário político quando entende que chegou o momento de mudança.
Vídeo:
Jornalista: Mika Sbardelott
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