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Flávio Bolsonaro faz visita surpresa a aldeia em Mato Grosso e recebe reivindicações de indígenas

Presidenciável participa de agenda em Campo Novo do Parecis articulada por José Medeiros e Odílio Balbinotti

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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) está em Mato Grosso nesta segunda-feira (31) e cumpre uma agenda política em Campo Novo do Parecis, onde se reuniu com lideranças indígenas da etnia Parecis.

A visita, considerada uma agenda surpresa, foi articulada pelo candidato ao Senado José Medeiros (PL) e pelo primeiro suplente, Odílio Balbinotti, que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso.

Durante o encontro em uma aldeia, Flávio recebeu das mãos do cacique Arnaldo uma carta com reivindicações apresentadas pelas lideranças indígenas.

Produtores pedem fundo garantidor

Uma das principais demandas apresentadas ao presidenciável é a criação, pelo Governo Federal, de uma política de fundo garantidor para produtores indígenas.

De acordo com as lideranças, existe uma dificuldade específica para acessar linhas de financiamento bancário porque o território indígena não pode ser utilizado como garantia nas operações de crédito. As terras pertencem à União, o que impede que sejam oferecidas como garantia aos bancos.

Os produtores possuem autorização para cultivar as áreas e, segundo as lideranças, desenvolvem produção agrícola em larga escala. Apesar disso, enfrentam dificuldades para conseguir crédito destinado à compra de insumos, sementes, máquinas e implementos agrícolas.

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A proposta apresentada a Flávio é que o Governo Federal crie um fundo capaz de funcionar como garantia para essas operações.

Medida permitiria ampliar acesso ao crédito

Na avaliação das lideranças indígenas, a criação de um fundo garantidor poderia solucionar parte do problema e permitir que produtores realizassem financiamentos sem precisar oferecer o território indígena como garantia.

A reivindicação está relacionada diretamente à expansão da produção agrícola desenvolvida nas áreas autorizadas para cultivo e à necessidade de capital para investimento na atividade.

O documento entregue ao presidenciável reúne as demandas consideradas prioritárias pelas comunidades da região.

Medeiros acompanha agenda

Flávio Bolsonaro esteve acompanhado de José Medeiros durante a visita à aldeia.

A presença de Medeiros na agenda reforça a movimentação política do candidato ao Senado para aproximar o presidenciável de lideranças políticas e comunitárias de Mato Grosso durante a campanha eleitoral.

Odílio Balbinotti, primeiro suplente de Medeiros, também participa da articulação da campanha de Flávio no Estado.

Wellington Fagundes se desloca para encontro

A visita também movimentou o cenário interno do PL em Mato Grosso.

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O candidato ao Governo do Estado Wellington Fagundes (PL), segundo informações de bastidores, inicialmente não tinha conhecimento da agenda de Flávio Bolsonaro em Campo Novo do Parecis.

Após tomar conhecimento da presença do presidenciável, Wellington teria se deslocado para o município com o objetivo de participar do encontro.

Apesar de pertencerem ao mesmo partido, Wellington Fagundes e José Medeiros vêm realizando campanhas separadas em Mato Grosso, evidenciando as divergências existentes dentro do grupo político.

A presença de Flávio Bolsonaro no Estado, portanto, acaba colocando novamente os dois candidatos do PL no mesmo ambiente político, em meio à disputa interna pela liderança do grupo nas eleições de 2026.

Jornalista: Mírian Marques

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ATÉ ZUNIL

Abilio transforma boné do PT em “crime político” e anuncia patrulha ideológica na Prefeitura de Cuiabá

Prefeito diz que servidor comissionado que usar símbolo do PT ou participar de ato do partido terá de deixar a gestão; declaração abre debate sobre aparelhamento político e liberdade de opinião

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O episódio de um boné do PT usado pela secretária de Educação de Várzea Grande, Maria Fernanda, acabou revelando algo muito maior do que uma simples divergência política: a disposição do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de transformar a preferência partidária de seus subordinados em critério para permanência no governo.

Depois da repercussão da imagem de Maria Fernanda em um evento do senador Carlos Fávaro (PSD), Abilio decidiu subir o tom. E não apenas criticou a permanência da secretária na gestão da prefeita Flávia Moretti (PL). Anunciou que, em Cuiabá, integrantes de sua equipe que vestirem símbolos do PT ou participarem de manifestações da legenda serão convidados a deixar o governo.

“Se alguém na minha gestão estiver vestindo a camisa vermelha, ou do PT, ou do Lula, não sei o quê, pede pra sair”, afirmou.

A frase é forte — e merece ser levada a sério.

Prefeitura não é extensão de partido

Cargos comissionados são, de fato, cargos de confiança. O prefeito tem prerrogativa para escolher sua equipe e pode substituir secretários quando entender que perdeu a confiança política ou administrativa.

Mas existe uma diferença importante entre exigir confiança para executar um programa de governo e exigir demonstração pública de fidelidade partidária.

Quando um gestor afirma que um secretário pode perder o cargo simplesmente por vestir a camisa de um partido ou participar de uma manifestação política, a discussão deixa de ser sobre competência administrativa e passa a ser sobre patrulhamento ideológico.

E essa é uma linha perigosa.

O secretário pode discordar politicamente do prefeito e, ainda assim, cumprir corretamente suas funções. Pode votar em outro candidato. Pode ter outra visão de país. Pode até participar de uma manifestação política fora do expediente.

O que deveria determinar sua permanência na função pública é, principalmente, sua capacidade de exercer o cargo, cumprir as determinações legais e entregar resultados.

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Abilio diz que vai “agir como Lula”

A declaração ganhou ainda mais sabor político quando Abilio afirmou que pretende “agir como Lula”.

“Eu pretendo agir como o Lula agiria. Se o Lula ia mandar embora, eu vou mandar embora”, disse.

A comparação é curiosa.

Abilio construiu boa parte de sua trajetória política justamente se apresentando como um dos críticos mais contundentes do campo político petista. Agora, utiliza Lula como referência para justificar uma política de cobrança de lealdade política dentro de seu próprio governo.

É uma ironia que não passa despercebida.

O prefeito parece defender, na prática, uma lógica simples: se você está comigo, permanece; se demonstra simpatia pelo adversário, está fora.

O problema é que administração pública não deveria funcionar como torcida organizada.

O boné virou mais importante que o trabalho?

Maria Fernanda afirma que suas convicções políticas não interferem em seu trabalho e que consegue separar sua vida pessoal de sua atuação técnica.

Essa explicação pode ser questionada politicamente, mas também deveria ser considerada.

A pergunta que fica é objetiva: o trabalho da secretária deixou de ser eficiente porque ela usou um boné do PT?

Se a resposta for não, qual é exatamente a falta cometida?

Abilio pode perfeitamente discordar da postura da secretária. Pode considerar inadequado que alguém de um governo identificado com determinado grupo político participe de um evento de uma corrente adversária.

Mas transformar o uso de um símbolo partidário em motivo automático para exoneração revela uma concepção bastante rígida de administração: a de que o ocupante do cargo precisa não apenas cumprir suas funções, mas também vestir a mesma camisa ideológica do chefe.

E a liberdade política?

A questão também ultrapassa a disputa entre PT e PL.

Se hoje o critério for “não pode usar símbolo do adversário”, amanhã outro prefeito poderá dizer que seu secretário não pode participar de uma manifestação de determinada igreja, movimento social, sindicato, entidade empresarial ou grupo político.

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A lógica é perigosa justamente porque pode ser aplicada por qualquer lado.

O princípio deveria ser o mesmo para todos: não importa se o servidor simpatiza com Lula, Bolsonaro, Abilio, Flávia, Fávaro ou qualquer outro político. O que importa é como ele exerce a função pública.

Caso contrário, a administração corre o risco de se transformar em uma espécie de clube de fidelidade política.

Crítica a Flávia expõe racha entre aliados

Além de defender sua própria política de “tolerância zero”, Abilio aproveitou o episódio para cutucar Flávia Moretti.

Segundo ele, a decisão da prefeita de manter Maria Fernanda demonstra que ela não age como Lula agiria.

A declaração expõe uma situação curiosa: dois prefeitos do mesmo campo político, ambos do PL, adotam posturas completamente diferentes diante do mesmo episódio.

Flávia decidiu preservar a secretária. Abilio diz que a mandaria embora.

No meio da disputa, um simples boné acabou servindo como combustível para uma briga política maior.

Tolerância zero — mas para quê?

Abilio tem todo o direito de escolher sua equipe e estabelecer as diretrizes políticas de seu governo.

Mas existe uma diferença entre governar com princípios e governar exigindo demonstrações públicas de lealdade partidária.

Se o desempenho administrativo de um secretário é ruim, exonere-se.

Se há suspeita de corrupção, investigue-se.

Se há desobediência às diretrizes legais do governo, cobre-se.

Mas se o único problema é a cor do boné, a discussão deixa de ser administrativa e passa a ser essencialmente política.

E talvez seja exatamente isso que Abilio esteja dizendo, sem rodeios: na Prefeitura de Cuiabá, para alguns cargos, não basta trabalhar bem. É preciso estar politicamente do lado certo.

A grande questão é: “lado certo” segundo quem?

Jornalista: Mírian Marques

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