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Acordo de R$ 900 mil livra Gilmar Fabris de suspensão dos direitos políticos e permite candidatura em 2026

Ex-deputado estadual havia sido condenado em ação sobre uso de atestados médicos para promover rodízio de suplentes na Assembleia Legislativa

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O ex-deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) poderá disputar as eleições de 2026 e tentar retornar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após a homologação de um Acordo de Não Persecução Cível (ANPC) firmado com o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT).

A decisão é do juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá. Pelo acordo, Fabris se comprometeu a pagar R$ 900 mil, mas ficou afastada a aplicação da pena de suspensão dos direitos políticos por oito anos, que havia sido prevista na sentença inicial.

Com isso, o ex-parlamentar, que já presidiu a Assembleia Legislativa, permanece elegível para a disputa deste ano.

Esquema envolvia atestados médicos

A ação de improbidade administrativa contra Fabris trata de um esquema envolvendo o uso de atestados médicos para promover um rodízio de suplentes na Assembleia Legislativa.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Fabris teria utilizado três atestados médicos, cada um com 125 dias, para solicitar licenças médicas da ALMT.

A estratégia, conforme apontado no processo, permitiria que suplentes assumissem temporariamente o mandato enquanto o titular continuava recebendo integralmente os salários, gerando prejuízo aos cofres públicos.

O primeiro documento teria sido emitido pelo médico da Assembleia Jesus Calhao Esteves, após atendimento ao então deputado.

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Em depoimento, o profissional relatou que Fabris apresentou exames que indicavam alterações nos níveis de diabetes e colesterol e solicitou tratamento médico em São Paulo.

Os outros dois atestados, entretanto, teriam sido emitidos pelo mesmo médico a pedido do então assessor técnico jurídico da Assembleia, Antônio Francisco Monteiro da Silva, sem que houvesse realização de novos exames ou mesmo contato direto com Fabris.

Condenação chegou a R$ 1,6 milhão

Inicialmente, Gilmar Fabris foi condenado a pagar mais de R$ 304 mil, referentes a ressarcimento ao erário e multa civil.

Com as atualizações monetárias, o valor teria chegado a aproximadamente R$ 1,6 milhão.

Em fevereiro deste ano, porém, a defesa do ex-deputado informou ao processo que havia firmado um Acordo de Não Persecução Cível com o Ministério Público.

Pelo acordo homologado pela Justiça, Fabris pagará R$ 900 mil, divididos da seguinte forma:

  • R$ 300 mil pela perda dos valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio;
  • R$ 300 mil referentes à multa civil;
  • R$ 300 mil destinados ao ressarcimento ao erário.

O pagamento será realizado em 40 parcelas mensais de R$ 22,5 mil.

Ex-deputado poderá voltar à disputa eleitoral

O ponto mais relevante do acordo para o cenário político é a não aplicação da suspensão dos direitos políticos por oito anos.

A sanção constava na condenação original, mas foi afastada no acordo celebrado entre Fabris e o Ministério Público.

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Com a homologação, o processo fica suspenso em relação ao ex-deputado durante o período necessário para o cumprimento integral das obrigações assumidas.

Na decisão, o juiz Bruno D’Oliveira Marques afirmou:

“Por conseguinte, homologo, para que produza seus jurídicos e legais efeitos, o Acordo de Não Persecução Civil, celebrado entre o Ministério Público do Estado de Mato Grosso e Gilmar Donizete Fabris, observando-se integralmente as cláusulas e condições nele estabelecidas.”

O magistrado determinou ainda a suspensão do processo durante o cumprimento do acordo.

Retorno à Assembleia entra no radar

Com os direitos políticos preservados, Gilmar Fabris poderá colocar novamente seu nome nas urnas em 2026.

A possibilidade de retorno ao Legislativo ocorre após uma trajetória marcada pela atuação política e pela passagem pela presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, mas também por processos judiciais relacionados à sua atuação parlamentar.

Agora, com o acordo homologado e sem a suspensão dos direitos políticos, o ex-deputado volta ao jogo eleitoral.

A eventual candidatura, contudo, ainda deverá observar todas as demais condições de elegibilidade previstas na legislação eleitoral e será submetida à análise da Justiça Eleitoral no momento do registro.

Jornalista: Mírian Marques

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Pivetta tira R$ 500 mil do próprio bolso e já usa 70% do limite de autofinanciamento

Governador e candidato à reeleição está entre os cinco que mais investiram recursos próprios na campanha presidencial e estadual de 2026

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O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), está entre os políticos que mais colocaram dinheiro do próprio bolso na campanha eleitoral de 2026. Até esta segunda-feira (31), o candidato havia registrado R$ 500 mil em recursos próprios destinados à disputa pelo Governo do Estado.

Com o valor, Pivetta já utilizou aproximadamente 70% do limite permitido pela legislação eleitoral para autofinanciar sua campanha no primeiro turno. O teto de gastos para a disputa pelo Governo de Mato Grosso é de R$ 7.115.522,46, o que permite ao candidato utilizar cerca de R$ 711,5 mil de recursos próprios nesta etapa.

Caso a eleição tenha segundo turno, o limite de gastos informado é de R$ 3.557.761,23.

Quinto maior autofinanciador do país

Com os R$ 500 mil declarados até agora, Pivetta aparece na quinta colocação entre os candidatos que mais investiram recursos próprios nas eleições de 2026.

À frente dele estão o candidato a deputado distrital Luís Miranda (Democrata), com R$ 1.020.000,01; Gelson Merisio (PSB), candidato ao Governo de Santa Catarina, com R$ 1 milhão; Vicentinho Júnior (PSDB), candidato ao Governo do Tocantins, com R$ 642.608; e Jaques Wagner (PT), candidato ao Senado pela Bahia, com R$ 533 mil.

Os R$ 500 mil representam 28,08% de toda a receita arrecadada pela campanha de Pivetta até o momento, que soma R$ 1.780.500.

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A maior parte dos recursos, entretanto, veio de partido político.

União Brasil repassa R$ 1 milhão

A Direção Nacional do União Brasil aparece como a principal fonte de financiamento da campanha, com um repasse de R$ 1 milhão, equivalente a 56,16% de toda a receita declarada.

Além do recurso partidário e dos R$ 500 mil investidos pelo próprio candidato, a campanha registra doações de Adecrescio Pedro de Aguiar, de R$ 100 mil, e Osmar Ribeiro de Mello, também de R$ 100 mil.

Também constam na prestação de contas recursos de Marino José Franz, de R$ 50 mil; Soraya Theodora Hadad Simoni, de R$ 20 mil; Jucimara Aparecida Rodrigues, de R$ 10 mil; e Adriana Kozoff Oliveira, de R$ 500.

Antes da campanha, Pivetta já havia doado R$ 3 milhões ao partido

O aporte de R$ 500 mil na própria campanha não foi o primeiro movimento milionário de Pivetta neste ciclo eleitoral.

Em 22 de julho, o governador já havia destinado R$ 3 milhões ao Republicanos. O valor foi registrado como doação de pessoa física para manutenção partidária e, portanto, é diferente dos R$ 500 mil declarados especificamente como autofinanciamento de sua candidatura.

Na ocasião, o montante chamou atenção nacionalmente e fez de Pivetta o maior doador individual do Republicanos, superando, por exemplo, os R$ 700 mil doados pelo empresário Rubens Ometto à legenda.

Embora seja filiado ao Republicanos e dispute a reeleição pelo partido, o governador registrou os R$ 3 milhões como contribuição destinada à manutenção da legenda.

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Patrimônio de Pivetta cresceu 52% em quatro anos

A capacidade financeira do candidato também chama atenção pelos valores declarados à Justiça Eleitoral.

Em 2022, quando foi eleito vice-governador na chapa de Mauro Mendes (União), Pivetta declarou possuir R$ 378,8 milhões em patrimônio.

Quatro anos depois, o valor declarado chegou a R$ 575,68 milhões.

O crescimento foi de aproximadamente R$ 196,9 milhões, equivalente a cerca de 52%.

Com patrimônio superior a meio bilhão de reais, Pivetta aparece entre os candidatos mais ricos das eleições de 2026 em todo o país.

Apesar da elevada capacidade financeira, o governador não pode simplesmente utilizar qualquer quantia na própria campanha. A legislação estabelece que o candidato pode aplicar recursos próprios até 10% do teto de gastos definido para o cargo.

No caso da disputa pelo Governo de Mato Grosso, isso significa que Pivetta poderá investir aproximadamente R$ 711,5 mil do próprio patrimônio no primeiro turno.

Com R$ 500 mil já registrados, o candidato está próximo do limite permitido e ainda poderá colocar cerca de R$ 211,5 mil de recursos próprios na campanha nesta primeira etapa da eleição.

Jornalista: Mírian Marques

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