Crise da Heritage:

Pivetta quer tirar Fábio Garcia da chapa e entra em rota de colisão com Mendes

Governador avalia retirar Fábio Garcia da chapa, mas enfrenta resistência de Mauro Mendes; impasse teria levado Pivetta a cogitar desistência da própria candidatura

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Os impactos políticos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto desvio de R$ 308 milhões relacionado a um acordo entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, provocaram novas rachaduras na articulação eleitoral do governador e pré-candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos).

Nos bastidores, o principal ponto de tensão envolve a permanência do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador na chapa de Pivetta. Conforme apuração do jornal A Gazeta, o governador não estaria mais disposto a manter Garcia na composição, mas enfrenta forte resistência do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que insiste na permanência de seu afilhado político.

A crise ganhou força após a Operação Heritage, que tem entre seus principais alvos, segundo as informações divulgadas, Mauro Mendes, Fábio Garcia e o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, atualmente sem partido.

Pivetta teria cogitado desistir da candidatura

O impasse entre Pivetta e Mendes teria chegado a um ponto crítico após uma discussão acalorada entre os dois. De acordo com relatos de bastidores, o governador chegou a cogitar desistir da própria candidatura à reeleição diante da possibilidade de perda do apoio da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP).

Mendes teria ameaçado retirar o apoio da federação ao projeto eleitoral de Pivetta caso Garcia fosse retirado da chapa.

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A tensão política foi tamanha que Pivetta cancelou a entrevista coletiva que estava marcada para a tarde desta segunda-feira (10), na qual anunciaria uma decisão sobre a permanência de Garcia como candidato a vice-governador.

Medidas cautelares complicam articulação

Mesmo que a aliança seja mantida, a campanha eleitoral poderá enfrentar dificuldades em razão das medidas cautelares impostas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações.

Entre as determinações está a proibição de comunicação entre pessoas envolvidas no caso. Com isso, Garcia, Mendes e Mauro Carvalho ficam impedidos de manter contato, o que pode comprometer a articulação política e a estratégia eleitoral do grupo.

Garcia resiste a deixar a chapa

Segundo fontes ligadas ao Palácio Paiaguás ouvidas pela reportagem, Fábio Garcia não pretende abrir mão da candidatura a vice-governador.

O deputado federal avaliaria que uma eventual saída poderia ser interpretada politicamente como uma espécie de reconhecimento de responsabilidade ou culpa pelas suspeitas investigadas pela Polícia Federal.

Ainda conforme os relatos, Garcia somente admitiria deixar a composição caso Virgínia Mendes, ex-primeira-dama de Mato Grosso e esposa de Mauro Mendes, também desistisse da candidatura à Câmara dos Deputados.

A condição, entretanto, contraria os interesses eleitorais do ex-governador.

Estratégia eleitoral está no centro do impasse

A resistência de Mauro Mendes também estaria relacionada à estratégia eleitoral do União Brasil.

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Fábio Garcia e Virgínia Mendes integram a mesma nominata do partido para a disputa proporcional. Considerando as regras do quociente eleitoral, nos bastidores é considerada improvável a eleição dos dois pela mesma chapa, o que torna a candidatura de ambos um ponto importante dentro da estratégia política do grupo.

Escolhido após pressão de Mauro Mendes

A insatisfação de Pivetta com a composição também não seria recente.

Fábio Garcia nunca teria sido o nome preferido do governador para ocupar a vaga de vice. Antes da definição, Pivetta teria avaliado outras possibilidades, entre elas o ex-secretário de Estado de Fazenda Rogério Gallo, além de outros nomes.

A escolha de Garcia teria ocorrido após forte pressão de Mauro Mendes, que defendia a manutenção do aliado na composição majoritária.

Os atritos se intensificaram ainda mais depois que Mendes teria vetado uma possível composição com a deputada estadual Janaina Riva (MDB) para a vaga de vice-governador.

Agora, a Operação Heritage colocou a aliança entre Pivetta e Mendes diante de seu maior teste político até o momento. A definição sobre Fábio Garcia deverá ser decisiva para os próximos passos da pré-campanha e para o futuro da composição que pretende disputar o comando do Palácio Paiaguás em 2026.

Jornalista: Luan Schiavon

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ATÉ ZUNIL

Mauro Carvalho deixa Casa Civil de Mato Grosso

Ex-secretário afirma que saída foi decidida em conjunto com a família e o governador Otaviano Pivetta. Carvalho nega participação em acordo com a Oi e diz que pretende se dedicar ao esclarecimento dos fatos investigados

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O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho Júnior, anunciou nesta terça-feira (11) sua saída do cargo no Governo do Estado. O ex-secretário é um dos alvos da Operação Heritage, deflagrada na semana passada para apurar supostas irregularidades envolvendo recursos relacionados ao acordo judicial da Oi.

Até o momento, o Governo de Mato Grosso não informou quem será o novo ocupante da Casa Civil.

Em carta de desligamento, Carvalho afirmou que decidiu deixar a função para se dedicar à família, às empresas das quais participa e ao esclarecimento dos fatos investigados. Segundo ele, a decisão foi tomada em conjunto com familiares e com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

“Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade”, afirmou.

Retorno ao governo

Mauro Carvalho havia reassumido o comando da Casa Civil em abril deste ano, depois de deixar a função, em julho de 2023, para assumir uma cadeira no Senado Federal.

Na carta, o ex-secretário afirmou que inicialmente recusou o convite para retornar ao governo, feito por Pivetta e pelo ex-governador Mauro Mendes (União), mas posteriormente decidiu aceitar por motivos que classificou como de “gratidão e lealdade” ao grupo político.

Carvalho nega envolvimento no acordo com a Oi

Um dos principais pontos destacados pelo ex-secretário na manifestação foi a negativa de participação no acordo judicial envolvendo a Oi.

Carvalho afirmou que, durante o período em que o processo tramitou, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, não ocupava qualquer cargo público. Por isso, segundo ele, não teria condições de interferir na decisão sobre a negociação.

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“Eu já não ocupava nenhum cargo público, nem federal nem estadual, de modo que não poderia influenciar em absolutamente nada a decisão de firmar ou não o acordo”, declarou.

Ele também negou ter se beneficiado dos recursos relacionados à negociação e afirmou que os valores aportados por sua família nas empresas das quais participam têm origem no próprio grupo empresarial.

Pedido de afastamento foi rejeitado pelo STF, diz ex-secretário

Carvalho também mencionou o pedido de afastamento do cargo feito pela autoridade policial no âmbito da investigação. Segundo ele, a solicitação foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na avaliação do ex-secretário, a decisão não apontou indícios de que ele estivesse utilizando o cargo público para fins ilícitos.

“Não saio, portanto, por determinação judicial. Saio por decisão tomada por mim em conjunto com a minha família e com o Governador do Estado”, afirmou.

Carvalho ressaltou ainda que não foi denunciado, processado criminalmente ou condenado. A investigação, porém, ainda está em fase de apuração e não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade dos investigados.

“Investigação não é condenação”, escreveu. “Estamos no começo, e eu quero que se apure para provar a minha inocência”.

“Meu nome figura por vínculo — e vínculo não é conduta”

Na carta, o ex-secretário afirmou que seu nome aparece na investigação em razão de vínculos com pessoas e empresas mencionadas no caso, mas sustentou que não houve atribuição de uma conduta concreta a ele.

“Meu nome figura por vínculo — e vínculo não é conduta”, pontuou.

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Carvalho também citou uma ação que tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e que trata dos mesmos fatos. Segundo ele, o processo não aponta nenhuma conduta praticada por ele e menciona eventual benefício a familiares apenas de maneira indireta.

Solidariedade a outros citados

Ao anunciar a saída da Casa Civil, Mauro Carvalho também manifestou solidariedade ao ex-procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, e ao deputado federal Fábio Garcia (União), ambos citados no contexto das investigações.

Lopes deixou o cargo na última sexta-feira (7). Já Fábio Garcia anunciou nesta terça-feira (11) que não seguirá como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta.

Agradecimento ao governador

No encerramento da carta, Carvalho agradeceu a Pivetta pela confiança e desejou que o governo dê continuidade ao trabalho desenvolvido.

O ex-secretário também dedicou uma mensagem à família, destacando o impacto das investigações sobre seus familiares.

“À minha família, que carregou o peso maior sem ter escolhido nada disso, todo o meu amor”, escreveu.

Carvalho encerrou a manifestação dizendo confiar no esclarecimento dos fatos e defendendo que a investigação avance. Também pediu que a verdade prevaleça e que ninguém seja responsabilizado sem culpa.

A investigação da Operação Heritage permanece em andamento, e as declarações apresentadas por Mauro Carvalho integram a versão do ex-secretário sobre os fatos. Eventuais responsabilidades somente poderão ser definidas a partir do avanço das apurações e das decisões das autoridades competentes.

Jornalista: Mika Sbardelott

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