MAIS UMA BOMBA

Engenheiro Responsável pelo BRT é demitido no período em que surge denúncia de irregularidades

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Da Redação / Benedito Albuquerque

Engenheiro Gustavo Garoli Cardoso, responsável pela Empresa Nova Engevix e pelo  Consórcio responsável pela obra, na implementação do BRT em Cuiabá e Várzea Grande, foi demitido no mesmo mês em que a denúncia de suposto conluio entre as empresas que participaram do processo de licitação, o que caracterizaria a prática de grupo econômico envolvendo a Nova Engevix e a Paulitec Construções Ltda. A denúncia foi encaminhada à Advocacia Geral da União (AGU), Ministério Público Federal (MPF) e Controladoria Geral da União (CGU).

O engenheiro Gustavo Cardoso era o coordenador do Consórcio e apontado pela Prefeitura de Cuiabá, como o elo que comprovaria a ligação entre a Nova Engevix e a Paulitec, que disputaram a licitação do BRT.

Isso porque o engenheiro era o líder do concorrente derrotado durante a disputa de lances verbais no pregão que definiu a vencedora da licitação para a construção do BRT (Ônibus de Rápido Transporte) em Cuiabá e Várzea Grande.

Gustavo era funcionário da Paulitec Construções, que liderava o Consórcio Mobilidade MT, derrotado na disputa com o Consórcio que ele é responsável.

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Conforme a escritura pública de ata notarial, Garoli atuou pela Paulitec entre setembro de 2019 e maio de 2022, período em que foi responsável por elaborar a proposta para a concorrente do Consórcio Construtor BRT. O pregão público ocorreu no dia 17 de março do ano passado.

O valor da licitação do governo Mauro Mendes (União) foi de R$ 480.500.531,82, montante exato que o consórcio liderado por Gustavo apresentou.

Porém, o Consórcio vencedor apresentou uma proposta de R$ 480 milhões. Ao abrir para os lances livres, sempre que Gustavo apresentava um valor menor, o Consórcio Construtor BRT reduzia a sua oferta até se sagrar vitoriosa pelo valor R$ 468.031.500.

A suspeita da Prefeitura de Cuiabá, que é contra a extinção do VLT, é que tanto a Paulitec e a Nova Engevix, que comanda a obra do BRT teriam ligações comerciais, o que impediria que elas disputassem o mesmo processo licitatório, ainda mais, sendo as únicas concorrentes. A prova seria a participação de Gustavo Garoli nas duas empresas, como gerente de Contratos e Obras da Nova Engevix.

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Outro lado

Procurado, Gustavo Garoli não atendeu às ligações. Já a Nova Engevix confirmou o desligamento do engenheiro em agosto passado, afirmando que sua saída teria ocorrido por reestruturação interna.

“Informamos que, desde agosto de 2023, o engenheiro Gustavo Garoli não faz parte da equipe de trabalho do Consórcio BRT. A mudança foi resultado de uma reestruturação interna, assumindo o consultor de engenharia e gestão de projetos, Mário Jorge, que já acompanhava as obras do BRT e tem reconhecida capacidade e experiência em empreendimentos desta complexidade”, diz a nota.

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ATÉ ZUNIL

Aos 94 anos, cacique Raoni segue luta pela vida e é levado para hospital de referência em São Paulo

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O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, foi transferido nesta semana do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, para o Hospital São Paulo, unidade vinculada à Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde dará continuidade ao tratamento médico especializado.

Raoni estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o último domingo e, após avaliação da equipe médica, foi definida a transferência para uma unidade de referência com estrutura adequada para o acompanhamento cirúrgico e clínico do paciente.

De acordo com o hospital mato-grossense, toda a operação foi realizada com acompanhamento médico especializado. Desde a saída da UTI até o embarque em um hangar anexo ao Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, em Sinop, o cacique foi acompanhado pelo médico Douglas Yanai, integrante da equipe assistencial da unidade.

Quadro clínico inspira cuidados

Os exames iniciais realizados durante a internação apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar, provocada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito.

Segundo o diretor técnico do Hospital Dois Pinheiros, Douglas Yanai, o histórico de recuperação do líder indígena demonstra sua força física e capacidade de superação, apesar da idade avançada e das condições de saúde que exigem atenção constante.

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“Ele é um homem muito forte. Ao longo dos anos acompanhamos diversas internações e recuperações importantes. No entanto, pela idade e pelas condições clínicas que possui, é fundamental manter um acompanhamento especializado”, destacou o médico.

Histórico de internações

Nos últimos anos, Raoni enfrentou diferentes problemas de saúde. Em maio deste ano, foi internado após apresentar fortes dores abdominais causadas por uma hérnia antiga. Após dois dias de tratamento, recebeu alta médica, mas retornou poucos dias depois devido a complicações respiratórias relacionadas a uma pneumonia, permanecendo internado por mais uma semana.

A unidade de saúde informou que o líder indígena possui múltiplas comorbidades, incluindo Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca.

Em setembro de 2022, Raoni passou por uma cirurgia para implantação de marcapasso após ser diagnosticado com um problema cardíaco. Já em 2020, foi internado em razão de complicações gastrointestinais e desidratação, além de ter enfrentado um quadro de pneumonia no mesmo ano.

Ainda em 2020, o cacique viveu um período de grande abalo emocional após a morte de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire, quando também apresentou sintomas depressivos.

Referência mundial na defesa dos povos indígenas

Reconhecido internacionalmente, Raoni Metuktire é uma das principais lideranças indígenas do mundo e uma voz histórica na defesa dos povos originários e da preservação ambiental.

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Seu ativismo teve início na década de 1950 e ganhou projeção internacional em 1977, quando sua trajetória foi retratada em um documentário exibido no Festival de Cannes, na França.

Ao longo das décadas, participou de campanhas globais em defesa da Amazônia e dos direitos indígenas. Em 1989, realizou uma turnê por 17 países ao lado do músico britânico Sting. Também foi recebido por líderes mundiais, como o ex-presidente francês François Hollande, e pelo Papa Francisco, com quem discutiu os impactos das mudanças climáticas sobre os povos indígenas.

Em reconhecimento à sua atuação, recebeu em 2020 o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Em 2023, participou da cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, subindo a rampa do Palácio do Planalto como símbolo da luta dos povos originários.

A transferência para São Paulo representa mais uma etapa no tratamento do líder indígena, cuja trajetória se confunde com a própria história da defesa dos direitos indígenas e da preservação ambiental no Brasil.

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