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PF aponta Faissal como “longa mão” de desembargador em suposto esquema de venda de sentenças

Operação Gemini cumpriu mandados contra deputado estadual, magistrado afastado e advogado; investigação apura lavagem de dinheiro, corrupção passiva e advocacia administrativa

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A Polícia Federal apontou o deputado estadual Faissal Calil (PL) como o “braço operacional” e a “longa manus” do desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Dirceu dos Santos, em um suposto esquema de recebimento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro. Os dois foram alvos da Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8).

Segundo a PF, as investigações revelaram a existência de um “complexo e simbiótico” sistema de interposição patrimonial e financeira utilizado para ocultar recursos de origem supostamente ilícita, incluindo valores ligados à suposta comercialização de decisões judiciais.

De acordo com os investigadores, Dirceu dos Santos utilizaria pessoas de sua confiança para movimentações financeiras e patrimoniais. Entre elas estaria Faissal Calil, descrito pela Polícia Federal como alguém de “estrita confiança” do magistrado e responsável por atuar na intermediação de recebimento de vantagens indevidas, quitação de passivos familiares e triangulações imobiliárias simuladas com terceiros, popularmente conhecidos como “laranjas”.

As investigações tiveram início a partir da análise de dados telemáticos extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e do compartilhamento de informações com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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Relação começou antes da carreira política

A proximidade entre Faissal e Dirceu remonta a 2017, quando o então advogado atuou no gabinete do desembargador. No ano seguinte, Faissal foi eleito deputado estadual. Antes disso, exerceu mandato como vereador por Cuiabá entre 2013 e 2016.

A ligação entre os dois já havia sido mencionada em episódios anteriores. Durante o processo de divórcio de Dirceu dos Santos, em 2020, a ex-esposa do magistrado revelou um patrimônio estimado em R$ 18 milhões, incluindo fazendas, imóveis de luxo e investimentos.

Entre os bens citados estava um apartamento de alto padrão no edifício Vila Real, localizado no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. Conforme documentos apresentados no processo, o imóvel teria sido adquirido por meio de uma permuta envolvendo Faissal Calil. O apartamento, no entanto, não constaria na declaração de bens apresentada pelo parlamentar à Justiça Eleitoral.

Mandados e possíveis crimes

Além de Faissal e Dirceu, a Operação Gemini também teve como alvo o advogado Bruno Oliveira Castro. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu seis mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

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Os investigados poderão responder, conforme a participação individual de cada um, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

A defesa dos citados ainda não havia se manifestado sobre as acusações até o fechamento desta reportagem.

Luan Schiavon

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PF faz buscas contra deputado estadual e desembargador em escândalo de venda de sentenças

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8), uma nova operação para apurar um suposto esquema de venda de sentenças judiciais. Entre os alvos da ação estão o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o desembargador afastado Dirceu dos Santos.

De acordo com as primeiras informações, agentes federais cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A operação é considerada um desdobramento da chamada Operação Sisamnes, que apura possíveis irregularidades envolvendo decisões judiciais.

O desembargador Dirceu dos Santos já havia sido alvo de diligências realizadas pelo Conselho Nacional de Justiça e pela Polícia Federal no dia 2 de março deste ano. Na ocasião, as investigações buscavam reunir provas sobre a suspeita de comercialização de decisões judiciais.

A nova fase da operação amplia o alcance das apurações e coloca sob investigação figuras de destaque do cenário político e jurídico de Mato Grosso. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre os elementos que motivaram as medidas cumpridas nesta segunda-feira.

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As investigações seguem sob sigilo, e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades ao longo do dia.

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Jornalista: Mika Sbardelott

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