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CNJ arquiva reclamação contra seis desembargadores do TJMT

Corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, entendeu que os fatos já são apurados em outro procedimento disciplinar no órgão

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O Corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou o arquivamento da Reclamação Disciplinar apresentada pelos produtores rurais Gilberto Romanato e Eliana Moreira da Silva Romanato contra seis integrantes da Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A decisão foi tomada porque, segundo a Corregedoria Nacional de Justiça, os fatos relatados na reclamação já são objeto de outro procedimento em andamento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dessa forma, a abertura de uma nova apuração configuraria duplicidade.

A representação tinha como alvos os desembargadores Clarice Claudino da Silva, João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes Filho, Nilza Maria Pôssas de Carvalho, Serly Marcondes Alves e Sebastião Barbosa de Farias.

Disputa envolve fazenda avaliada em mais de R$ 350 milhões

A reclamação apresentada pelos produtores rurais está relacionada a uma longa disputa judicial envolvendo a posse e a propriedade da Fazenda Eldorado, localizada em Barra do Garças, a 511 quilômetros de Cuiabá. O imóvel é avaliado em mais de R$ 350 milhões.

Segundo os reclamantes, a propriedade foi vendida em 2012 por R$ 67,5 milhões. Eles afirmam, porém, que receberam apenas R$ 20 milhões como sinal e que, diante do inadimplemento do comprador, houve rescisão extrajudicial do contrato.

Os produtores alegaram ao CNJ que, mesmo após a rescisão, compradores teriam obtido decisões judiciais favoráveis no TJMT para permanecer na posse da área e posteriormente negociar direitos relacionados ao imóvel com instituições financeiras e terceiros.

Entre os argumentos apresentados, os reclamantes questionaram decisões tomadas ao longo dos anos pela Primeira Câmara de Direito Privado e alegaram a existência de supostas irregularidades na condução dos processos.

Acusações foram relacionadas à Operação Sisamnes

Na reclamação, a defesa dos produtores também levantou suspeitas de que decisões relacionadas à Fazenda Eldorado poderiam estar associadas ao esquema de venda de decisões judiciais investigado pela Polícia Federal na Operação Sisamnes.

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Os reclamantes fizeram alegações envolvendo possíveis vícios de suspeição, impedimento, prevaricação e obstrução de investigações. As acusações, contudo, são objeto de apurações específicas e não foram reconhecidas como comprovadas na decisão que determinou o arquivamento da reclamação.

Os produtores também sustentaram que a desembargadora Clarice Claudino da Silva teria alterado o resultado de um julgamento relacionado à disputa.

CNJ aponta existência de outro procedimento

Ao analisar o caso, Mauro Campbell Marques consultou o sistema processual do CNJ e constatou que os fatos apresentados pelos produtores já estão sendo analisados em outro procedimento.

Na decisão, o corregedor destacou que os fatos tratados na Reclamação Disciplinar nº 0001908-14.2026.2.00.0000 coincidem com o objeto da nova representação.

Com base na jurisprudência do próprio Conselho, o ministro afirmou que não é possível instaurar uma segunda apuração disciplinar sobre os mesmos fatos.

Dessa forma, determinou o encerramento definitivo da reclamação apresentada por Gilberto Romanato e Eliana Moreira da Silva Romanato.

Fazenda Eldorado aparece em denúncia da PGR

A disputa pela Fazenda Eldorado também aparece em uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no contexto das investigações sobre suposta venda de decisões judiciais.

Um dos compradores da propriedade, Bernardo Mazzutti, foi denunciado pela PGR em maio deste ano por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Segundo a acusação, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, teriam recebido aproximadamente R$ 7,4 milhões para atuar em favor de interesses relacionados a processos envolvendo a Fazenda Eldorado.

A denúncia aponta que mais de 70% dos valores teriam sido pagos em espécie. As informações foram obtidas a partir das investigações realizadas após a análise do celular de Zampieri.

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De acordo com a PGR, as negociações teriam começado em 2020, quando dois recursos relacionados à disputa tramitavam no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e prosseguido até pelo menos abril de 2022.

As investigações identificaram conversas nas quais Andreson e Zampieri discutiam estratégias para influenciar o resultado dos processos, além de informações sobre o andamento das ações, documentos e possíveis decisões antes da publicação oficial.

A PGR também apontou pagamentos relacionados aos resultados dos processos, incluindo um repasse inicial de R$ 200 mil. No total, a acusação estima que aproximadamente R$ 7,42 milhões tenham sido movimentados no esquema relacionado ao caso.

Desembargadores afastados também foram citados

Entre os desembargadores acionados pelos produtores está João Ferreira Filho, que foi afastado do cargo em agosto de 2024 por suspeitas de envolvimento no esquema de venda de decisões judiciais. Ele atuou como relator em um dos processos relacionados à Fazenda Eldorado.

Também foi citado o desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho, afastado no mesmo período sob suspeita de participação no esquema. Ele acabou aposentado compulsoriamente após completar 75 anos, em novembro de 2025.

As investigações da Operação Sisamnes apontaram supostas relações entre os dois magistrados e o advogado Roberto Zampieri, além de suspeitas de recebimento de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais favoráveis.

As acusações relacionadas ao esquema continuam sendo objeto de investigação e de processos próprios. O arquivamento determinado pelo CNJ neste caso ocorreu especificamente em razão da duplicidade de apuração e não representa, por si só, uma decisão sobre o mérito das acusações apresentadas pelos produtores rurais.

 

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Justiça anula eleições comunitárias no CPA II e Jardim Brasil e determina novos pleitos em Cuiabá

Decisão aponta irregularidades no cadastro de eleitores e na condução dos processos eleitorais; CPA III terá votação retomada

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O juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas, determinou a anulação das eleições das associações de moradores do CPA II e do Jardim Brasil, em Cuiabá, e ordenou a realização de novos pleitos. A decisão também determinou a retomada do processo eleitoral da associação comunitária do CPA III – Setores 2 e 5, após a identificação de irregularidades nas eleições realizadas em 2023.

A ação foi proposta pela Defensoria Pública de Mato Grosso contra a União Cuiabana de Associações de Moradores de Bairro e Similares (Ucamb). A instituição buscava a anulação das eleições comunitárias realizadas em 2023 em oito bairros: Três Poderes, Residencial Paiaguás, CPA II, CPA III, Grande Terceiro, Cidade Verde, Jardim Brasil e Planalto.

A Defensoria também pediu que os novos processos eleitorais seguissem as regras previstas no estatuto da Ucamb, principalmente em relação à formação da Comissão Eleitoral Mista, à publicidade das listas de eleitores e candidatos e à unificação dos cadastros das chapas concorrentes.

A Ucamb contestou a ação e sustentou que os pleitos ocorreram de forma regular, alegando falta de provas das irregularidades apontadas e perda do objeto da ação após a posse dos candidatos eleitos.

CPA II teve eleição anulada

Entre os processos analisados, o caso do CPA II foi considerado suficientemente grave pelo magistrado para justificar a anulação da eleição.

Segundo a sentença, foram identificados cadastros de eleitores vinculados a ruas localizadas fora dos limites do bairro. Também foram habilitados 194 votantes por meio de procedimento excepcional, sem que houvesse demonstração de que as exigências documentais estabelecidas pela própria Comissão Eleitoral Mista haviam sido cumpridas.

Para o juiz, as inconsistências atingiram diretamente a composição do colégio eleitoral.

A situação ganhou ainda mais relevância porque a disputa foi apertada: a diferença entre as chapas concorrentes foi de apenas 12 votos.

Diante disso, o magistrado declarou a nulidade do processo eleitoral e determinou a realização de uma nova eleição, seguindo as regras estabelecidas na sentença.

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Jardim Brasil também terá nova eleição

No Jardim Brasil, a irregularidade identificada esteve relacionada à participação de eleitores que não estavam previamente cadastrados.

Conforme a sentença, a própria ata da eleição registrou que parte dos participantes votou mediante autorização discricionária de fiscais e candidatos, além daqueles que já constavam no cadastro.

Outro ponto considerado relevante foi a ausência da lista oficial de votantes.

De acordo com a decisão, a Ucamb foi intimada diversas vezes para apresentar o documento, considerado essencial para verificar a regularidade da eleição, mas não apresentou a relação oficial.

Diante da impossibilidade de verificar a composição do eleitorado, o juiz decidiu pela anulação da eleição e realização de um novo pleito.

CPA III terá processo eleitoral retomado

No caso do CPA III – Setores 2 e 5, a decisão também determinou a retomada do processo eleitoral.

A medida deverá seguir as diretrizes estabelecidas na sentença, com observância das regras eleitorais da entidade.

Grande Terceiro teve irregularidades, mas eleição foi mantida

A sentença também identificou falhas procedimentais na eleição do Grande Terceiro, entre elas a ausência da Comissão Eleitoral Mista, falta de cadastro unificado de eleitores e a não publicidade da lista de votantes.

Apesar disso, o magistrado entendeu que as irregularidades não foram suficientes para comprometer o resultado da votação.

Segundo a decisão, as chapas participaram normalmente do processo, acompanharam a apuração, assinaram a ata final e não houve demonstração de fraude capaz de alterar o resultado.

A diferença entre os concorrentes foi de 88 votos.

Por esse motivo, o pedido de anulação da eleição do Grande Terceiro foi rejeitado.

Três Poderes não teve eleição concluída

No bairro Três Poderes, o processo teve uma situação diferente.

Segundo a sentença, a eleição sequer foi concluída, permanecendo suspensa antes da finalização.

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Embora tenham sido apontadas possíveis falhas na organização do processo, o juiz entendeu que não havia um resultado eleitoral consumado que pudesse ser anulado.

Assim, os pedidos referentes ao bairro foram julgados improcedentes.

Eleições foram mantidas em três bairros

Nos casos de Cidade Verde, Planalto e Residencial Paiaguás, a Justiça concluiu que as provas produzidas não demonstraram irregularidades capazes de comprometer a legitimidade dos resultados.

Testemunhas relataram a existência de fiscalização das chapas, acompanhamento da apuração, recontagem de votos e elaboração das respectivas atas.

Com isso, os pedidos de anulação das eleições desses três bairros foram rejeitados.

Pedidos da Defensoria foram parcialmente rejeitados

O magistrado também rejeitou três pedidos apresentados pela Defensoria Pública nas alegações finais: a limitação futura da atuação eleitoral da Ucamb, o apoio à regularização jurídica das associações filiadas e a condenação da entidade ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.

Segundo o juiz, esses pedidos não faziam parte da petição inicial nem de seu aditamento e, portanto, não haviam sido submetidos ao contraditório.

Novas eleições em até 60 dias após decisão definitiva

Ao final, o juiz julgou a ação parcialmente procedente e determinou que a Ucamb:

  • realize uma nova eleição no CPA II;
  • realize uma nova eleição no Jardim Brasil;
  • retome o processo eleitoral da associação de moradores do CPA III – Setores 2 e 5.

As providências deverão ser implementadas no prazo de 60 dias após o trânsito em julgado da sentença, conforme determinado na decisão.

A sentença reforça a necessidade de que os próximos processos eleitorais observem as regras estatutárias da entidade, especialmente quanto ao cadastro de eleitores, publicidade das informações e composição da comissão eleitoral.

Jornalista: Luan Schiavon

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