Horas após a consolidação do acordo entre o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, publicou um vídeo ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçando a chapa majoritária que disputará as eleições.
A gravação foi feita durante o lançamento da candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado pelo Distrito Federal, realizado neste domingo (2), e passou a repercutir entre lideranças e militantes do partido em Mato Grosso, em meio ao crescente racha provocado pela aliança entre PL e MDB.
No vídeo, Flávio Bolsonaro dirige uma mensagem ao eleitorado mato-grossense em tom de campanha e repete o tradicional slogan utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Bora, Mato Grosso, vamos resgatar o Brasil, resgatar o nosso agro. Wellington, vamos com tudo. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Mato Grosso é 22, o Brasil é 22”, afirmou.
Antes do encerramento da gravação, Wellington Fagundes faz questão de citar os dois nomes que disputarão as vagas ao Senado na chapa encabeçada pelo PL.
“E [para] senadores José Medeiros e Janaina Riva”, declarou.
Publicação divide militância
A divulgação do vídeo ocorreu poucas horas depois da oficialização do entendimento entre a direção nacional do PL e Janaina Riva, que garantiu a entrada do MDB na composição majoritária liderada por Wellington Fagundes.
Embora o senador tenha adotado um discurso de unidade, a reação entre parte dos apoiadores foi marcada por críticas. Nos comentários da publicação, internautas questionaram a aproximação com o MDB e cobraram coerência do partido.
Um dos seguidores escreveu que “não esperava outra coisa” de Wellington, fazendo referência ao apoio dado pelo senador à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em eleições passadas.
Outro comentário observou que Flávio Bolsonaro não mencionou nominalmente Janaina Riva durante sua fala, apesar de Wellington tê-la incluído no encerramento do vídeo. Houve ainda manifestações afirmando que a aliança poderia comprometer a candidatura do senador ao governo estadual.
Aliança provoca divisão interna
A composição entre PL e MDB foi costurada pela executiva nacional da legenda sem consulta prévia às principais lideranças municipais de Mato Grosso, provocando forte reação dentro do partido.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que não fará campanha para Janaina Riva e declarou que prefere enfrentar sanções partidárias a apoiar a aliança.
“Se meu partido em Mato Grosso juntar com o PT, por fidelidade partidária, tenho que apoiar o PT? Não esperem isso de mim. Ou me libera, ou tolera, ou me expulsa. Com PT e MDB eu não vou.”
Na mesma linha, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), reafirmou que não dividirá palanque com a deputada estadual, lembrando que seu principal adversário político pertence ao MDB e criticando o silêncio de Janaina diante de episódios de ataques políticos sofridos durante seu mandato.
“Também não estarei ao lado de Janaina Riva, que, diante da violência política que enfrentei, do vereador Wanderley Cerqueira, que é do seu partido, escolheu o silêncio. Minha fidelidade é ao povo de Várzea Grande.”
Em Rondonópolis, o prefeito Cláudio Ferreira (PL), aliado do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), também criticou a decisão da direção nacional e afirmou que não pretende mudar sua posição em nome da fidelidade partidária.
“Não vou mudar meus princípios. Se o PL se aliar ao PT amanhã, eu vou ser obrigado a fazer campanha também por fidelidade partidária? Não vou.”
Crise expõe disputa pelo comando da direita
A aliança entre PL e MDB aprofundou a divisão entre a executiva nacional e parte das lideranças bolsonaristas de Mato Grosso. Enquanto Wellington Fagundes busca consolidar uma chapa de unidade com Janaina Riva e José Medeiros na disputa pelo Senado, prefeitos e dirigentes municipais mantêm resistência pública ao acordo.
O episódio evidencia o desafio do PL em manter a coesão interna no estado e sinaliza que a disputa pelo protagonismo do campo conservador em Mato Grosso deve seguir marcada por divergências entre as decisões da direção nacional e a posição das lideranças locais.
Jornalista: Mika Sbardelott
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