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Juíza vê ausência de vínculo direto entre Fávaro e pesquisadora que move ação

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A Justiça de Mato Grosso não reconheceu, neste momento, a responsabilidade direta do senador Carlos Fávaro (PSD), pré-candidato à reeleição, na contratação de uma pesquisadora que ajuizou ação por danos morais após denunciar condições de trabalho que classificou como análogas à escravidão durante atividades de pesquisa de campo.

A decisão foi proferida no último dia 24 pela juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 4ª Vara Cível de Cuiabá. A magistrada entendeu, com base nos documentos apresentados até o momento, que a relação jurídica discutida no processo pode ter ocorrido entre o Partido Social Democrático (PSD) e a empresa Rumo Serviços Publicitários Ltda., responsável pelo recrutamento e gerenciamento das equipes de campo.

O entendimento foi adotado após a defesa de Fávaro sustentar que o senador não manteve qualquer vínculo contratual com a pesquisadora e que a contratação dos trabalhadores foi realizada pelo diretório estadual do PSD por meio da empresa terceirizada.

A ação foi proposta por Patrícia Cristina da Silva, que pede indenização de R$ 65,6 mil por danos morais. Ela afirma ter sido contratada em maio deste ano para atuar em pesquisas de campo, mediante remuneração fixa de R$ 1.850 e meta diária de 35 entrevistas.

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Segundo a autora, entretanto, o modelo de pagamento teria sido alterado para remuneração por produção durante a execução do serviço. Ela também relata ter sido submetida a cobranças consideradas vexatórias em um grupo de WhatsApp e afirma ter enfrentado condições inadequadas de trabalho, incluindo a falta de fornecimento de água potável e dificuldades para desempenhar as atividades sob as altas temperaturas de Cuiabá.

Na decisão, a juíza destacou que os documentos anexados pela defesa, entre eles contrato de prestação de serviços e notas fiscais, indicam que a contratação dos pesquisadores teria sido formalizada entre o PSD e a empresa Rumo Serviços Publicitários Ltda., sem participação direta do senador.

Diante desse cenário, a magistrada determinou que a autora se manifeste, no prazo de 15 dias, sobre a alegação de ilegitimidade de Carlos Fávaro para figurar no polo passivo da ação. Patrícia poderá optar por manter o senador no processo, substituí-lo pelas pessoas jurídicas apontadas ou incluir o partido e a empresa como rés.

Em manifestação anterior, Carlos Fávaro informou que acionou a Justiça Eleitoral contra publicações que, segundo ele, divulgavam informações falsas e buscavam vinculá-lo às denúncias com o objetivo de provocar desgaste político durante o período eleitoral.

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A defesa do parlamentar reafirma que ele não assinou contrato com a pesquisadora, não participou da administração das equipes de campo e não teve qualquer relação direta com a execução dos serviços. O processo terá continuidade após a manifestação da autora, quando a Justiça decidirá sobre a definição das partes responsáveis pela ação.

Jornalista: Mika Sbardelott

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Sob vaias e gritos de “ditador”, convenção do União Brasil tem embate entre Mauro Mendes e Júlio Campos sobre apoio a Pivetta

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A convenção estadual do União Brasil, realizada nesta quinta-feira (30), foi marcada por um intenso confronto político entre o presidente estadual da legenda e ex-governador Mauro Mendes e o deputado estadual Júlio Campos. O impasse ocorreu antes da abertura da votação secreta que definirá se o partido lançará candidatura própria ao Governo de Mato Grosso, com o senador Jayme Campos, ou se apoiará a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

O clima esquentou quando Júlio Campos apresentou uma questão de ordem para contestar a inclusão da proposta de apoio a Pivetta na cédula de votação. Segundo o parlamentar, não existe qualquer documento protocolado pelo Republicanos solicitando formalmente uma coligação com o União Brasil dentro do prazo previsto.

“Não existe nenhum documento protocolado dentro do prazo legal perante o União Brasil relacionado à proposta expressa de coligação ou intenção de receber o apoio da sigla por parte do Republicanos”, afirmou Júlio.

Na avaliação do deputado, a proposta de apoiar Pivetta partiu exclusivamente de uma iniciativa pessoal de Mauro Mendes. Júlio ainda antecipou que poderá contestar judicialmente o resultado da convenção, caso a proposta seja aprovada pelos convencionais.

Mauro rejeita contestação

Mauro Mendes rebateu imediatamente os argumentos e rejeitou a questão de ordem. Segundo ele, o estatuto partidário não exige manifestação formal do Republicanos para que a convenção delibere sobre uma eventual aliança.

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O ex-governador afirmou que a proposta para discutir uma coligação foi devidamente registrada dentro do prazo na Executiva Estadual do partido, assim como a candidatura do senador Jayme Campos.

Além disso, Mendes informou que o departamento jurídico da direção nacional do União Brasil foi consultado previamente e concluiu não haver impedimento para que os convencionais escolhessem, na mesma votação, entre uma candidatura própria e o apoio a um candidato de outra legenda.

Plateia protesta e chama Mauro de “ditador”

Durante a troca de argumentos entre os dois líderes, parte da plateia, formada principalmente por apoiadores de Jayme Campos, intensificou os protestos. O plenário foi tomado por vaias e gritos de “ditador” direcionados a Mauro Mendes.

Apesar das manifestações, o presidente estadual da legenda manteve a condução dos trabalhos.

“Eu respeito a manifestação de aplausos e vaias. Isso faz parte da democracia e não tem problema nenhum”, declarou.

Divergência sobre a cédula

Júlio Campos também questionou a possibilidade de o União Brasil indicar um candidato a vice-governador na eventual chapa de Pivetta. Mauro respondeu que essa hipótese sequer constava na cédula de votação e lembrou que o modelo utilizado havia sido acordado em reunião realizada na véspera com a participação de lideranças do partido, incluindo o próprio Júlio Campos, o senador Jayme Campos, Dilmar Dal Bosco, Aécio Rodrigues e advogados da legenda.

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Mesmo após novo protesto do deputado, Mauro manteve sua decisão, determinou que a manifestação fosse anexada à ata da convenção e autorizou o prosseguimento da votação.

Votação secreta

As urnas foram abertas às 12h33 e permanecerão disponíveis por cinco horas. O voto dos convencionais é secreto e definirá o posicionamento do União Brasil nas eleições estaduais de 2026.

A decisão colocará frente a frente duas alternativas:

  • lançar candidatura própria ao Governo de Mato Grosso com o senador Jayme Campos;
  • ou integrar uma coligação com o Republicanos, apoiando a candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta.

Mauro aprovado ao Senado

Antes da votação para o Governo do Estado, a convenção aprovou por aclamação as chapas de candidatos a deputado estadual e federal.

Também foi homologada a candidatura de Mauro Mendes ao Senado. Dos 33 votos registrados, o ex-governador recebeu 32 favoráveis, tendo apenas um voto contrário — justamente o do deputado Júlio Campos.

Ao defender a candidatura própria do União Brasil, Júlio afirmou que disputar o Governo é fundamental para a sobrevivência política da legenda.

“Partido que não disputa é partido que caminha para sua extinção. Precisamos ter candidatura própria ao Governo, ao Senado, além de chapas completas para deputado federal e estadual”, concluiu.

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