O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez críticas indiretas ao ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), ao comentar a decisão de abandonar as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá e Várzea Grande. A declaração foi feita na quarta-feira (15), durante o anúncio de medidas econômicas voltadas ao crescimento habitacional no país.
Sem citar diretamente o nome de Mauro Mendes, Lula classificou como “irresponsabilidade” a interrupção de obras públicas por motivações políticas, sobretudo quando projetos são descontinuados por terem sido iniciados em gestões anteriores.
“[O governador disse] não vou fazer o VLT, vou fazer um BRT. E ficou encaixotado o trem, até que a Bahia resolveu comprar com desconto. Hoje funciona lá, enquanto em Cuiabá não tem nem VLT, nem BRT funcionando”, afirmou o presidente.
VLT vendido e em operação na Bahia
Lula destacou que os vagões originalmente adquiridos para Mato Grosso foram vendidos ao governo da Bahia com cerca de 40% de desconto e atualmente operam em Salvador. O presidente relatou que chegou a utilizar o sistema durante agenda oficial na capital baiana.
“Eu fui inaugurar o VLT de Salvador e andei no trem. Aquele equipamento foi comprado para a Copa do Mundo de 2014, mas não foi implantado em Mato Grosso porque o governador não quis dar continuidade”, declarou.
Histórico de paralisações e mudanças
Apesar das críticas, a paralisação das obras do VLT ocorreu ainda em 2014, durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa. O projeto, que havia sido planejado para atender à demanda da Copa do Mundo, enfrentou problemas judiciais e denúncias de irregularidades.
Na sequência, o ex-governador Pedro Taques assumiu o governo em 2015 e não deu continuidade imediata às obras, alegando entraves legais. Em 2017, chegou a firmar um acordo para retomada do projeto, mas desistiu após a Operação Descarrilho, que investigava supostos esquemas de corrupção envolvendo o empreendimento.
Em 2019, já sob a gestão de Mauro Mendes, o governo estadual herdou a obra com cerca de 70% de execução. No entanto, em dezembro de 2020, foi anunciada oficialmente a substituição do VLT pelo sistema de ônibus rápido (BRT), sob a justificativa de redução de custos e maior viabilidade.
BRT ainda não foi concluído
Quase quatro anos após a decisão, o sistema BRT ainda não está em funcionamento e apresenta menos de 30% das obras concluídas, segundo dados recentes. A demora tem sido alvo de críticas de autoridades e da população, que enfrenta problemas de mobilidade urbana na região metropolitana de Cuiabá.
O projeto original do VLT estava orçado em R$ 1,084 bilhão. Já os vagões foram vendidos em 2024 por R$ 793,7 milhões ao governo baiano.
Críticas à descontinuidade de obras
Durante o evento, Lula também afirmou que encontrou milhares de obras paralisadas ao assumir seu terceiro mandato em 2023. Entre elas, estavam cerca de 87 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida e quase 6 mil obras de escolas e creches.
Para o presidente, a descontinuidade administrativa compromete o desenvolvimento do país e prejudica diretamente a população. “São obras que poderiam estar funcionando e atendendo as pessoas. Muitas vezes, o problema é simplesmente a falta de continuidade”, concluiu.
Jornalista: Mika Sbardelott
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