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Medeiros rebate críticas à família sentado na privada

Candidato ao Senado pelo PL, deputado federal publicou vídeo nas redes sociais e afirmou que esposa e filho trabalham e que dinheiro da família é “suado”

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O deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso, José Medeiros (PL), reagiu de forma inusitada às críticas envolvendo familiares que ocupam cargos públicos em Brasília. Sentado na privada de um banheiro, o parlamentar gravou um vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (15), no qual afirmou que estava “dando descarga” nas notícias e críticas feitas contra sua família.

“Fico pensando no que vou fazer com essas notícias todas me atacando. Eu vim ao banheiro dar descarga nelas”, afirmou.

As críticas ganharam força após informações sobre os vínculos funcionais da esposa de Medeiros, Ruth Shizue Yamamoto Medeiros, e do filho, Marco Antonio Yamamoto Medeiros, com estruturas públicas em Brasília. Segundo informações divulgadas com base em dados de transparência, Marco Antonio, de 25 anos, ocupa desde fevereiro de 2025 o cargo de chefe do Escritório de Representação da Prefeitura de Rondonópolis em Brasília, com remuneração bruta de R$ 19.201,87. Ele está lotado na Secretaria Municipal de Governo e possui ensino superior incompleto, conforme os registros citados.

A esposa do parlamentar é servidora efetiva da Prefeitura de Rondonópolis desde 2002, onde ocupa o cargo de especialista em saúde. Ela está cedida ao Senado Federal desde 2019 e exerce função vinculada à estrutura da Presidência da Casa. Dados publicados sobre sua remuneração apresentam valores diferentes conforme a fonte e o momento da consulta.

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“Tenho o maior orgulho da minha família”

No vídeo, Medeiros defendeu os familiares e afirmou que os integrantes da família trabalham regularmente.

“Minha esposa é concursada, meu filho trabalha em Brasília todos os dias, não é proibido ser servidor público. Minha filha trabalha como caixa de supermercado, tenho o maior orgulho dela”, declarou.

O candidato também afirmou que não se envergonha da situação e rebateu as críticas feitas durante o período eleitoral.

“O dinheiro que entra lá em casa é suado, não é roubado. Dizem que eu estou em último nas pesquisas, mas não param de atacar minha família. Eu tenho o maior orgulho da minha família e não tenho vergonha, eles trabalham todos os dias”, afirmou.

As informações sobre os cargos dos familiares, por si só, não estabelecem irregularidade. O debate público levantado nas redes sociais envolve principalmente os valores das remunerações, as nomeações e a proximidade política dos cargos com o ambiente de atuação de Medeiros.

Ataques a Alcolumbre

No mesmo vídeo, Medeiros voltou a atacar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao defender que seus aliados formem maioria na Casa para retirá-lo da presidência.

“Sobre Davi Alcolumbre já falei e torno a falar: vamos fazer maioria no Senado para tirar o gordinho de lá. Nada contra os gordinhos, mas o Davi está sentado em cima do impeachment do Alexandre de Moraes”, declarou.

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A fala faz referência à cobrança de Medeiros para que o Senado dê andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente o ministro Alexandre de Moraes.

Medeiros tem usado a campanha ao Senado para defender uma atuação mais incisiva do Legislativo diante do STF. Em manifestações anteriores, o deputado também já criticou a condução do Senado em relação aos pedidos de impeachment de ministros da Corte.

Disputa eleitoral

A exposição dos cargos ocupados por familiares ocorre em meio à disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado nas eleições de 2026. Medeiros tenta retornar à Casa onde já exerceu mandato antes de assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados.

No vídeo, o candidato relacionou as críticas à sua família ao cenário eleitoral e afirmou que, apesar dos ataques, continuará defendendo seus familiares.

“Minha família virou alvo, mas eu tenho orgulho deles. São pessoas que trabalham e que têm suas próprias histórias profissionais”, disse Medeiros, em síntese da argumentação apresentada na publicação.

O episódio repercutiu justamente pela forma escolhida pelo parlamentar para responder às críticas: dentro de um banheiro, sentado na privada e usando a descarga como metáfora para rejeitar as notícias e ataques que, segundo ele, vêm sendo direcionados à sua família.

Jornalista: Mika Sbardelott

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TRE manda Abílio retirar vídeo que associa eleitores de Lula a criminosos e usuários de drogas

Juiz considerou que publicação ultrapassou os limites da crítica política e determinou remoção em 24 horas, sob pena de multa de R$ 5 mil por dia

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou que o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), retire, no prazo de 24 horas, um vídeo publicado em seu perfil no Instagram no qual associa eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a presidiários, integrantes de facções criminosas, usuários de drogas e pessoas em situação de vulnerabilidade.

A decisão liminar foi proferida nesta terça-feira (15) pelo juiz auxiliar da propaganda eleitoral Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado, em ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Segundo a representação, o conteúdo teria ultrapassado os limites da crítica política ao desqualificar de forma generalizada os eleitores de Lula e, na sequência, utilizar essas afirmações para atacar o PT e promover candidaturas adversárias.

“Presidiário, faccionado, drogado”

No vídeo questionado pela Justiça Eleitoral, Abílio comenta o desempenho de Lula em pesquisas eleitorais e afirma que os números estariam relacionados à existência de pessoas monitoradas por tornozeleira eletrônica.

Em seguida, ao responder quem seriam os principais eleitores do presidente, declara:

“Presidiário, faccionado, drogado, dependente químico, pessoas no mundo totalmente perdidas.”

O prefeito também associa apoiadores de Lula à defesa do aborto, prostituição, drogas e ao que classifica como “promiscuidade”.

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Pedido de votos pesou na decisão

Para o juiz eleitoral, o contexto completo da publicação foi determinante. Logo depois das declarações sobre os eleitores de Lula, Abílio pede votos para Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, José Medeiros (PL) ao Senado e Samantha Iris (PL) para deputada estadual.

Na sequência, defende a necessidade de “tirar o PT” do poder.

Na avaliação registrada na decisão, essa sequência indicaria que as afirmações sobre o eleitorado não foram apresentadas apenas como crítica política, mas utilizadas como argumento para atacar o PT e favorecer candidaturas adversárias.

Juiz diferencia crítica de estigmatização

Morgado ressaltou que a liberdade de expressão deve ser preservada durante o período eleitoral, inclusive quando candidatos fazem críticas duras a partidos, governos e adversários.

O magistrado, porém, entendeu que, analisado em conjunto, o vídeo aparentemente ultrapassou esse limite ao atribuir, de maneira generalizada, características criminosas e moralmente degradantes a pessoas exclusivamente em razão de sua preferência política.

A decisão também aponta que a permanência do conteúdo nas redes sociais poderia ampliar sua circulação durante a campanha e interferir na formação da vontade dos eleitores.

Multa de R$ 5 mil por dia

Por isso, o juiz concedeu liminar determinando a retirada do vídeo em até 24 horas. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 5 mil.

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Abílio deverá apresentar defesa no prazo de dois dias. Depois disso, a Procuradoria Regional Eleitoral deverá se manifestar antes do julgamento do mérito da representação.

A determinação não impede o prefeito de publicar futuramente conteúdos sobre o mesmo tema. O próprio magistrado rejeitou um pedido de proibição genérica de novas manifestações semelhantes, por entender que isso configuraria censura prévia. Eventuais novas publicações consideradas irregulares deverão ser analisadas individualmente pela Justiça Eleitoral.

Abílio volta ao tema após decisão

Após a decisão, Abílio publicou um novo vídeo nas redes sociais retomando as declarações que motivaram a ação. Na nova gravação, voltou a relacionar eleitores de Lula a presos, integrantes de facções e usuários de drogas e pediu que seus seguidores se manifestassem como suas “testemunhas”.

A nova publicação, segundo a decisão divulgada, não está automaticamente abrangida pela liminar anterior. Caso a federação entenda que o novo conteúdo também viola a legislação eleitoral, será necessário apresentar um novo pedido à Justiça Eleitoral.

O episódio ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026 e amplia a disputa jurídica em torno dos limites da propaganda política e das manifestações de candidatos e apoiadores nas redes sociais.

Jornalista: Mika Sbardelott

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