“Uma criança pode pedir ajuda sem dizer uma palavra”: Dra. Claudia Camargo fala sobre proteção da infância no Conexão Materna
Advogada e conhecida como “Doutora da Proteção”, Claudia Camargo participou do podcast e abordou violência infantil, abuso, internet, saúde mental e os desafios da rede de proteção
Uma mudança repentina de comportamento, o silêncio, o medo ou o isolamento podem ser sinais de que uma criança está enfrentando alguma situação que não consegue verbalizar. Foi a partir dessa reflexão que o Conexão Materna recebeu a advogada Dra. Claudia Camargo, conhecida como “Doutora da Proteção”, para uma conversa sobre os desafios de proteger crianças e adolescentes.
Durante o episódio, Claudia falou sobre sua trajetória profissional dedicada à proteção da infância e destacou a importância de adultos, famílias, escolas e instituições estarem atentos aos sinais apresentados pelas crianças.
Proteção começa antes da violência
Um dos principais pontos da conversa foi a necessidade de trabalhar com prevenção.
Para Claudia, a proteção não deve começar somente depois que uma situação de violência é identificada. A orientação das crianças, a informação das famílias e a preparação dos profissionais que convivem com elas fazem parte de uma rede que precisa funcionar de maneira integrada.
A entrevista também abordou a dificuldade que muitas crianças encontram para contar que estão sofrendo algum tipo de violência.
Nesse contexto, a mudança de comportamento pode se tornar um importante sinal de alerta para pais e responsáveis.
Abuso infantil exige informação e atenção
O abuso sexual infantil também esteve entre os assuntos discutidos no programa.
A conversa destacou a importância de adaptar a orientação à idade da criança, ensinando conceitos relacionados à proteção do corpo, limites e confiança em adultos responsáveis.
Outro ponto levantado foi a necessidade de acreditar e acolher a criança quando ela procura ajuda, evitando atitudes que possam aumentar o medo ou dificultar a busca por proteção.
O perigo também pode estar dentro da tela
A internet trouxe novos desafios para as famílias.
Durante o episódio, Claudia chamou atenção para a necessidade de os pais conhecerem o ambiente digital frequentado pelos filhos. Redes sociais, jogos e aplicativos de comunicação podem expor crianças e adolescentes a diferentes situações de risco.
A discussão também abordou o equilíbrio entre acompanhamento dos filhos e respeito à privacidade, além da responsabilidade dos adultos na educação digital.
Escola como parte da rede de proteção
O papel das escolas também ganhou espaço na entrevista.
Além de ensinar, o ambiente escolar pode ser um local onde mudanças de comportamento são percebidas por professores e outros profissionais que convivem diariamente com crianças e adolescentes.
Para que isso aconteça de maneira adequada, a discussão passa pela capacitação dos profissionais e pela integração entre escola, família, saúde, assistência social, Conselho Tutelar e demais órgãos responsáveis pela proteção.
Saúde mental e o cuidado com quem cuida
Outro tema abordado foi a saúde mental das crianças.
Ansiedade, isolamento, mudanças de comportamento e dificuldades de convivência podem exigir atenção dos adultos e, quando necessário, acompanhamento especializado.
A entrevista também trouxe uma reflexão sobre as pessoas responsáveis pelo cuidado.
Pais, mães, professores e profissionais que trabalham diretamente com crianças também enfrentam sobrecarga e precisam de apoio para exercer suas funções dentro da rede de proteção.
Claudia Camargo também falou sobre sua decisão de entrar para a política.
Advogada, ela disputa uma vaga de deputada estadual por São Paulo, pelo Podemos, com o número 20223.
No episódio, a discussão sobre a candidatura foi relacionada à possibilidade de transformar a experiência acumulada na área de proteção em propostas e políticas públicas voltadas à infância, adolescência e famílias.
A participação política, nesse contexto, abriu espaço para discutir como ações de prevenção, fortalecimento da rede de proteção e políticas públicas podem ser estruturadas para alcançar diferentes comunidades.
Uma pergunta para pais e responsáveis
Ao final da entrevista, o Conexão Materna propôs uma reflexão:
E se uma criança estiver tentando pedir ajuda sem conseguir falar?
A pergunta resume uma das principais mensagens da conversa: observar, ouvir e acolher podem ser atitudes fundamentais para que uma situação de vulnerabilidade seja percebida.
A entrevista completa com a Dra. Claudia Camargo está disponível no canal do Conexão Materna no YouTube.
Conexão Materna é um espaço dedicado a conversas sobre família, filhos, maternidade, paternidade, infância e temas de interesse público que impactam a vida das famílias.
Caso Lara Maria: menina de 12 anos saiu para comprar um refrigerante e nunca mais voltou; mãe transforma dor em luta
Menina de 12 anos saiu de casa para comprar um refrigerante e nunca mais voltou; após a perda da filha, mãe transformou o luto em mobilização por justiça e apoio a outras famílias
Há histórias que o tempo não consegue apagar. A de Lara Maria, menina de apenas 12 anos, é uma delas.
Lara saiu de casa para comprar um refrigerante e não voltou. O desaparecimento mobilizou familiares e pessoas da comunidade e terminou de forma trágica, deixando uma mãe diante de uma das dores mais difíceis de imaginar: a perda de uma filha.
Mas, em meio ao luto, a mãe de Lara encontrou forças para transformar a dor em uma luta que ultrapassou a própria história da família.
Uma luta que ganhou um novo significado
Depois da tragédia, nasceu a Rede Lara Maria, criada como uma rede de apoio para vítimas de violência e seus familiares.
A proposta é acolher famílias que, muitas vezes, além de enfrentarem a perda ou o trauma, precisam lidar com a longa caminhada em busca de respostas e justiça.
A iniciativa também busca dar visibilidade a casos que podem acabar esquecidos com o passar do tempo.
Para a mãe de Lara, manter a memória da filha viva tornou-se parte dessa luta.
A mobilização também ganhou espaço no YouTube por meio do canal “Lara Maria por Todos”.
O canal é direcionado às atualizações relacionadas ao caso Lara e também abre espaço para outras famílias de vítimas, permitindo que suas histórias sejam conhecidas e acompanhadas.
A iniciativa procura criar uma rede entre famílias que enfrentam situações semelhantes e fortalecer a cobrança por respostas e justiça.
Uma história que continua
A trajetória de Lara deixou de ser apenas a história de uma família marcada pela violência. O nome da menina passou a representar também uma mobilização em defesa da memória das vítimas e do direito das famílias de serem ouvidas.
A história mostra ainda uma realidade enfrentada por muitas famílias: depois que os holofotes da imprensa diminuem, a dor continua — e a busca por justiça também.
É nesse espaço que iniciativas como a Rede Lara Maria procuram atuar, oferecendo apoio, informação e visibilidade.
Conexão Materna
A história de Lara Maria será tema de um episódio especial do podcast Conexão Materna, que recebe a mãe da menina para uma conversa sobre maternidade, memória, luto, justiça e a criação da rede de apoio.
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