A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre, na manhã desta quarta-feira (16), três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra integrantes de um grupo investigado por um esquema de extorsão digital envolvendo a ameaça de divulgação de conteúdos íntimos.
As ordens judiciais são cumpridas em Tangará da Serra, Barra do Bugres e Cáceres, a 253 km, 177 km e 220 km de Cuiabá, respectivamente. A ação faz parte da Operação Arcanum, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que também cumpre um mandado de busca e apreensão em Santa Catarina.
Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam uma plataforma de relacionamento voltada a casais liberais para localizar possíveis vítimas. Após estabelecer contato, o grupo teria passado a exigir pagamentos sob a ameaça de divulgar fotos, vídeos e outros conteúdos íntimos.
Vítimas eram ameaçadas de exposição
As investigações começaram depois que vítimas procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal para relatar que estavam sendo ameaçadas por pessoas que afirmavam possuir imagens e outros materiais íntimos.
De acordo com os relatos, os suspeitos exigiam dinheiro para não encaminhar os conteúdos a familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas.
Durante a apuração, os policiais analisaram dados digitais e movimentações financeiras e encontraram indícios de ligação entre os investigados.
Os elementos reunidos apontaram, segundo a polícia, para uma atuação coordenada, com repetição do mesmo método de abordagem.
Investigação encontrou possíveis vítimas em outros estados
Com o avanço das diligências, os investigadores localizaram outras possíveis vítimas, inclusive fora do Distrito Federal.
Os relatos apresentavam um padrão semelhante: após o contato, ocorria a ameaça de exposição de conteúdo íntimo, acompanhada da exigência de dinheiro para impedir a divulgação.
A investigação também identificou, conforme a Polícia Civil, o uso de contas bancárias digitais e intermediários financeiros para movimentar os valores supostamente obtidos nas extorsões.
A estratégia teria como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro e a identificação dos responsáveis pela movimentação dos recursos.
Grupo ainda estaria em atividade
Os investigadores encontraram ainda indícios de que a prática poderia continuar ocorrendo, o que levou à solicitação das medidas judiciais.
A operação busca interromper a atuação do grupo e evitar que novas pessoas sejam vítimas do esquema.
Durante as buscas, os policiais procuram apreender celulares, computadores, outros dispositivos eletrônicos, documentos e materiais que possam contribuir para esclarecer os crimes.
Todo o material recolhido deverá passar por análise técnica.
Crimes investigados
Os suspeitos são investigados pelos crimes de extorsão, associação criminosa e divulgação ou transmissão de cena de nudez ou conteúdo íntimo sem consentimento.
Somadas, as penas máximas previstas para esses crimes podem chegar a 18 anos de prisão, sem considerar eventuais outros delitos que possam ser identificados no decorrer das investigações.
Em Mato Grosso, o cumprimento dos mandados é realizado por policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), com apoio das delegacias das cidades envolvidas. A Polícia Civil de Santa Catarina também participa da operação.
Por que “Arcanum”?
O nome da operação faz referência à ideia de algo oculto ou secreto.
Segundo a Polícia Civil, a denominação está relacionada à estratégia atribuída aos investigados, que explorariam o medo das vítimas de terem a intimidade exposta para pressioná-las a realizar os pagamentos exigidos.
As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas, esclarecer a participação individual dos investigados e verificar a extensão do esquema.
Jornalista: Mika Sbardelott
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