Saúde

Justiça reconhece burnout e condena Banco do Brasil a indenizar ex-caixa em MT

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Diagnosticada com síndrome de burnout, depressão e ansiedade generalizada, uma ex-caixa do Banco do Brasil obteve na Justiça o direito de ser ressarcida pelos gastos com psicoterapia, inclusive tratamentos futuros, além de receber indenização de R$ 20 mil por danos morais. A decisão é da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT/MT), que reconheceu o nexo entre as doenças psíquicas e o ambiente de trabalho, marcado por cobranças excessivas e assédio moral.

A condenação foi fixada após recurso apresentado pela trabalhadora, já que a Vara do Trabalho de Cáceres havia rejeitado, inicialmente, os pedidos de indenização por danos materiais e morais. Com cerca de 11 anos de atuação como caixa executiva, a ex-funcionária alegou ter desenvolvido doenças ocupacionais físicas e psíquicas em razão das condições de trabalho.

A perícia judicial afastou o nexo causal entre o trabalho e os problemas na coluna, como radiculopatia e lombalgia, por considerá-los de natureza degenerativa. No entanto, o laudo confirmou a relação direta entre os transtornos mentais e o ambiente profissional.

No processo, a trabalhadora relatou que, mesmo com fortes dores na coluna, era liberada apenas para tomar injeções e obrigada a retornar ao posto de trabalho, sob a justificativa de falta de substituto. Segundo ela, a situação se arrastou por mais de dois anos, até a realização de duas cirurgias na região lombar, em 2021 e 2022.

A pressão psicológica também foi detalhada nos autos. A ex-caixa afirmou que, em uma reunião, um gerente expôs seu problema de saúde diante de colegas e afirmou que suas faltas prejudicavam o andamento do serviço, pressionando-a a não se ausentar. Em outra ocasião, um atestado médico de 10 dias teria sido recusado pelo banco, o que levou ao adiamento de uma cirurgia de urgência por 15 dias, a pedido do gerente, que estava de férias.

Ao analisar o recurso, o relator desembargador Aguimar Peixoto destacou que, embora o cumprimento de metas seja inerente à atividade bancária, a cobrança deve ocorrer dentro de parâmetros razoáveis, sem ameaças ou constrangimentos, sob pena de extrapolar o poder diretivo do empregador.

A perícia concluiu que a saúde mental da trabalhadora estava comprometida pela pressão psicológica e pelas exigências da função, diagnosticando depressão, síndrome de burnout, ansiedade generalizada, transtorno do pânico e agorafobia. O relator ressaltou ainda que um relatório psicológico de 2020, anterior à perícia judicial, já indicava sinais claros de adoecimento relacionado ao trabalho.

Por unanimidade, a 2ª Turma do TRT/MT determinou o ressarcimento das despesas já realizadas com psicoterapia, bem como das futuras, mediante comprovação, além do pagamento de R$ 20 mil por danos morais. O acórdão reconheceu a existência de nexo concausal entre as doenças psíquicas e a atividade exercida, com base em provas periciais e testemunhais.

O Tribunal, contudo, negou os pedidos de lucros cessantes, pensionamento e estabilidade acidentária. Segundo a decisão, não houve comprovação de incapacidade laboral decorrente das doenças mentais, nem afastamento superior a 15 dias ou concessão de auxílio-doença acidentário, requisitos previstos em lei. Além disso, a trabalhadora não foi dispensada, e o adoecimento é conhecido desde 2020, afastando a aplicação da Súmula 378 do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Jornalista: Mika Sbardelott

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Saúde

Desmistificando o Autismo reúne mais de 2,4 mil profissionais em Várzea Grande

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Mais de 2.400 profissionais da educação participaram, na noite desta segunda-feira (8), da capacitação “Desmistificando o Autismo e a Educação Inclusiva”, realizada em Várzea Grande. Essa capacitação foi estruturada pela vereadora por Cuiabá Maysa Leão (Republicanos), e já passou por 23 municípios do estado de Mato Grosso, impactando mais de 15.000 pessoas nos últimos 4 anos.

Ativista, especialista em TEA, TDAH e Inclusão pela PUC-PR, Maysa é uma das principais referências em Mato Grosso na defesa dos direitos das pessoas com deficiência e da educação inclusiva. A edição da capacitação em Várzea Grande contou com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, que reuniu educadores, técnicos em educação, gestores e especialistas para esse debate sobre inclusão escolar, diagnóstico, terapias e Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Ao compartilhar sua trajetória, Maysa relembrou que sua atuação na causa nasceu da experiência como mãe de João Lucas, autista. Desde então, transformou a vivência familiar em uma missão pública de conscientização, acolhimento e defesa de políticas públicas voltadas às pessoas neurodivergentes. “Eu não escolhi essa pauta por acaso. Ela entrou na minha vida através do meu filho e mudou completamente a forma como eu enxergo a educação, a inclusão e os direitos das pessoas com deficiência”, afirmou.

A abertura do evento foi realizada pelo servidor público e autista Davi Moretti, que falou sobre os desafios enfrentados por pessoas neurodivergentes e a necessidade de fortalecer a inclusão nas escolas. “Quero que a educação inclusiva chegue até a ponta, que é a escola. Hoje eu luto pela igualdade dessas crianças e pela construção de oportunidades para todos”, destacou.

A programação também contou com a participação da fonoaudióloga Claudiane Marques Campos, que abordou a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), ferramenta essencial para ampliar a comunicação e a participação de pessoas com dificuldades na fala. A especialista apresentou estratégias e recursos que podem ser utilizados pelos profissionais da educação para promover mais autonomia e inclusão no ambiente escolar.

A prefeita Flávia Moretti ressaltou a importância da iniciativa para a qualificação da rede municipal de ensino. “Aprender nunca é demais. Ter a oportunidade de compartilhar conhecimento com a Maysa Leão é importante para que os educadores levem esse aprendizado para as escolas, para os alunos e para as famílias”. Já a secretária municipal de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, destacou que investir na formação continuada dos profissionais é fundamental para garantir uma educação cada vez mais inclusiva e acolhedora.

Encerrando a capacitação, Maysa reforçou que a transformação da realidade das pessoas com deficiência passa pelo conhecimento e pela preparação dos profissionais que estão diariamente nas salas de aula. “Cada professor que sai daqui mais preparado representa uma criança em desenvolvimento. O meu sonho é que famílias e educadores não precisem mais lutar para que a inclusão aconteça de forma estruturada nas escolas. E isso começa com formação continuada, e compromisso com execução das políticas de inclusão”, concluiu.

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