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McDonald’s de Cuiabá é condenado após funcionária ser assediada e exposta por gerência

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Uma atendente de uma unidade do McDonald’s em Cuiabá foi vítima de assédio sexual dentro do ambiente de trabalho e acabou encurralada contra a parede e apalpada por um segurança que atuava no mesmo restaurante. O caso ocorreu enquanto a funcionária realizava a limpeza e recolhimento de bandejas no salão inferior do estabelecimento.

A empresa responsável pela franquia foi condenada pela 9ª Vara do Trabalho de Cuiabá a pagar R$ 25 mil em indenizações à vítima. Do total, R$ 20 mil referem-se ao dano moral por assédio sexual e R$ 5 mil adicionais por exposição vexatória.

Segundo o processo, após sofrer o ataque, a trabalhadora procurou a chefia da unidade para denunciar a agressão. No entanto, em vez de acionar as autoridades policiais, o gerente do restaurante teria tentado abafar o caso, afirmando que a situação seria tratada internamente e orientando a funcionária a não relatar o ocorrido, sob alegação de dificuldade de comprovação. Pouco depois, ela foi transferida de unidade.

Durante a ação judicial, o representante da rede negou o assédio, mas confirmou a existência da denúncia e de câmeras de monitoramento no local. A defesa afirmou que analisou as imagens internamente e decidiu pelo afastamento do segurança, porém se recusou a apresentar as gravações ao Judiciário.

Diante da negativa, o juiz Wanderley Piano aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), considerando o depoimento da vítima como elemento central para a decisão.

Na sentença, o magistrado destacou o dever do empregador de garantir um ambiente de trabalho seguro e livre de violência, citando ainda normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a prevenção e punição de violência psicológica e sexual no ambiente profissional.

O segundo ponto da condenação refere-se à exposição indevida da trabalhadora. Conforme o processo, em julho de 2025, um vídeo de uma queda sofrida pela funcionária durante o expediente foi gravado pelo sistema de segurança e compartilhado por uma gerente em grupos de funcionários, o que teria causado constrangimento à vítima.

Além da condenação civil, o juiz determinou o envio de ofício ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que deverá avaliar a abertura de investigação criminal sobre o caso, que envolve possíveis crimes contra a dignidade sexual.

Jornalista: Luan Schiavon

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Desembargadora do TRT-MT denuncia racismo estrutural em supermercado da capital

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A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), Adenir Carruesco, relatou nas redes sociais ter sido vítima de racismo estrutural enquanto fazia compras em um supermercado de Cuiabá. O episódio, segundo ela, reflete preconceitos enraizados na sociedade brasileira.

Em seu relato, Adenir descreveu que foi abordada insistentemente por uma cliente que buscava informações sobre produtos, assumindo automaticamente que a magistrada trabalhava no local. “Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que estava ali para servi-la. Mas essa senhora não cometeu nenhum ato racista. Ela agiu pela lógica. Pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou, o lugar natural do preto é o serviço”, afirmou.

A desembargadora destacou que a questão vai além do episódio isolado, criticando a forma como pessoas negras ainda são percebidas no Brasil. “Os pretos brasileiros não estão nos tribunais superiores. Basta ver, e a mulher negra, menos ainda. Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal. O problema não é aquela mulher no supermercado. É a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada”, escreveu Adenir.

Adenir Carruesco foi a primeira desembargadora negra a assumir a presidência do TRT-MT. Militante do movimento negro e da diversidade étnica e racial, a magistrada já chegou a ser cotada para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

O caso reforça a discussão sobre racismo estrutural no país e como estereótipos históricos ainda influenciam percepções e comportamentos cotidianos.

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