A biomédica Caroline Fernandes, filha da empresária Gleici Keli Geraldo, morta a facadas pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson, criticou o uso de recursos públicos para custear o tratamento psiquiátrico do acusado, que está internado em uma unidade de saúde de Cuiabá.
Em uma publicação nas redes sociais, feita no domingo (6), Caroline classificou a situação como uma “piada de mau gosto” e questionou os gastos do Estado com a internação.
“Dinheiro de cofre público sendo usado para bancar colônia de férias de criminoso é, no mínimo, piada de mau gosto. Mais de R$ 200.000,00 do Estado gastos com tratamento de alguém com uma esquizofrenia tanto quanto seletiva?”, escreveu.
As declarações foram feitas após o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família de Gleici, divulgar trechos de imagens das câmeras de segurança da residência onde ocorreram os ataques, em Lucas do Rio Verde, a 330 quilômetros de Cuiabá.
Ataque aconteceu enquanto vítima dormia
Gleici tinha 42 anos quando foi morta, em 24 de junho de 2025. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ela foi atingida por 21 golpes de faca enquanto dormia.
Na mesma ocasião, a filha do casal, que tinha 7 anos à época, também foi atacada. A criança sofreu oito golpes de faca, mas sobreviveu e recebeu atendimento médico.
Em uma série de publicações, Caroline questionou a condição psiquiátrica atribuída ao padrasto. Ela afirmou que imagens registradas momentos antes do crime mostram comportamentos que, na avaliação dela, seriam incompatíveis com a alegação de insanidade mental.
Segundo Caroline, cerca de 40 minutos antes dos ataques, Daniel teria verificado se as vítimas continuavam dormindo, escolhido a arma usada no crime e mexido em uma câmera de segurança na tentativa de desligá-la.
Ela também afirmou que o acusado teria circulado pela residência antes de agir, em um comportamento que, segundo ela, demonstraria que ele estaria criando coragem para cometer o crime.
Ataque contra a filha
Caroline relatou ainda que, após atacar Gleici, Daniel teria deixado o quarto e posteriormente retornado para atacar a própria filha.
De acordo com a publicação, ele teria acordado a menina, pedido desculpas e a abraçado antes de golpeá-la.
A biomédica também afirmou que, após os ataques, o acusado teria desbloqueado o próprio telefone e enviado uma mensagem ao irmão.
Caroline questionou ainda o fato de Daniel, segundo ela, ter relatado detalhes do crime logo após os acontecimentos e posteriormente alegado não se lembrar do que havia feito.
Filha questiona tratamento fora do sistema prisional
Nas redes sociais, Caroline também criticou a utilização de recursos públicos para o tratamento psiquiátrico do acusado.
Ela defendeu que, caso não existam vagas disponíveis em hospitais públicos, Daniel deveria receber atendimento dentro do sistema prisional.
“Se no hospital público não há vagas, resta 1 alternativa: trate no presídio assim como todos os outros detentos. Ou esse é especial?”, escreveu.
As declarações refletem a posição da filha da vítima e os questionamentos da família sobre a condição psiquiátrica do acusado. A avaliação sobre a saúde mental de Daniel, entretanto, depende de laudos e perícias médicas e judiciais, não podendo ser determinada apenas com base nas imagens ou nas declarações de familiares.
Suposta ameaça antes do crime
Caroline também contestou uma informação relacionada a uma suposta ameaça feita dois dias antes do assassinato.
Segundo ela, a irmã de Daniel teria sido informada sobre a ameaça e, aproximadamente uma hora depois de conversar com Gleici, teria pedido que as facas da residência fossem escondidas.
A biomédica levantou dúvidas sobre o episódio e questionou se a atitude teria relação com alguma informação recebida anteriormente.
O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades responsáveis pela investigação e pelo processo judicial.
Jornalista: Luan Schiavon
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