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Família de acusado de feminicídio registra BO contra advogado após divulgação de vídeos do crime

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A família do engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa, a empresária Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, e tentar matar a própria filha, de 7 anos, registrou um boletim de ocorrência contra o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que atua como assistente da acusação no processo.

O registro foi feito no último domingo (6), por um irmão de Daniel, que também é apontado como curador do acusado. A medida ocorreu após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que mostram momentos anteriores e posteriores ao assassinato de Gleici, ocorrido em Lucas do Rio Verde (333 km de Cuiabá).

Segundo a família, a publicação das gravações teria violado o segredo de Justiça e provocado exposição indevida dos familiares envolvidos no caso. No boletim, eles pedem a retirada dos arquivos das redes sociais e a apuração de eventuais responsabilidades nas esferas cível e criminal.

O caso ganhou nova repercussão depois que o advogado Rodrigo Pouso reagiu publicamente ao registro policial e afirmou que pretende divulgar outras gravações.

“Então registraram B.O., né? Amanhã tem mais vídeo! Aguardem. Inclusive, vou juntar esses vídeos para serem usados lá no Tribunal do Júri. Aí, sim. Por enquanto os vídeos não estão no processo”, declarou.

Advogado diz que imagens pertencem às filhas da vítima

Pouso afirmou que as gravações divulgadas não fazem parte de processos que tramitam sob sigilo e sustentou que o material pertence às filhas de Gleici.

“Esse vídeo não está relacionado com processo nenhum. Esse vídeo não tem sigilo. Esse vídeo é de propriedade, inclusive, das filhas da vítima”, afirmou.

O advogado também questionou a inclusão da criança sobrevivente no boletim de ocorrência, destacando que atua como representante legal da menina.

Além da divulgação das imagens, Pouso afirmou que pretende apresentar o material no Tribunal do Júri para contestar a tese apresentada pela defesa de Daniel, segundo a qual ele teria cometido os ataques durante um surto psicótico.

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Imagens mostram momentos antes e depois do assassinato

As gravações divulgadas mostram discussões entre Daniel e Gleici nos dias que antecederam o crime. Segundo o material apresentado pelo advogado, alguns dos conflitos estavam relacionados a questões financeiras.

Em uma das discussões, Daniel aparece alterado e reclama de valores que teria gasto.

Em outro momento, a irmã do acusado e cunhada de Gleici aparece tentando acalmá-lo. Segundo o advogado, também há uma mensagem enviada por ela à vítima na qual pede que Gleici escondesse as facas da residência porque teria sentido que algo ruim poderia acontecer.

Para Pouso, os registros reforçam a suspeita de que o crime tenha sido planejado.

Na manhã do assassinato, as imagens mostram Daniel andando pela residência antes de pegar uma faca na cozinha e seguir em direção ao quarto onde Gleici dormia.

Segundo a investigação, ele atacou a esposa com cerca de 16 golpes de faca. Depois, retornou para a área da casa com as mãos e os braços sujos de sangue.

Na sequência, ainda armado, ele atacou a própria filha. A menina chegou a gritar “pai” durante o ataque.

A criança foi socorrida em estado grave e permaneceu 22 dias internada em uma UTI. Ela sobreviveu, mas, segundo familiares, ficou com sequelas físicas e psicológicas.

Acusado também tentou tirar a própria vida

Após atacar a esposa e a filha, Daniel golpeou o próprio abdômen em uma suposta tentativa de suicídio. Ele foi socorrido, passou por cirurgia e, posteriormente, chegou a ser preso após receber alta médica.

Atualmente, porém, o engenheiro agrônomo está internado em uma clínica psiquiátrica em Cuiabá.

Um laudo elaborado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que Daniel é inimputável em razão de um quadro de depressão.

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Na prática, a conclusão pericial significa que, segundo os especialistas, ele não teria capacidade de compreender plenamente o caráter ilícito dos atos ou de se determinar de acordo com esse entendimento no momento dos fatos.

Com o reconhecimento da inimputabilidade, em vez de uma pena de prisão convencional, o acusado fica sujeito às medidas de segurança previstas pela legislação, que podem incluir tratamento psiquiátrico e internação.

Tratamento é questionado pelo assistente da acusação

Rodrigo Pouso também vem questionando publicamente o tratamento psiquiátrico recebido por Daniel. Segundo o advogado, os custos da internação em uma clínica particular já teriam ultrapassado R$ 200 mil, pagos com recursos públicos.

Ao mostrar imagens das instalações onde Daniel está internado, Pouso ironizou a situação e questionou:

“Merce cadeia ou spa?”

O advogado também cobra o pagamento de pensão alimentícia destinada à filha sobrevivente.

Crime chocou Lucas do Rio Verde

Gleici Keli Geraldo foi morta a facadas pelo marido dentro da própria residência, em Lucas do Rio Verde. O ataque também atingiu a filha do casal, que tinha apenas sete anos na época.

A brutalidade do crime e, posteriormente, a divulgação das imagens de segurança fizeram o caso voltar a ganhar grande repercussão.

Agora, além da discussão sobre a responsabilidade criminal de Daniel e sua condição psiquiátrica, o caso passou a envolver também um novo embate: a família do acusado questiona judicialmente a divulgação das imagens, enquanto o assistente da acusação afirma que o material será utilizado para sustentar sua tese no Tribunal do Júri.

A família de Gleici e a defesa de Daniel ainda podem se manifestar sobre o novo desdobramento.

Jornalista: Luan Schiavon

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Mulher denuncia segurança do Pantanal Shopping por suposta perseguição até Várzea Grande

Iasmim Lorena Soares Costa Silva, de 32 anos, relatou à Polícia Civil que reconheceu o funcionário ao chegar em casa; shopping diz que profissional foi afastado

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Uma mulher de 32 anos denunciou à Polícia Civil um segurança do Pantanal Shopping, em Cuiabá, por supostamente tê-la seguido de motocicleta desde o estabelecimento até sua residência, em Várzea Grande. O caso foi registrado como crime de perseguição e encaminhado para investigação.

Segundo o boletim de ocorrência, Iasmim Lorena Soares Costa Silva estava acompanhada de duas amigas no shopping na noite de quarta-feira (9). Após as 22h, ao deixar uma sessão de cinema, ela teria procurado um segurança para perguntar se um restaurante ainda estava funcionando. O funcionário informou que o estabelecimento permanecia aberto.

Esse teria sido o primeiro contato entre os dois.

Enquanto as amigas estavam no restaurante, o mesmo segurança teria voltado a abordá-las quando um vendedor ambulante oferecia flores. Conforme o relato registrado pela vítima, o funcionário perguntou se o vendedor estava incomodando as clientes.

As mulheres responderam que não. Uma das amigas, inclusive, comprou uma flor do vendedor.

Motociclista apareceu perto da casa

Após deixar o shopping e seguir para casa, Iasmim contou à polícia que percebeu a presença de um motociclista quando já estava próxima da residência, em Várzea Grande.

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Inicialmente, segundo o relato, ela ficou com medo de que pudesse se tratar de uma tentativa de roubo. Por isso, estacionou na entrada da casa e retirou o capacete.

O motociclista teria parado nas proximidades e também retirado o capacete. Foi então que, de acordo com Iasmim, ele se apresentou como segurança do shopping.

A mulher afirmou que reconheceu o funcionário e perguntou se ele gostaria de falar com seu marido. Na sequência, apontou para a motocicleta do companheiro, que estava dentro do imóvel.

Segundo o boletim, o homem teria dito algo que Iasmim não conseguiu compreender e deixou o local em seguida.

Medo e preocupação

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Iasmim explicou que não consegue afirmar que o segurança a acompanhou durante todo o trajeto entre o shopping e sua residência. Ela relatou apenas ter percebido a presença de veículos durante o caminho e, já perto de casa, identificado o motociclista como o funcionário com quem havia tido contato anteriormente.

A mulher disse ter ficado com medo e afirmou temer pela própria segurança, principalmente porque o homem saberia onde ela mora com o marido e os filhos.

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O segurança não foi identificado nominalmente no boletim de ocorrência. Iasmim solicitou que o shopping forneça a identificação do profissional para que a Polícia Civil possa dar continuidade à investigação.

O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.

Shopping afasta profissional

Procurado, o Pantanal Shopping informou que, assim que tomou conhecimento do caso, solicitou à empresa terceirizada responsável pela segurança o afastamento do profissional envolvido.

Em nota, o shopping afirmou que a medida foi prontamente adotada e que o caso está sendo apurado.

O estabelecimento também declarou que preza pela segurança, pelo respeito e pelo bem-estar dos clientes e que repudia qualquer conduta que viole esses princípios.

Jornalista: Luan Schiavon

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