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Após temer desgaste eleitoral, deputados do PL em MT descobrem vantagens da escala 4×3

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Depois de criticarem o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e descansa apenas um — deputados federais do Partido Liberal em Mato Grosso recalcularam a rota e decidiram aderir ao discurso pró-trabalhador. Agora, além de defenderem o fim da jornada 6×1, os parlamentares anunciaram apoio à escala 4×3, garantindo ao trabalhador três dias de descanso semanal. Tudo isso, claro, sem abandonar as críticas ao governo federal pela proposta que agora dizem apoiar.

A mudança de postura ocorreu após o partido enxergar risco de desgaste político em ano eleitoral. O problema não seria exatamente a pauta trabalhista, mas o temor de ficar marcado como o grupo que defende menos descanso para o trabalhador — algo que, convenhamos, não costuma render muitos votos.

O deputado federal José Medeiros, pré-candidato ao Senado, afirmou que a proposta pode até trazer felicidade inicial aos trabalhadores, mas prevê consequências negativas no futuro.

“Será uma alegria momentânea e decepção depois. Porque não existe almoço grátis. Os empresários demitirão seus funcionários para tentar contratar outros por um salário menor”, declarou, mesmo sabendo que a proposta em debate não prevê redução salarial.

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Na sequência, Medeiros resolveu elevar a aposta. “É um jogo eleitoral. Então, se for assim, vamos defender a escala 4×3. Vamos ver se o governo vai apoiar isso”, afirmou, aparentemente transformando a discussão trabalhista em uma espécie de leilão de folgas.

Já a deputada federal Coronel Fernanda negou que o partido tenha sido contra o fim da escala 6×1 — apesar das manifestações anteriores apontando justamente preocupação com desemprego e impactos econômicos.

Segundo ela, o partido apenas deseja uma “contrapartida” para os empresários. “A gente quer que o governo compense o patrão, porque o trabalhador não vive sem o patrão, e o patrão não vive sem o trabalhador”, argumentou, defendendo redução de impostos.

O deputado federal Nelson Barbudo manteve o tom crítico ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, classificando a proposta como populista e afirmando que o Estado não deveria interferir na quantidade de dias que o cidadão trabalha.

“O Estado não tem que dizer o tanto que o cidadão deva trabalhar ou não. Isso é próprio de ditadura”, declarou. Logo depois, porém, aderiu à proposta ampliada de descanso semanal. “Nós da direita também gostamos do trabalhador”, garantiu, antes de anunciar voto favorável à escala 4×3.

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O deputado Rodrigo da Zaeli também entrou no movimento e afirmou, em tom irônico, que como os estudos apresentados pelo governo indicam ausência de prejuízo econômico, o partido resolveu “melhorar” ainda mais a proposta.

“Mesmo eu não acreditando nisso, resolvemos dar mais dias de descanso”, disse.

Já o deputado Coronel Assis preferiu não comentar o assunto.

Recalculando a narrativa

A nova orientação foi anunciada na terça-feira (26) pelo líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante. A mudança, no entanto, contrasta com declarações recentes do senador Rogério Marinho, aliado do senador Flávio Bolsonaro, que classificou o fim da escala 6×1 como um “desastre para o país”.

Ao que tudo indica, entre o discurso econômico e o risco de desgaste nas urnas, a folga extra acabou vencendo.

Jornalista: Luan Schiavon

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Abilio denuncia possível rombo de R$ 80 milhões na Educação e descobre problema “gravíssimo” dentro da própria gestão

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, apareceu nas redes sociais nesta quarta-feira (27) para denunciar uma “suposta irregularidade gravíssima” dentro da Secretaria Municipal de Educação. O detalhe que chamou atenção é que o problema apontado pelo prefeito teria ocorrido justamente durante a própria gestão dele, envolvendo contratos realizados em 2025 e 2026.

Segundo Abilio, a possível irregularidade está relacionada à compra de materiais didáticos e pode ultrapassar R$ 80 milhões. O prefeito, no entanto, não explicou quais materiais foram adquiridos, como ocorreu a suposta falha ou quem autorizou os processos. Mas garantiu que a situação é séria — afinal, ninguém abre investigação contra si mesmo por menos.

“Encontramos uma irregularidade gravíssima dentro da Secretaria de Educação. Esse montante pode ultrapassar 80 milhões de reais se for comprovado essa irregularidade”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais, em um raro momento em que a oposição e a situação talvez estejam procurando os mesmos responsáveis.

Abilio informou que encaminhou ofícios aos órgãos de controle e pediu investigações da Controladoria, Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal e Ministério Público do Estado de Mato Grosso. Basicamente, se tiver um órgão com carimbo e poder investigativo, deve receber uma cópia do relatório.

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“Abrimos investigação com a Controladoria e estamos abrindo investigação com os outros setores”, explicou o prefeito, demonstrando que a gestão está determinada a descobrir como a própria gestão chegou até esse ponto.

Momentos depois, em entrevista à imprensa, Abilio admitiu que a situação já compromete o orçamento da Educação e anunciou a suspensão dos pagamentos relacionados ao material didático investigado.

“Essa situação comprometeu o orçamento da Educação. O pagamento desse material está suspenso e não será realizado até que toda a apuração seja concluída”, declarou.

Nas redes sociais, o prefeito ainda convocou servidores da Educação a colaborarem com informações sobre o caso. O apelo soou quase como uma força-tarefa coletiva para descobrir quem, dentro da administração, conseguiu criar um possível problema milionário sem que ninguém percebesse antes.

“Servidores da Educação que tiverem conhecimento sobre essas situações, principalmente envolvendo material didático, favor informar a Prefeitura de Cuiabá”, pediu.

Enquanto a investigação avança, fica a dúvida: a gestão encontrou um esquema milionário ou apenas descobriu, um pouco tarde, como funciona a própria administração.

Vídeo:

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Jornalista: Luan Schiavon

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