A exoneração da diretora da Escola Técnica Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (ETEC) de Primavera do Leste, Iltenir Ferreira de Queiroz Moura, publicada nesta quarta-feira (17) no Diário Oficial do Estado, colocou ainda mais lenha na fogueira de uma crise que já vinha se desenhando nos bastidores da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci).
O motivo é que a saída da gestora ocorreu apenas cinco dias depois de ela registrar um boletim de ocorrência contra o secretário da pasta, Dimorvan Alencar Brescancim, acusando-o de promover uma campanha de perseguição para retirá-la do cargo. Mais do que isso: a substituta nomeada foi justamente a pessoa que Iltenir apontava como favorita do secretário para assumir a direção da unidade.
O desfecho deu contornos ainda mais polêmicos ao caso. O que antes era tratado como denúncia de bastidor acabou se concretizando oficialmente no Diário Oficial. A “troca anunciada”, segundo aliados da ex-diretora, ocorreu exatamente da forma como ela havia previsto.
“Pedra cantada” virou realidade
Na denúncia registrada na semana passada, Iltenir afirmou que Dimorvan tentava removê-la da direção desde 2023. Segundo ela, a intenção seria abrir espaço para a então coordenadora pedagógica da escola, Diana Lourdes Pizzi Dal Piva, apontada como pessoa próxima ao secretário.
Nesta quarta-feira, o cenário previsto pela diretora se confirmou: enquanto sua exoneração era publicada, o governo oficializava a nomeação de Diana para o comando da ETEC.
Nos corredores da educação profissional do Estado, a coincidência chamou atenção e reforçou questionamentos sobre os reais motivos da mudança.
Denúncia, processos e salário sem pagamento
O clima de tensão aumentou ainda mais após Iltenir relatar que foi procurada por uma advogada e uma servidora da Seciteci para ser informada sobre a existência de dois processos administrativos em seu nome.
A então diretora também revelou uma situação considerada por ela como no mínimo estranha. Mesmo afastada por licença médica de 30 dias, afirmou que teve o salário retido e recebeu a informação de que a regularização só ocorreria no fim deste mês.
Para pessoas próximas à gestora, os episódios formariam uma sequência de fatos que teriam culminado em sua saída da direção.
Ex-diretora relata roteiro parecido
As acusações contra o secretário ganharam novos capítulos após o surgimento de outro relato semelhante.
A ex-diretora da ETEC de Cáceres, Zulema Netto Figueiredo, doutora em Agronomia e ex-diretora do campus Jane Vanini da Unemat, afirma ter vivido experiência parecida durante sua passagem pela escola técnica.
Segundo ela, desde a chegada de Dimorvan à estrutura da Seciteci, inicialmente como secretário-adjunto, dificuldades administrativas passaram a surgir com frequência.
Zulema relata que pedidos básicos enfrentavam obstáculos burocráticos, enquanto demandas encaminhadas por um coordenador pedagógico da unidade recebiam tratamento prioritário e respostas rápidas.
A ex-diretora diz ter percebido um padrão de comportamento dentro da Secretaria e afirma que sua exoneração também ocorreu de forma inesperada. Segundo seu relato, ela só soube que havia perdido o cargo ao ler a publicação oficial no Diário Oficial.
Seciteci diz que exoneração foi ato administrativo
Diante da repercussão, a Seciteci divulgou nota afirmando que atende as 17 escolas técnicas estaduais de maneira técnica e institucional, sem favorecimentos ou distinções.
A pasta destacou que Iltenir ocupava cargo de livre nomeação e exoneração e que a substituição ocorreu dentro das prerrogativas legais da administração pública.
“A exoneração é um ato administrativo. As decisões da Seciteci são tomadas considerando critérios de gestão e a continuidade dos serviços públicos”, afirmou a Secretaria.
Sobre o caso de Zulema, a pasta ressaltou que sua exoneração ocorreu em gestão anterior.
Coincidência ou confirmação das denúncias?
Embora a Seciteci sustente que a mudança faz parte da rotina administrativa do Estado, a sequência dos acontecimentos inevitavelmente levanta questionamentos.
Afinal, cinco dias após denunciar perseguição, a diretora foi exonerada. E a pessoa que, segundo ela, estaria sendo preparada para assumir a função acabou efetivamente nomeada para o cargo.
Para servidores que acompanham os bastidores das escolas técnicas estaduais, a publicação do Diário Oficial transformou uma denúncia que poderia ser tratada apenas como alegação em um episódio cercado por coincidências difíceis de ignorar.
Agora, o caso tende a ganhar novos desdobramentos, especialmente diante da possibilidade de investigação das denúncias e do impacto político que o episódio pode causar dentro da estrutura da Seciteci.
Jornalista:Mika Sbardelott
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