Etarismo na política?

Fala de Mauro Mendes provoca reação de Júlio Campos

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A discussão sobre idade e permanência na vida pública ganhou novo capítulo em Mato Grosso após declarações do ex-governador Mauro Mendes (União), citadas por aliados e criticadas pelo deputado estadual Júlio Campos. O episódio reacendeu um debate sensível no meio político: o etarismo — discriminação baseada na idade.

Em coletiva de imprensa, Júlio Campos negou qualquer rompimento político direto com Mauro Mendes, mas admitiu um “pequeno esgarçamento” na relação após a repercussão da fala envolvendo idade e capacidade de atuação pública.

Para o deputado, o tom da declaração ultrapassa a esfera pessoal e atinge um grupo maior de eleitores. Ele argumenta que comentários associados à idade podem reforçar preconceitos contra pessoas mais velhas, especialmente em um estado que conta com mais de 50 mil eleitores idosos.

A crítica do parlamentar coloca em evidência um ponto cada vez mais presente no debate político: até que ponto a idade passa a ser usada como argumento de desqualificação na disputa de poder.

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“Não é guerra, mas há um limite”, diz Júlio

Apesar da tensão, Júlio Campos buscou evitar um confronto direto. Ele afirmou que não existe “guerra política”, mas defendeu que o debate não pode escorregar para o que considera desrespeito geracional.

Ao mesmo tempo, fez questão de deixar um recado político: não vê problema no apoio de Mauro Mendes ao vice-governador Otaviano Pivetta, desde que isso não envolva ataques pessoais.

Defesa da trajetória e recado sobre envelhecimento na política

Em tom mais contundente, Júlio Campos trouxe sua própria trajetória como exemplo para rebater qualquer insinuação sobre idade.

“Eu rogo a Deus que o Mauro Mendes chegue aos 80 anos de idade com a mesma inteligência, com a mesma disposição de trabalho, com o mesmo prestígio político perante o povo de Mato Grosso, como Júlio Campos chegou”, afirmou.

O deputado também destacou seus 54 anos de vida pública e disse que nunca teve contas reprovadas ou envolvimento em irregularidades.

A fala, embora carregada de tom pessoal, acabou ampliando o debate sobre etarismo na política — um tema que envolve não apenas rivalidades individuais, mas também a forma como idade, experiência e capacidade são percebidas no ambiente institucional.

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Um debate que vai além da disputa política

O episódio evidencia uma tensão recorrente na política: a tentativa de equilibrar renovação geracional com valorização da experiência.

Enquanto aliados de Júlio veem na discussão um alerta contra o preconceito etário, adversários interpretam o caso como parte da natural disputa política no Estado.

No centro da polêmica, permanece a pergunta que agora ecoa nos bastidores: até que ponto a idade influencia — ou limita — a atuação de um político no poder?

Jornalista: Mika Sbardelott

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ATÉ ZUNIL

ABMCJ-MT repudia ilações sobre incêndios em Várzea Grande e cobra investigação rigorosa de casos recentes

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A Associação Brasileira das Mulheres da Carreira Jurídica – Comissão de Mato Grosso (ABMCJ-MT) divulgou uma nota pública manifestando repúdio às ilações envolvendo os recentes incêndios registrados em Várzea Grande. A entidade defendeu que o debate sobre os casos seja conduzido com responsabilidade e cobrou investigação aprofundada por parte das autoridades competentes.

Segundo a associação, os incêndios registrados no município nos últimos dois anos demonstram que a questão precisa ser tratada como um problema de segurança pública, exigindo ações coordenadas entre os poderes Executivo e Legislativo para proteger a população.

A ABMCJ-MT relembrou uma série de ocorrências recentes na cidade. Em agosto de 2025, um incêndio atingiu o restaurante Japidinho, anexo a um posto de combustível, colocando em risco a vida de diversas pessoas. Em outubro do mesmo ano, o almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde também foi consumido pelas chamas.

Já em novembro de 2025, um ônibus do transporte coletivo municipal, pertencente à empresa União Transporte, pegou fogo após um curto-circuito, colocando passageiros em situação de risco, entre eles uma pessoa com deficiência visual. Em janeiro de 2026, um princípio de incêndio foi registrado no Shopping Popular de Várzea Grande.

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O caso mais recente ocorreu no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, onde materiais didáticos e outros insumos foram destruídos pelo fogo. O episódio gerou forte repercussão política e levantou questionamentos entre parlamentares do município.

Na avaliação da entidade, o momento exige serenidade e foco na apuração técnica das causas dos incêndios. A associação destacou ainda a dificuldade em reunir dados consolidados sobre ocorrências desse tipo, devido à ausência de um sistema centralizado de registros de sinistros, especialmente em propriedades públicas.

De acordo com a ABMCJ-MT, a fragmentação das informações entre diferentes órgãos — como Corpo de Bombeiros, secretarias municipais e a própria prefeitura — dificulta a análise dos casos e pode gerar inconsistências nos registros.

A entidade também apontou que mudanças de gestão pública podem comprometer a continuidade da coleta e armazenamento de dados, além de destacar que a escassez de recursos financeiros e humanos frequentemente limita o monitoramento adequado dessas ocorrências.

Outro fator citado é que, durante incêndios, a prioridade natural das equipes é conter as chamas e evitar tragédias, o que pode resultar em registros incompletos ou feitos de forma apressada.

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Diante do cenário, a ABMCJ-MT apresentou quatro posicionamentos oficiais. O primeiro foi prestar solidariedade à prefeita Flávia Moretti e à secretária de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, diante dos prejuízos causados ao patrimônio público.

A associação também sugeriu que vereadores e vereadoras revisem as políticas de segurança municipal e os protocolos de resposta a incêndios, com supervisão do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e demais órgãos competentes.

Além disso, a entidade parabenizou a Guarda Municipal e o Corpo de Bombeiros pela rápida atuação no combate ao incêndio mais recente, evitando danos ainda maiores.

Por fim, a comissão cobrou que todos os incêndios ocorridos em Várzea Grande nos últimos dois anos sejam investigados com rigor.

“A vida é o maior bem que possuímos e deve ser a principal preocupação de qualquer gestor público”, destacou a presidente da ABMCJ-MT, Tânia Regina de Matos, ao reforçar a necessidade de respostas concretas por parte das autoridades.

VEJA:

nota incêndio – ass

Jornalista: Luan Schiavon

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