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MP aponta infiltrações, risco de incêndio e pede fechamento da Rodoviária do Coxipó

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ingressou com uma ação civil pública contra a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager-MT) e o Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), para que a Justiça determine a regularização ou até mesmo a interrupção das atividades do ponto de embarque e desembarque conhecido como Rodoviária do Coxipó, em Cuiabá.

Segundo o MP, o espaço apresenta uma série de irregularidades estruturais, de segurança, higiene, acessibilidade e conservação, além de operar sem autorização administrativa formal vigente, colocando em risco milhares de usuários do transporte rodoviário intermunicipal.

Relatórios apontam diversas irregularidades

De acordo com a ação, inspeções técnicas identificaram infiltrações, trincas, má conservação da estrutura, falhas na prevenção e combate a incêndios, problemas nas instalações elétricas e hidráulicas, ausência de acessibilidade adequada, mobiliário inadequado e sinalização deficiente.

A ação é resultado de um inquérito civil instaurado em 2022 após denúncia da Sinart, concessionária responsável pela administração da Rodoviária Engenheiro Cássio Veiga de Sá, em Cuiabá.

A empresa informou ao Ministério Público que o local realizava embarques, desembarques e comercialização de passagens sem respaldo legal e em condições consideradas precárias.

Sinart questiona funcionamento do local

Conforme o gerente-geral da Sinart, Selmo de Oliveira, o chamado Terminal do Coxipó funciona sem autorização legal ou processo licitatório que ampare sua operação.

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Segundo ele, a Rodoviária Engenheiro Cássio Veiga de Sá é o único terminal oficialmente autorizado para atender linhas intermunicipais com origem, destino ou seção em Cuiabá, sendo o único apto a prestar o serviço de forma regular e segura.

Melhorias foram consideradas insuficientes

Durante a investigação, o Ministério Público realizou inspeções, audiências e reuniões com os órgãos envolvidos. Relatórios técnicos elaborados em 2024 e 2026 constataram que, embora algumas melhorias tenham sido implementadas — como instalação de novos assentos, bebedouro e extintores de incêndio —, as intervenções não foram suficientes para eliminar as irregularidades encontradas.

Segundo o MP, apesar das notificações encaminhadas e das reuniões realizadas ao longo dos últimos anos, a Ager e a Sinfra não adotaram medidas efetivas para solucionar os problemas.

A própria Ager reconheceu, conforme consta na ação, que o ponto de embarque não possui autorização administrativa formal em vigor e que sua utilização ocorre por liberalidade administrativa, considerando a importância do local para os moradores da região do Coxipó.

Mais de 3 mil passageiros por mês

O Ministério Público destaca que o espaço recebe, em média, mais de 3 mil usuários por mês.

Mesmo reconhecendo a relevância do ponto de embarque para a população, o órgão sustenta que a continuidade do funcionamento deve obedecer às normas previstas no marco regulatório do Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros, garantindo segurança, acessibilidade e condições adequadas de atendimento.

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Ager diz que local não é terminal rodoviário

Em nota, a Ager-MT afirmou que o chamado “Terminal do Coxipó” não possui, tecnicamente, a condição de terminal rodoviário, sendo apenas um ponto de embarque e desembarque utilizado pelas empresas do transporte intermunicipal.

Segundo a agência, sua competência se restringe à fiscalização das operações realizadas pelas empresas de transporte, não abrangendo a infraestrutura do imóvel.

A Ager destacou ainda que o espaço é privado e não integra a concessão das rodoviárias estaduais administradas pela Sinfra, motivo pelo qual não possui competência legal para exigir obras, adequações estruturais ou melhorias nas instalações.

A agência informou ainda que a denominação “Terminal do Coxipó” permanece sendo utilizada apenas por tradição e facilidade de identificação pela população, mas que, sob o aspecto técnico e regulatório, o local não se enquadra como terminal rodoviário estadual.

Agora, caberá ao Poder Judiciário analisar o pedido do Ministério Público, que busca obrigar os órgãos responsáveis a promoverem a regularização completa da estrutura ou, caso isso não seja possível, determinar a interrupção das atividades até que o espaço ofereça condições adequadas de segurança e funcionamento aos usuários.

Jornalista: Luan Schiavon

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Defesa de Ulisses Rabaneda diz que honorários foram legais e declarados após operação da PF

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O escritório de advocacia no qual atuava o atual conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda, foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (6), durante a Operação Heritage. A investigação apura um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões envolvendo um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi S.A., relacionado à restituição de créditos tributários.

A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e investiga possíveis crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, uso indevido de informação privilegiada e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional.

Em nota, a defesa de Ulisses Rabaneda afirmou que a relação do conselheiro com os fatos investigados decorre exclusivamente de sua atuação profissional como advogado, em período anterior à sua posse no CNJ. Segundo o posicionamento, ele foi contratado para prestar serviços jurídicos nas negociações do acordo envolvendo a concessionária de telefonia, tendo atuado dentro dos limites do exercício regular da advocacia.

Ainda conforme a defesa, todos os honorários recebidos pela prestação dos serviços foram previstos em contrato escrito e devidamente declarados às autoridades competentes.

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Esquema investigado

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam indícios da utilização de fundos de investimento em cascata e empresas de fachada para ocultar e dissimular a origem e o destino dos recursos supostamente desviados.

Ao todo, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. A Justiça também determinou o bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, além da apreensão de passaportes e da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Outros alvos

A Operação Heritage também teve como alvos o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e sua esposa, Virginia Mendes, cujas residências foram alvo de buscas.

Também foram cumpridos mandados no gabinete da subprocuradora-geral Administrativa e de Controle Interno da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Fabíola Paulino Garcia, irmã do deputado federal Fabio Garcia (União Brasil), além do desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Em nota oficial, a Procuradoria-Geral do Estado informou que confia no trabalho da Polícia Federal e afirmou que prestará toda a colaboração necessária para o completo esclarecimento das tratativas envolvendo o contrato investigado.

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Defesa de Ulisses Rabaneda

Na íntegra, a defesa do conselheiro destacou que sua participação se limitou ao exercício da advocacia antes de assumir o cargo no CNJ.

“Em relação à diligência ocorrida no escritório de advocacia em que Ulisses Rabaneda atuava antes de se licenciar da profissão para assumir o cargo de conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), importa esclarecer que sua relação com os fatos apurados decorre exclusivamente da sua atuação como advogado, em período anterior ao ingresso no CNJ.

Na ocasião, ele foi contratado para prestar serviços jurídicos nas tratativas que resultaram em acordo envolvendo crédito da companhia Oi S.A. perante o Estado de Mato Grosso, com atuação limitada ao exercício regular da advocacia.

Os honorários recebidos pela atuação profissional decorrem de regular contrato escrito e devidamente declarados.”

Jornalista: Luan Schiavon

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