O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), afirmou que a deflagração da Operação Heritage pela Polícia Federal, na última quinta-feira (6), não causou surpresa e voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi S.A.
Segundo o parlamentar, as denúncias relacionadas ao caso já eram de conhecimento público e haviam sido encaminhadas, ainda em anos anteriores, a diversos órgãos de fiscalização e controle, mas não tiveram desdobramentos no Estado.
“O caso ficou abafado”, afirma deputado
Júlio Campos lembrou que o ex-governador Pedro Taques (PSB) apresentou representações sobre o caso ao Senado Federal, à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Tribunal de Contas da União (TCU), ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), à Assembleia Legislativa e aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.
Apesar disso, segundo o deputado, nenhuma providência efetiva foi adotada em Mato Grosso.
“Lamentavelmente, aqui em Mato Grosso, esse fato ficou abafado. Nenhuma autoridade, que seja do Legislativo, do Ministério Público ou da Justiça, tomou providências”, declarou.
Deputado quer retomada da CPI
Questionado sobre a possibilidade de a Assembleia Legislativa voltar a discutir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o caso, Júlio Campos respondeu que considera a medida necessária.
Ele afirmou, porém, que a proposta ainda depende da obtenção de uma ou duas assinaturas para atingir o número mínimo exigido para instalação da comissão.
Segundo o parlamentar, além das investigações envolvendo o acordo com a Oi, a CPI também poderá abordar as denúncias relacionadas aos empréstimos consignados.
“Com certeza. Mas, por exemplo, eu acho que ainda falta uma ou duas assinaturas, segundo a informação. Não só da Oi, como também dos consignados”, afirmou.
Consignados também preocupam
Durante a entrevista, Júlio Campos classificou o caso dos empréstimos consignados como outro assunto que merece investigação e sugeriu que novas operações policiais podem ocorrer nos próximos dias.
“Vai explodir nos próximos dias”, resumiu.
“Se o dinheiro chegou à conta, tem que haver responsabilização”
Ao comentar as investigações conduzidas pela Polícia Federal, o deputado defendeu que, caso as suspeitas sejam confirmadas, os responsáveis sejam punidos.
“Se for verdade, como é verdade, nós sabendo que o dinheiro chegou na conta, não tem como, vai ter que ter responsabilização. As punições das pessoas responsáveis pelo desvio de R$ 308 milhões, através do escândalo da Oi”, declarou.
Operação investiga suposto desvio de R$ 308 milhões
A Operação Heritage apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso indevido de informação privilegiada.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que uma operação financeira ligada ao acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi S.A. tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões em recursos públicos.
Na operação, a PF cumpre 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.
Também foram determinadas medidas cautelares, como bloqueio e indisponibilidade de bens, quebra dos sigilos bancário e fiscal de investigados, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os alvos da investigação.
A apuração segue em andamento e busca reunir elementos para confirmar ou descartar as suspeitas relacionadas ao acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia.
Jornalista: Luan Schiavon
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