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Produtor rural autuado por trabalho análogo à escravidão em MT é fornecedor da Bunge e doou R$ 1 milhão à campanha de Bolsonaro

Empresário Oscar Luiz Cervi foi autuado pelo Ministério do Trabalho após fiscalização resgatar 35 trabalhadores em fazenda de algodão em Campo Novo do Parecis; defesa nega irregularidades e Bunge afirma acompanhar o caso.

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O produtor rural Oscar Luiz Cervi, um dos maiores produtores de grãos do país e conhecido por ter doado R$ 1 milhão à campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, foi autuado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por manter 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão na Fazenda Reata, em Campo Novo do Parecis (MT).

A autuação foi resultado de uma fiscalização realizada em 8 de junho por auditores fiscais do trabalho, com apoio da Polícia Federal. Segundo o MTE, os trabalhadores atuavam no controle manual de plantas daninhas em lavouras de algodão sem equipamentos de proteção individual (EPIs) e em condições consideradas degradantes.

O auto de infração foi lavrado em 15 de julho. O produtor ainda pode recorrer administrativamente em duas instâncias. Caso a autuação seja mantida, poderá ser incluído na chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, cadastro oficial do governo federal que reúne empregadores responsabilizados pela prática.

Relação comercial com a Bunge

Oscar Cervi é fornecedor da multinacional Bunge. Em vídeo institucional divulgado pela empresa em março deste ano, o próprio empresário afirma manter relação comercial com a companhia há 42 anos.

Na gravação, Cervi também informa que passaria a comercializar toda a sua produção de algodão por meio da Viterra, empresa incorporada pela Bunge em 2025.

Informações levantadas pela Repórter Brasil indicam ainda que a Fazenda Reata fornece soja e algodão para a unidade da Bunge em Rondonópolis (MT), um dos principais complexos industriais da empresa no país.

A Bunge e a Viterra atuam na cadeia global de fornecimento de matérias-primas destinadas aos setores de alimentos, biocombustíveis e da indústria têxtil, abastecendo empresas que fornecem insumos para marcas internacionais de vestuário.

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Condições encontradas pela fiscalização

De acordo com o relatório da fiscalização, os trabalhadores foram recrutados em Minas Gerais e estavam alojados em contêineres medindo aproximadamente 2,4 metros por 6 metros, onde até nove pessoas dividiam o mesmo espaço.

Entre as irregularidades apontadas pelo MTE estão:

  • alojamentos superlotados;
  • ausência de instalações sanitárias e refeitórios nas frentes de trabalho;
  • trabalhadores realizando refeições sentados no chão;
  • banheiros em condições precárias;
  • falta de equipamentos de proteção individual;
  • pulverização aérea de agrotóxicos nas proximidades das equipes e dos alojamentos.

Segundo os auditores, trabalhadores relataram sintomas compatíveis com intoxicação por agrotóxicos, incluindo náuseas, falta de ar, irritação e queimaduras na pele.

Restrição à liberdade

Outro aspecto destacado pela fiscalização foi a existência de restrições à liberdade de locomoção dos trabalhadores.

Os contêineres estavam instalados em uma área cercada por grades e arame farpado, sob vigilância permanente. Conforme relatos colhidos pelos fiscais, um vigia teria recebido orientação para impedir que os trabalhadores deixassem o local.

Além disso, os empregados somente receberiam o valor referente à passagem de retorno caso permanecessem pelo menos 45 dias no serviço.

Para o Ministério do Trabalho, esses elementos caracterizam restrição da liberdade de locomoção, um dos critérios previstos na legislação para configuração do trabalho em condições análogas à escravidão.

A fiscalização também registrou que representantes da empresa teriam dificultado o acesso dos auditores às frentes de trabalho, atrasando o início da inspeção.

Defesa

Em nota, o Grupo Cervi afirmou confiar na legalidade de seus procedimentos.

“Temos confiança na regularidade de nossos procedimentos e reafirmamos nosso compromisso com o cumprimento da legislação e das melhores práticas. As informações e esclarecimentos serão oportunamente apresentados.”

A empresa não comentou especificamente as irregularidades apontadas pelos auditores fiscais.

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Posicionamento da Bunge

A Bunge informou que solicitou esclarecimentos ao produtor após tomar conhecimento da autuação.

Segundo a empresa, a Fazenda Reata possui certificação da Mesa Redonda de Soja Responsável (RTRS) há mais de três anos e é submetida regularmente a auditorias independentes.

Em nota, a companhia afirmou que continuará acompanhando o caso.

“Até que haja conclusão sobre a apuração, a Bunge seguirá acompanhando o caso com a devida diligência, reafirmando seu compromisso de respeito aos direitos humanos, ética, integridade e sustentabilidade.”

Histórico ambiental

Além da autuação trabalhista, Oscar Cervi responde a questionamentos relacionados à área ambiental.

Em 2025, o Ministério Público de Mato Grosso ajuizou Ação Civil Pública contra o produtor e a Agropecuária Cervi Agro, apontando déficit de aproximadamente 6,5 mil hectares de vegetação nativa na Reserva Legal da Fazenda Santa Maria, em São Félix do Araguaia.

Segundo o MP, a área teria sido explorada ilegalmente por mais de uma década para o cultivo de soja, gerando lucro estimado em R$ 91 milhões entre 2005 e 2020.

O órgão requereu mais de R$ 210 milhões em multas e indenizações. Posteriormente, as partes firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), comprometendo-se à compensação ambiental da área e à suspensão de novos desmatamentos. Com o acordo, a ação judicial foi extinta.

O produtor e o Grupo Cervi não comentaram o caso ambiental.

Jornalista: Luan Schiavon

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Menina de 12 anos denuncia abuso sexual do padrasto após passar mal com suspeita de envenenamento; irmã de 8 anos também seria vítima

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Uma menina de 12 anos denunciou que era vítima de abuso sexual praticado pelo próprio padrasto após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Menino Jesus, em Sinop, na noite de segunda-feira (27), apresentando sintomas de suspeita de ingestão de veneno. Durante o atendimento, a adolescente revelou ainda que a irmã, de apenas 8 anos, também teria sido abusada pelo mesmo homem.

Segundo informações do boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada após uma amiga da família, que acompanhava a criança, relatar que a menina havia contado sobre os abusos enquanto recebia ajuda por passar mal.

A testemunha informou aos policiais que estava na residência quando a adolescente começou a apresentar os sintomas. Ao tentar socorrê-la, a menina decidiu revelar que sofria violência sexual praticada pelo padrasto.

Ao conversar com a equipe policial, a vítima confirmou os abusos e afirmou que a irmã mais nova também já havia sido vítima do suspeito. A mãe das crianças disse aos militares que nunca percebeu qualquer indício de que as filhas estivessem sendo violentadas.

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Como a adolescente estava sob cuidados médicos e precisaria ser transferida para a UPA André Maggi para a realização de exames, os policiais optaram por não aprofundar o depoimento naquele momento, evitando a revitimização da criança.

O Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o caso e prestar assistência às vítimas.

O padrasto foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Sinop, que dará continuidade às investigações. O caso deverá apurar os crimes de estupro de vulnerável e demais circunstâncias envolvendo as duas irmãs.

As autoridades reforçam que denúncias de violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 ou diretamente aos Conselhos Tutelares e às forças de segurança

Jornalista: Mika Sbardelott

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