Policial

Vídeos mostram caminhões retirando cestas básicas desviadas em esquema milionário em Barra do Garças

Imagens de câmeras de segurança reforçam investigação da Operação Mesa Vazia, que apura desvio de 13 mil cestas básicas destinadas a famílias carentes

Published

on

Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito da Polícia Civil registraram o momento em que caminhões faziam a retirada de cargas de cestas básicas em Barra do Garças. Os mantimentos deveriam abastecer famílias em situação de extrema pobreza, mas, segundo a investigação, foram desviados para um esquema criminoso.

Os flagrantes em vídeo reforçam as investigações da Operação Mesa Vazia, deflagrada nesta sexta-feira (3), que apura um sofisticado esquema de desvio de bens públicos assistenciais no município.

A investigação conduzida pela Polícia Civil aponta que o principal alvo do grupo era o programa SER Família Solidário, coordenado pela SETASC.

De acordo com a apuração, aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza teriam sido desviados, gerando prejuízo estimado em R$ 1,95 milhão aos cofres públicos.

Segundo o inquérito, o modus operandi da organização criminosa envolvia fraudes documentais e o uso de entidades beneficentes como fachada. Os servidores públicos apontados como líderes do esquema, Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares, assinavam a liberação das cargas na Arena Pantanal, em Cuiabá, como supostos representantes legais de associações locais, sem autorização ou conhecimento dos verdadeiros presidentes dessas entidades.

Leia Também:  STJ mantém Chico 2000 no cargo e rejeita pedido do MP por afastamento na Operação Gorjeta

Para transportar as mercadorias sem levantar suspeitas, o grupo utilizava caminhões caçamba da Secretaria Municipal de Educação de Barra do Garças. Conforme a Polícia Civil, motoristas da prefeitura recebiam diárias extras pagas de forma privada para descarregar os produtos em chácaras particulares e galpões afastados da fiscalização.

As investigações apontam que o esquema operava em duas frentes de desvio e distribuição ilegal.

Na primeira, cinco vereadores de Barra do Garças — Valdeí Leite Guimarães, Adilson Tavares Lopes, Allankley Lopes de Souza, Armando José de Brito e Elton Melo Marques — teriam utilizado camionetes e carretinhas particulares para retirar lotes de alimentos e distribuí-los informalmente.

Segundo a polícia, a entrega era feita sem qualquer controle oficial, sem cadastro de CPF, NIS ou prestação de contas, em uma suposta estratégia de promoção política pessoal por meio da distribuição dos mantimentos.

Na segunda frente, os kits de higiene e limpeza eram separados das cestas de alimentos e enviados para comercialização ilegal em Super Santo Antônio, estabelecimento localizado em Cuiabá e pertencente ao irmão de um dos operadores logísticos investigados.

Leia Também:  Acusado de tentar beijar ex-servidora à força, subdefensor é exonerado pela Defensoria de MT

Entre as provas reunidas pela Polícia Civil estão transferências bancárias via PIX, que indicariam pagamento de propina e diárias clandestinas aos motoristas envolvidos, além de mensagens de WhatsApp que detalhariam a articulação interna do grupo.

A perícia técnica também identificou o que classificou como fraudes cronológicas grotescas. Entre as irregularidades encontradas estão termos de entrega de mercadorias datados de até um mês antes da emissão da própria Ordem de Serviço oficial que autorizava a retirada dos produtos.

Além dos documentos, imagens de câmeras de monitoramento obtidas pela polícia mostram o descarregamento e a divisão dos alimentos em propriedades privadas, reforçando as suspeitas de desvio sistemático dos bens que deveriam chegar a famílias em situação de vulnerabilidade social.

Vídeo:

Jornalista: Luan Schiavon

📲 Clique aqui e receba notícias do VOZMT no seu celular

Advertisement
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Policial

Bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena estava em ‘suposto cofre’ antes de furto, diz investigação

Defesa de casal investigado contesta versão da lotérica e afirma que bilhete estava em compartimento de uso coletivo, não em cofre

Published

on

O bilhete premiado da Mega-Sena, avaliado em R$ 29 milhões, que está no centro de uma disputa judicial em Sinop, estava guardado em uma estrutura metálica dentro da casa lotérica antes do suposto furto que desencadeou a investigação da Polícia Civil.

O caso envolve um casal investigado por supostamente se apropriar do bilhete premiado após o sorteio. A defesa sustenta que o local apontado pela lotérica como “cofre” não passava de um compartimento de uso coletivo onde funcionários guardavam bolsas, objetos pessoais e itens do trabalho.

Segundo relatos de ex-funcionários ouvidos pela imprensa, o espaço era utilizado no dia a dia pelos operadores de caixa.

“Era um cofre onde a gente guardava nossas coisas pessoais e coisas da lotérica. Tinha uma gaveta para objetos da lotérica e outra para dinheiro de cada operadora após o fechamento do caixa”, relatou um ex-funcionário.

A lotérica, por sua vez, sustenta no processo que o bilhete com defeito, ao permanecer no estabelecimento, passou a integrar o patrimônio da empresa.

Já o advogado do casal, Macgveyver Santos Rocha, contesta essa tese. Segundo ele, quando um bilhete é impresso com defeito, o prejuízo costuma ser descontado diretamente do salário do operador de caixa responsável.

Dessa forma, a defesa argumenta que a verdadeira proprietária da aposta seria a funcionária, já que ela teria arcado financeiramente com o bilhete defeituoso.

Leia Também:  Companheiro mata mulher a tiros e foge levando filhas

Como o bilhete foi impresso

De acordo com a investigação, no dia do sorteio, a operadora de caixa atendeu uma cliente e imprimiu uma aposta simples de R$ 6, mas o bilhete saiu com um pequeno corte no código de barras.

Embora o defeito não comprometesse os números da aposta, um novo volante foi emitido para a cliente.

Ex-funcionários afirmam que esse procedimento era comum na rotina da lotérica.

Quando apostas de baixo valor saíam com defeito, os operadores normalmente cobriam o prejuízo com recursos próprios, pois o cancelamento junto à Caixa Econômica Federal era burocrático.

Segundo o Manual das Lotéricas da Caixa, o estorno de apostas simples ou bolões só pode ser realizado para bilhetes com valor superior a R$ 10.

A defesa afirma que, após cobrir o valor da aposta defeituosa, a funcionária guardou o bilhete no compartimento metálico e voltou ao trabalho.

No dia seguinte, ao conferir os números sorteados, ela descobriu que a aposta era uma das vencedoras da Mega-Sena.

Linha do tempo do caso

Segundo o inquérito, os fatos ocorreram da seguinte forma:

  • A funcionária imprimiu um bilhete com defeito para uma cliente;
  • Um novo bilhete com os mesmos números foi emitido e entregue à apostadora;
  • O bilhete defeituoso não foi cancelado e foi guardado dentro da lotérica;
  • Após a divulgação do resultado, a funcionária retirou o bilhete e percebeu que ele era premiado;
  • No dia seguinte, ela e o marido pediram demissão;
  • O marido se apresentou como ganhador do prêmio;
  • Os proprietários da lotérica suspeitaram da situação;
  • A Polícia Civil foi acionada para investigar o caso.
Leia Também:  Jovem de 17 anos estupra a tia de consideração

Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público denunciou a funcionária e o marido por furto qualificado por abuso de confiança.

O que diz o STJ

Em decisão enviada à Justiça Federal, o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, afirmou que o crime teria sido consumado no momento em que o bilhete foi retirado do cofre — ou compartimento — da lotérica após a conferência do resultado.

Segundo o magistrado, o prejuízo foi inicialmente suportado pela empresa, o que faria com que o bilhete integrasse o patrimônio da lotérica.

Trecho da decisão aponta que, pelas regras comerciais da atividade lotérica, o título premiado estaria sob disponibilidade da pessoa jurídica.

Ainda conforme o ministro, eventual tentativa posterior de sacar o prêmio junto à Caixa não configura um novo crime, sendo apenas consequência do suposto furto inicial.

Nesta semana, o STJ negou recurso da defesa do casal, mantendo o andamento do processo na Justiça Estadual.

Enquanto a disputa judicial segue, o prêmio de R$ 29 milhões permanece bloqueado desde 2023 por determinação da Justiça.

Jornalista: Luan Schiavon

📲 Clique aqui e receba notícias do VOZMT no seu celular

 

 

 

Continue Reading

POLÍTICA MT

POLICIAL

MATO GROSSO

MUNICÍPIOS

MAIS LIDAS DA SEMANA