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Câmara de Cuiabá recebe pedido de CPI para investigar suposto rombo de R$ 131 milhões na Educação

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m requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), denominada “CPI da Educação”, foi protocolado na Câmara Municipal de Cuiabá com o objetivo de investigar supostas irregularidades na gestão financeira da Secretaria Municipal de Educação durante os anos de 2023 e 2024, período em que a prefeitura era administrada pelo ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD).

A proposta foi apresentada pelo vereador Eduardo Magalhães (Republicanos) e aponta um déficit financeiro superior a R$ 131 milhões na pasta. Segundo o parlamentar, há indícios de descumprimento do artigo 212 da Constituição Federal, que determina a aplicação mínima de 25% da receita proveniente de impostos na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE).

De acordo com a justificativa do requerimento, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) emitiu alertas técnicos indicando que o município teria utilizado superávits financeiros de exercícios anteriores para cumprir, de forma irregular, o percentual mínimo constitucional destinado à educação. O caso também é alvo de investigação conduzida pela 36ª Promotoria de Justiça Cível do Ministério Público de Mato Grosso.

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Além do déficit apontado, a CPI pretende apurar o suposto uso indevido de recursos do Fundo Único Municipal de Educação de Cuiabá (FUNED), incluindo possíveis desvios de finalidade na aplicação das verbas.

Os vereadores também pretendem analisar contratos, processos licitatórios e despesas executadas — ou que deixaram de ser pagas — que possam ter contribuído para o endividamento da Secretaria Municipal de Educação. A investigação busca ainda identificar eventuais responsabilidades administrativas de ex-secretários e ordenadores de despesas, com base na Lei de Responsabilidade Fiscal e na Lei de Improbidade Administrativa.

Caso seja instalada, a comissão terá prazo inicial de 120 dias para concluir os trabalhos, podendo ser prorrogado por mais 120 dias.

O requerimento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da Câmara Municipal, que terá 48 horas para emitir parecer sobre a legalidade e a constitucionalidade do pedido. Após essa análise, caberá à Presidência da Casa publicar a resolução que oficializa a CPI e define sua composição, respeitando a proporcionalidade entre os partidos com representação no Legislativo.

Até o momento, o ex-prefeito Emanuel Pinheiro não se manifestou sobre o pedido de abertura da comissão. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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Flávia Moretti diz que intervenção no DAE não é “bicho de sete cabeças” e defende ajuda do Estado para resolver crise da água

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A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL) afirmou nesta quinta-feira (9) que uma eventual intervenção no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG) não deve ser tratada como um problema ou motivo de preocupação. Segundo ela, a medida, recomendada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), pode representar uma alternativa legal para que o Governo de Mato Grosso auxilie o município na superação da histórica crise no abastecimento de água.

Durante entrevista, a gestora explicou que já apresentou ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) uma série de projetos estruturantes voltados à recuperação e modernização da autarquia, mas que dependem de recursos para serem executados.

“Ele está com alguns projetos, analisando com a equipe técnica, também com a equipe da procuradoria, para ver como poderá ajudar. A gente tem pedido essa colaboração, isso não é mentira”, afirmou.

Apesar da disposição do Governo do Estado em colaborar, Moretti ressaltou que o calendário eleitoral impõe restrições legais para transferências voluntárias de recursos entre os entes públicos.

“Temos que tomar certos cuidados, até na questão jurídica, para não atrapalhar a eleição”, pontuou.

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Decisão cabe ao Estado e ao Ministério Público

A prefeita também destacou que a decisão sobre uma eventual intervenção não depende da administração municipal. Conforme explicou, a definição caberá ao Governo do Estado e ao Ministério Público.

“Quem vai definir isso é a Procuradoria-Geral de Justiça, é o governador. Não sou eu. Eu só quero ajuda, seja como vier, eu quero a colaboração”, declarou.

Advogada de formação, Flávia Moretti afirmou que a intervenção está prevista no ordenamento jurídico e não deve ser vista como uma medida extrema.

“A intervenção a qualquer órgão não é um bicho de sete cabeças. Eu, que sou advogada, entendo que isso é uma forma legal de ter a colaboração do Estado, mas a decisão de pedir cabe ao Ministério Público”, acrescentou.

TCE aponta colapso no DAE

A discussão ganhou força após o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Antônio Joaquim, encaminhar ofícios ao governador Otaviano Pivetta e ao Ministério Público Estadual recomendando a intervenção no DAE-VG.

No documento, o conselheiro aponta uma série de problemas considerados graves, entre eles a precariedade recorrente no abastecimento de água, elevado endividamento da autarquia, inadimplência contínua e o descumprimento reiterado de determinações expedidas pelo próprio Tribunal de Contas.

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A recomendação ocorre em meio à crescente insatisfação da população com a falta de água em diversos bairros do município, problema que há anos figura entre as principais reclamações dos moradores.

Pivetta admite desafio

Durante visita a Várzea Grande, o governador Otaviano Pivetta afirmou que ficou impressionado com a situação encontrada e disse estar disposto a enfrentar o desafio de recuperar o sistema de abastecimento.

“Confesso que fiquei um pouco triste com a situação de uma empresa de saneamento que tem como missão oferecer água de qualidade”, declarou.

Nos bastidores, a expectativa é de que o governador decrete a intervenção na autarquia e anuncie um pacote de investimentos e obras estruturantes para reverter a crise hídrica enfrentada pela população de Várzea Grande e melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo DAE.

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