A destruição da imagem de Nossa Senhora Aparecida na Cruz do Chilão, em Cuiabá, entrou no radar do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal instaure um inquérito para investigar o caso, dentro de uma apuração mais ampla sobre episódios de vandalismo e possíveis atos de intolerância religiosa registrados em diferentes regiões do país.
A imagem da santa foi encontrada quebrada e decapitada no dia 25 de setembro, aos pés do tradicional monumento localizado no bairro Santa Helena. O episódio causou repercussão na Capital e provocou manifestação da Arquidiocese de Cuiabá.
Na decisão, Dino afirmou ter recebido informações sobre diversos ataques recentes contra imagens e espaços ligados à fé religiosa. Para o ministro, os relatos indicam um cenário que precisa ser investigado de maneira integrada para verificar a eventual existência de ações coordenadas ou sistemáticas.
O despacho cita possíveis crimes que podem estar relacionados aos episódios, como vilipêndio de objeto de culto religioso, preconceito religioso, violência contra práticas religiosas, injúria qualificada, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio.
Cuiabá no centro da investigação
O caso da Cruz do Chilão chamou atenção justamente por envolver um dos pontos tradicionais da memória religiosa e cultural de Cuiabá.
A imagem de Nossa Senhora Aparecida ficava instalada junto ao monumento e foi encontrada destruída na manhã de 25 de setembro. A autoria do vandalismo e a motivação do ataque ainda precisam ser esclarecidas.
Com a determinação do STF, a Polícia Federal deverá apurar as circunstâncias do episódio e buscar informações que possam ajudar a identificar os responsáveis.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também recebeu cópia do despacho.
Arquidiocese repudia vandalismo
Após a destruição da imagem, a Arquidiocese de Cuiabá divulgou uma nota de repúdio e classificou o episódio como uma manifestação de intolerância religiosa.
A instituição ressaltou que a liberdade de consciência e de crença, assim como o direito ao livre exercício dos cultos, são garantidos pela Constituição Federal.
A Igreja também defendeu a identificação dos responsáveis e a adoção das medidas cabíveis pelas autoridades.
Cruz do Chilão
Localizada no bairro Santa Helena, a Cruz do Chilão é um dos espaços associados à religiosidade popular e à memória de Cuiabá. O local reúne elementos ligados à tradição católica e também à história cultural de comunidades e manifestações de matriz africana.
Por isso, a destruição da imagem provocou repercussão para além do aspecto religioso, atingindo um espaço considerado simbólico para parte da população cuiabana.
Investigação terá alcance nacional
O episódio de Cuiabá não é o único citado na determinação de Flávio Dino. O ministro reuniu informações sobre ocorrências envolvendo templos, imagens e outros símbolos religiosos em estados como Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas e Minas Gerais.
Os relatos envolvem diferentes tradições religiosas, incluindo igrejas católicas, lojas de artigos religiosos e espaços ligados à umbanda e ao candomblé.
A PF deverá analisar os casos para verificar as circunstâncias de cada ocorrência e se existe algum vínculo entre os episódios.
A determinação ocorre em um período de forte debate público envolvendo religião, símbolos de fé e política, especialmente em torno da imagem de Nossa Senhora Aparecida, considerada padroeira do Brasil.
No caso de Cuiabá, porém, o ponto central da investigação é objetivo: descobrir quem destruiu a imagem instalada na Cruz do Chilão e esclarecer se o ato teve motivação religiosa ou outra circunstância associada ao vandalismo.
Jornalista: Mika Sbardelott
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