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Justiça afasta secretário de Governo de Várzea Grande por 90 dias em ação que aponta prejuízo de R$ 6,2 milhões

Decisão também suspende pagamentos de R$ 963 mil à empresa responsável pelo transporte escolar e determina preservação de documentos

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O juiz Francisco Ney Gaíva, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, determinou o afastamento cautelar, pelo prazo de 90 dias, do secretário municipal de Governo, Silvio Aparecido Fidélis. A decisão foi proferida em uma Ação Popular que aponta um possível prejuízo de R$ 6.224.128,40 aos cofres públicos do município.

Além do afastamento, a Justiça determinou a suspensão de pagamentos residuais à empresa Allegratur Agência de Viagens e Turismo Ltda., bem como a preservação imediata de documentos relacionados ao contrato de transporte escolar investigado.

A decisão atende parcialmente aos pedidos de liminar apresentados pelo advogado Juliano Banegas Brustolin.

Auditoria apontou irregularidades no transporte escolar

A ação questiona o Pregão Eletrônico nº 01/2022 e o Contrato Administrativo nº 095/2022, firmados pela Prefeitura de Várzea Grande com a Allegratur para a prestação de serviços de transporte escolar.

De acordo com o Relatório Técnico de Auditoria nº 05/2025, elaborado pela própria Controladoria-Geral do Município (CGM-VG), foram encontradas diversas irregularidades consideradas graves na execução contratual.

Entre os problemas apontados estão:

  • Superfaturamento por superestimativa de quilometragem, com inconsistências nas medições mensais dos trechos percorridos pelos ônibus escolares;
  • Indícios de fraude nos Diários de Bordo, incluindo registros padronizados em veículos diferentes que aparentariam ter sido preenchidos pela mesma pessoa;
  • Acúmulo irregular de funções, com a designação de um mesmo servidor para elaborar o Termo de Referência, fiscalizar o contrato e atuar como gerente do transporte escolar;
  • Ausência de documentação comprobatória idônea, mesmo em autorizações e liquidações de pagamentos.
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O contrato com a Allegratur foi rescindido amigavelmente no final de dezembro de 2025. No entanto, segundo a decisão judicial, ainda havia valores pendentes de pagamento, o que poderia representar risco de novos prejuízos ao patrimônio público.

Juiz aponta risco à investigação

Ao analisar o pedido de afastamento, o magistrado considerou a posição ocupada atualmente por Silvio Fidélis. À época dos fatos investigados, ele exercia o cargo de secretário municipal de Educação e, segundo os elementos apresentados no processo, foi apontado pela auditoria e pelo Ministério Público como responsável pela aprovação do Termo de Referência questionado e pela ordenação das despesas.

Mesmo após a prefeita Flávia Petersen Moretti comunicar os indícios de possíveis irregularidades ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) e ao Ministério Público Estadual (MPE-MT), Fidélis foi posteriormente nomeado secretário municipal de Governo.

Na avaliação do juiz Francisco Ney Gaíva, a permanência do gestor no cargo atual poderia interferir na produção e preservação das provas.

“A permanência do réu nesse cargo cria um ambiente objetivamente desfavorável à preservação da prova e à independência dos servidores que possam ser chamados a depor ou a fornecer documentos”, destacou o magistrado.

O afastamento tem caráter cautelar e temporário, pelo período de 90 dias, e não implica suspensão da remuneração do secretário.

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Justiça bloqueia R$ 963 mil em pagamentos

A decisão também determinou que a Prefeitura de Várzea Grande não realize qualquer pagamento residual à Allegratur relacionado ao contrato investigado.

A medida alcança o montante de R$ 963.067,27, correspondente às notas fiscais nº 223, 304, 311 e 312.

Segundo o magistrado, como o contrato já foi rescindido, a suspensão dos pagamentos não representa risco de interrupção do transporte escolar dos alunos da rede municipal.

Em caso de descumprimento da determinação, o ordenador de despesas poderá ser responsabilizado pessoalmente.

A decisão ainda determinou a preservação imediata de todos os documentos relacionados ao transporte escolar, medida destinada a evitar eventual destruição, alteração ou desaparecimento de elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados.

As medidas são cautelares e decorrem de uma ação ainda em tramitação. As irregularidades apontadas no processo deverão ser apuradas no curso da ação, não representando, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.

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Eleitores de Mato Grosso poderão denunciar irregularidades nas eleições pelo aplicativo Pardal

Ferramenta da Justiça Eleitoral começa a funcionar neste domingo (16) e permite o envio de fotos, vídeos, áudios e links como provas

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A partir deste domingo (16), eleitores de Mato Grosso poderão utilizar o aplicativo Pardal para denunciar possíveis irregularidades durante as Eleições Gerais de 2026. A ferramenta da Justiça Eleitoral funciona como um canal direto para o registro de denúncias relacionadas à propaganda eleitoral e outras condutas que possam descumprir a legislação.

Disponível gratuitamente para smartphones e tablets, o aplicativo exige que o eleitor se identifique por meio do e-Título ou da conta Gov.br. Apesar da identificação obrigatória, os dados pessoais do denunciante permanecem protegidos por sigilo, conforme orientação do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

A exigência também tem como objetivo dificultar o uso automatizado da plataforma por robôs e reduzir o envio de denúncias sem fundamento.

Como fazer uma denúncia

Antes de registrar a reclamação, o eleitor deve reunir o máximo possível de informações sobre o fato, incluindo local, pessoas envolvidas e evidências. O sistema permite anexar fotos, vídeos, áudios e links relacionados à ocorrência.

Uma das novidades para as eleições de 2026 é o uso de inteligência artificial. A tecnologia poderá sugerir ao eleitor a categoria mais adequada para enquadrar a denúncia. O usuário, entretanto, poderá alterar a classificação antes de concluir o envio.

Entre as situações que podem ser comunicadas pelo aplicativo estão:

  • propaganda eleitoral irregular na internet;
  • disparos em massa;
  • telemarketing;
  • publicidade paga irregular;
  • uso indevido de alto-falantes;
  • utilização irregular de carros de som, minitrios e trios elétricos;
  • irregularidades em adesivos, outdoors e outros materiais de campanha;
  • compra de votos;
  • abuso de poder econômico ou político;
  • uso indevido da máquina pública.
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A possibilidade de denúncia depende da natureza e das circunstâncias de cada caso.

Denúncia passa por análise da Justiça Eleitoral

Depois de enviada, a reclamação recebe um número de protocolo e é encaminhada à Ouvidoria Eleitoral. O registro passa por análise e, posteriormente, pode ser direcionado ao setor ou órgão responsável.

Dependendo da situação, a denúncia poderá ser encaminhada para a zona eleitoral competente, Ministério Público Eleitoral ou outros canais da Justiça Eleitoral.

Caso sejam identificados elementos suficientes, a denúncia poderá resultar na abertura de um processo no Processo Judicial Eletrônico (PJe).

A Justiça Eleitoral orienta que o aplicativo seja utilizado de maneira responsável, com informações objetivas e provas sempre que possível.

Pardal recebeu 1,6 mil denúncias em Mato Grosso em 2024

Durante as eleições municipais de 2024, o Pardal recebeu 1.608 denúncias de propaganda irregular em Mato Grosso, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A maior parte dos registros estava relacionada a candidatos a vereador, com 867 denúncias, seguida por candidatos a prefeito, com 430. Outros 298 registros envolviam partidos, coligações ou federações, enquanto 13 estavam relacionados a candidatos a vice-prefeito.

Entre os municípios mato-grossenses, Sinop registrou o maior número de denúncias, com 183. Na sequência estavam Cuiabá (134), Rondonópolis (110), Lucas do Rio Verde (54) e Várzea Grande (43).

Do total registrado naquele levantamento, 548 denúncias haviam sido peticionadas, 976 foram baixadas do sistema e 84 permaneciam em andamento. Na ocasião, 31% dos registros tinham resultado em peticionamento no PJe.

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As denúncias envolvendo propaganda na internet foram as mais numerosas, com 461 registros. Também foram registrados casos relacionados a bens públicos, banners, cartazes, faixas, adesivos, alto-falantes, outdoors e outras formas de publicidade eleitoral.

Inteligência artificial é novidade em 2026

A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a utilização de inteligência artificial para auxiliar no preenchimento das denúncias é a principal novidade do Pardal para as eleições deste ano.

Segundo a magistrada, a tecnologia poderá ajudar o eleitor que tiver dúvidas sobre como classificar determinada situação ou quais elementos devem ser apresentados.

“Às vezes, o eleitor não sabe fazer o conteúdo, não sabe enquadrar o conteúdo. Será que isso aqui é uma denúncia? A inteligência sugere”, explicou.

Serly também reforçou que a identificação será obrigatória, mas os dados pessoais permanecerão protegidos.

“O eleitor vai ter que se identificar, mas essa identificação é protegida. Nós cumprimos a lei de proteção de dados. O eleitor vai fazer a denúncia dele e não será exposto”, afirmou.

Segundo a presidente do TRE-MT, o Pardal não terá prazo para encerramento das denúncias. O aplicativo continuará aberto mesmo após o fim das eleições, permitindo que situações relacionadas ao processo eleitoral sejam comunicadas à Justiça Eleitoral.

Jornalista: Luan Schiavon

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