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TJMT anula votação secreta da ALMT que manteve veto a reajuste de servidores do Judiciário

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A Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu, por unanimidade, anular a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) que havia mantido o veto do então governador Mauro Mendes (União) ao projeto que previa reajuste salarial para servidores do Poder Judiciário.

Com a decisão, a apreciação do veto ao Projeto de Lei nº 1.398/2025 foi considerada nula. O TJMT determinou que a Mesa Diretora da Assembleia realize uma nova votação sobre a matéria, desta vez de forma nominal, aberta e pública.

A decisão atende a um mandado de segurança coletivo apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a legalidade da votação realizada em 3 de dezembro de 2025.

Voto secreto foi considerado inconstitucional

O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que a votação secreta de vetos contraria os princípios constitucionais da publicidade, transparência e soberania popular.

Segundo o magistrado, o sigilo impede que a sociedade tenha conhecimento da posição individual dos parlamentares em uma decisão de interesse público.

“A deliberação por meio de voto secreto atenta diretamente contra os princípios da publicidade, da transparência e da soberania popular, desfazendo o vínculo de responsabilidade política que deve existir entre os parlamentares e a sociedade”, afirmou Vidal no acórdão.

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Para o relator, o vício ocorrido durante a tramitação é grave o suficiente para invalidar a votação.

“A deliberação fundada em norma inconstitucional contamina de nulidade o ato processual praticado, impondo-se a sua renovação pelo meio constitucionalmente adequado”, apontou.

O desembargador ressaltou ainda que a decisão judicial não garante aos servidores a aprovação do reajuste, mas assegura o direito a que o veto seja novamente analisado dentro das regras constitucionais.

O direito reconhecido pelo Tribunal restringe-se ao “devido processo legislativo, com a realização de votação aberta, e não a um resultado político determinado”.

Projeto previa reajuste de 6,8%

O Projeto de Lei nº 1.398/2025 foi encaminhado à Assembleia Legislativa pelo Tribunal de Justiça no segundo semestre de 2025 e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário estadual.

A proposta havia sido respaldada pelo Pleno do TJMT e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia.

Em novembro de 2025, os deputados aprovaram o projeto em dois turnos. Posteriormente, no início de dezembro, o então governador Mauro Mendes decidiu vetar integralmente a proposta.

Na justificativa, o Executivo alegou que o reajuste poderia violar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e provocar efeito cascata sobre outras despesas do Estado, com potencial impacto bilionário nas contas públicas.

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Assembleia terá de votar novamente

O veto foi analisado pelo plenário da Assembleia em 3 de dezembro de 2025. Na ocasião, a votação ocorreu de forma secreta e terminou com 12 votos pela manutenção do veto e 10 pela derrubada.

Para rejeitar o veto do governador, seriam necessários 13 votos.

A utilização do voto secreto provocou reação de parlamentares da oposição e de entidades sindicais, que sustentaram que o procedimento contrariava a Emenda Constitucional Federal nº 76/2013, que extinguiu o voto secreto nas deliberações legislativas sobre vetos.

Com a decisão do TJMT, a votação realizada em dezembro foi anulada e o processo deverá retornar à Assembleia Legislativa.

A Mesa Diretora terá de pautar novamente a análise do veto, desta vez em votação aberta, nominal e pública, permitindo a identificação dos votos de cada parlamentar.

A nova apreciação, entretanto, deverá definir apenas se o veto será mantido ou derrubado dentro do procedimento considerado constitucional pelo Judiciário. A decisão não determina que o reajuste seja necessariamente aprovado.

Jornalista: Luan Schiavon

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Barranco cobra assinaturas para CPI da Oi e critica Assembleia após operação da PF

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O deputado estadual Valdir Barranco (PT) cobrou, nesta quarta-feira (12), que os colegas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) assinem o requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar possíveis irregularidades no acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.

O parlamentar criticou a falta de apoio suficiente para a instalação da comissão e afirmou que o Legislativo estadual não pode permanecer inerte diante das suspeitas levantadas pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Heritage.

“A Assembleia Legislativa está devendo. É vergonhoso para a Assembleia Legislativa. Eu tenho vergonha disso. Como que os nossos colegas deixam chegar a esse ponto? Tem que ter uma operação da Polícia Federal com decisão do Supremo num caso de corrupção escancarado?”, declarou Barranco durante conversa com jornalistas.

Segundo o deputado, a Assembleia precisa exercer seu papel de fiscalização e apurar os fatos antes que a investigação avance exclusivamente no âmbito judicial.

“Os nossos deputados que não assinaram ainda, espero que eles tenham consciência, que eles assinem, que investiguem e que não deixem apenas para o Supremo esfregar na nossa cara que a Assembleia Legislativa passou pano, que a Assembleia Legislativa aceitou a corrupção embaixo da nossa barba”, afirmou.

Barranco diz que parlamentares tinham conhecimento

Barranco também alegou que os deputados estaduais tinham conhecimento das supostas irregularidades envolvendo o acordo, mas teriam evitado tomar providências por receio de se indispor com o então governador Mauro Mendes (União) e seu grupo político.

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“Todo mundo aqui sabia e aí, porque tem que puxar o saco do governador, porque tem que estar de bem com o governador, nós vamos fechar os olhos para isso?”, questionou.

As declarações ocorrem após a deflagração da Operação Heritage, realizada pela Polícia Federal no dia 6 de agosto. A operação investiga suspeitas de crimes como organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso de informação privilegiada, conhecido como insider trading.

CPI ainda depende de uma assinatura

A proposta de criação da chamada “CPI da Oi” já havia alcançado sete assinaturas na Assembleia Legislativa. Conforme o Regimento Interno da Casa, são necessárias oito assinaturas para que o requerimento possa avançar.

A comissão pretende investigar o acordo que envolveu o pagamento de R$ 308 milhões em precatórios à Oi durante a gestão do ex-governador Mauro Mendes.

De acordo com as investigações citadas no caso, os recursos teriam sido posteriormente movimentados por meio de fundos de investimento ligados a diferentes núcleos investigados pela Polícia Federal.

Investigação aponta movimentação por fundos

Segundo a PF, parte dos valores teria passado pelo Royal Capital FIDC, com movimentações envolvendo os fundos Zurich FIM e London FIP. Este último teria adquirido participação acionária na Parecis Bioenergia, empresa vinculada a um fundo controlado pela família Mendes.

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A hipótese investigada é de que a estrutura teria possibilitado a incorporação de recursos supostamente desviados ao patrimônio privado, apresentando as operações como transações regulares no mercado.

Outro caminho investigado envolve o fundo Lotte Word FIDC, que, conforme as informações da investigação, estaria ligado ao deputado federal Fábio Garcia.

A PF identificou, nesse caso, uma estrutura composta por diferentes fundos que realizavam investimentos entre si. Segundo os investigadores, a movimentação teria como finalidade ocultar a origem e o destino dos recursos.

Ao final da cadeia financeira, os valores supostamente desviados dos cofres públicos teriam sido convertidos em investimentos privados de baixa liquidez, relacionados às empresas Parecis Bioenergia e Hotéis Global S.A.

Operação coloca Assembleia sob pressão

A deflagração da Operação Heritage aumentou a pressão sobre os deputados estaduais para que o Legislativo investigue as circunstâncias que envolveram o pagamento milionário à companhia telefônica.

Para Barranco, a Assembleia deve assumir o protagonismo na apuração e esclarecer se houve irregularidades na utilização dos recursos públicos.

As suspeitas, contudo, ainda são objeto de investigação. A eventual instalação da CPI não representa, por si só, confirmação de crimes ou responsabilidade dos citados, cabendo às autoridades competentes aprofundar a apuração e estabelecer eventuais responsabilidades.

Jornalista: Luan Schiavon

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