A crise política e financeira em Várzea Grande ganhou novos capítulos após o presidente da Câmara Municipal, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), rebater as declarações da prefeita Flávia Moretti (PL), que acusou o Legislativo de engessar a administração municipal ao decretar situação de calamidade financeira.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Cerqueira apresentou números para contestar a versão da prefeita. Segundo ele, a Câmara autorizou, apenas neste ano, remanejamentos orçamentários de R$ 155 milhões. Além disso, em 2025, os vereadores aprovaram a movimentação de até 25% do orçamento municipal, o que representa cerca de R$ 500 milhões.
De acordo com o parlamentar, a prefeita ainda solicitou autorização para mais 20% de remanejamento, equivalente a aproximadamente R$ 407 milhões, pedido que gerou preocupação entre os vereadores.
“A Câmara deu um cheque em branco para a prefeita só este ano de R$ 155 milhões de remanejamento. No ano passado aprovamos 25%, que dá R$ 500 milhões no orçamento. Ela ainda entrou pedindo mais 20%, mais R$ 407 milhões, e a gente assustou”, afirmou.
O presidente da Casa também revelou que um balanço financeiro encaminhado ao Legislativo aponta a existência de R$ 113 milhões em restos a pagar pela atual gestão, levantando questionamentos sobre a aplicação dos recursos públicos.
“Eu também quero saber: para onde está indo esse dinheiro?”, questionou.
Calamidade financeira
O decreto de calamidade financeira foi publicado pela prefeita após decisão do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, que determinou, no último dia 16 de julho, o sequestro de R$ 19,7 milhões das contas do município devido ao não pagamento de precatórios judiciais.
Além do bloqueio, a decisão também determinou a retenção de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O magistrado ainda encaminhou o caso ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para apuração de possíveis irregularidades, incluindo eventual ato de improbidade administrativa e descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em resposta, a prefeita decretou situação de calamidade financeira por 180 dias tanto na administração direta quanto no Departamento de Água e Esgoto (DAE), atribuindo parte da crise à suposta falta de apoio da Câmara Municipal.
Críticas à gestão
Wanderley Cerqueira também criticou a condução administrativa do município, afirmando que a cidade enfrenta problemas em diversos setores.
“Eu nasci e me criei em Várzea Grande e nunca vi um decreto de calamidade financeira aqui. Eu também estou assustado. Uma gestão que só está pagando folha, não tem um tapa-buraco, o Pronto-Socorro não está funcionando por falta de medicamentos, uma cidade suja. É uma gestão que não teve planejamento”, declarou.
Segundo o presidente da Câmara, dos cerca de 50 projetos encaminhados pela Prefeitura ao Legislativo, 42 foram aprovados imediatamente e outros seis retornaram ao Executivo apenas para adequações técnicas antes de receberem aprovação.
A única proposta rejeitada pelos vereadores, conforme Cerqueira, foi a que previa o aumento da alíquota do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) de 2% para 5%.
“Ia arrebentar o empresário de Várzea Grande, aquele que gera emprego e renda. A Câmara entendeu que o empresário não aguenta mais pagar imposto”, justificou.
Com recursos bloqueados pela Justiça, dívidas acumuladas e troca de acusações entre Executivo e Legislativo, Várzea Grande vive um cenário de forte instabilidade administrativa. Enquanto os órgãos de controle analisam as contas municipais, o embate político entre a prefeita e os vereadores promete se intensificar nos próximos meses.
Vídeo:
Jornalista: Luan Schiavon
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